Apesar de no cômputo geral do ano a linha de atendimento da Caritas “Esperança na Vida” ter recebido menos 30% de chamadas face a 2016, a época natalícia resultou num maior volume de pedidos de ajuda. Paul Pun acredita que a solidão é o principal motivo para a tendência, tendo também em conta que este ano há mais actividades pelas ruas do território. Por outro lado, os pedidos de apoio ao Banco Alimentar cresceram cerca de 7% face a 2015, adiantou o secretário-geral da Caritas

 

Inês Almeida

 

A época natalícia trouxe um aumento do número dos pedidos de ajuda na linha de atendimento da Caritas “Esperança na Vida”, contrariando a tendência do resto do ano. “No ano passado, tivemos cerca de 30 chamadas durante a época de Natal”, explicou o secretário-geral da Caritas ao Jornal TRIBUNA DE MACAU. Já este ano, a linha recebeu 29 chamadas só na segunda-feira, Dia de Natal, e 40 na véspera.

“Durante todo o ano de 2017 recebemos menos chamadas do que em 2016, porque desde Janeiro a Novembro tivemos cerca de 10.000 e no ano passado foram 14.000. São muito menos, mas nesta época natalícia o número de chamadas aumentou”, especificou o mesmo responsável.

Essa tendência em alta na quadra natalícia surpreendeu Paul Pun. “Como durante todo o ano recebemos menos chamadas, achávamos que no Natal também teríamos menos, mas aconteceu o contrário. Provavelmente muitas pessoas estiveram ocupadas e aquelas que ficam sozinhas sentem-se isoladas e ligam”, apontou.

Na sua maioria, as chamadas foram feitas por pessoas solteiras que têm entre 30 a 40 anos. “São pessoas que não são casadas e não têm família. É uma questão de isolamento, solidão”, defendeu Paul Pun. “Por toda a cidade, também há mais actividades e mais festa comparativamente ao ano passado e as pessoas sentem-se mais isoladas. No exterior vêem felicidade e em casa não, portanto, ligam-nos para se sentirem menos afastadas da famílias”, destacou.

 

Pedidos ao Banco Alimentar

voltaram a crescer

Num balanço geral da actividade de 2017, o secretário-geral da Caritas refere um aumento dos pedidos de apoio ao Banco Alimentar de 3% face a 2016 e de cerca de 7% em relação ao ano anterior. “Talvez tenha a ver com a nossa estratégia, que foi melhor que no ano passado. Antes tínhamos quatro centros, dois na mesma área, por isso, movemos um deles para a Ilha Verde no ano passado, ficando mais próxima de uma zona onde estão algumas das pessoas que ajudamos. É a mesma razão por que fomos para Seac Pai Van”, disse, acrescentando que a Caritas instalou os seus centros junto a edifícios de habitação social, “onde estão as pessoas com rendimentos mais baixos”.

Paul Pun justifica ainda o aumento com uma maior divulgação da actividade do Banco Alimentar entre as pessoas. “Amigos falam com amigos e, além disso, uma associação pode considerar que alguém precisa de alimentos adicionais, liga às pessoas em questão, e avisa-as para nos procurarem”.

A distribuição dos pedidos de ajuda também sofreu ligeiras alterações. “No passado, 50% dos pedidos eram de idosos e 50% de famílias. Agora 40% são de pessoas com rendimentos baixos e 60% de pessoas apoiadas pelo Fundo de Segurança Social (FSS)”.

Até 17 de Dezembro havia 2.367 agregados familiares qualificados para receber apoio do Banco Alimentar. “Entre esses, 66 qualificaram-se para receber apoio social pela primeira vez”. “Este Banco Alimentar serve as pessoas logo no primeiro momento em que se qualificam. Depois, referimos essas pessoas ao FSS para que tenham apoio de longo prazo, porque o Banco Alimentar é um apoio de curto prazo”, destaca Paul Pun.

“Durante os primeiros meses [as pessoas] recebem apoio do Banco Alimentar porque, embora se qualifiquem para apoio social, podem não recebê-lo de imediato e, assim, pelo menos damos-lhes alimentos”, explicou. Há actualmente 109 pessoas nesta situação.

A maioria dos apoios tem como destinatários residentes das Ilhas e da Zona Norte. “Na Zona Central de Macau estão 120 pessoas, na Taipa e Seac Pai Van, 870, 792 na Areia Preta e 531 no Fai Chi Kei. Também temos 42 pessoas com problemas de mobilidade, às quais enviamos os produtos alimentares”, esclareceu o secretário-geral da Caritas.