O Secretário para a Economia e Finanças admitiu ontem que o condicionamento da entrada, do trabalho e do jogo nos casinos, aprovado na generalidade por unanimidade, pode trazer maior pressão aos fiscais e antecipou que será aberto concurso público para novas contratações. Os deputados mostraram-se sobretudo preocupados com o combate ao jogo patológico
Inês Almeida
O “condicionamento da entrada, do trabalho e do jogo nos casinos” tem ainda que passar pelo processo de análise na especialidade depois de ter sido ontem aprovado na generalidade por unanimidade, no entanto, o Secretário para a Economia e Finanças já antevê um maior volume de trabalho para os profissionais que ficarão responsáveis pela fiscalização do cumprimento do diploma.
“Sentimos falta de pessoal e vamos fazer um concurso público para contratação, mas não sei se isso vai aliviar o volume de trabalho dos inspectores. A pressão do trabalho vai aumentar”, admitiu Lionel Leong durante a reunião plenária da Assembleia Legislativa (AL), acrescentando que serão organizados também cursos de formação para esses trabalhadores.
De um modo geral, e perante preocupações dos membros do Hemiciclo relacionadas com os riscos associados ao jogo patológico, depois de aprovada a proposta de lei “há necessidade de reforçar os trabalhos de sensibilização para que diferentes medidas de apoio façam com que os trabalhadores não se sintam catalogados mas evitem que sejam prejudicados”.
No entanto, Lionel Leong mostrou-se céptico sobre aplicação de medidas demasiado radicais. “Por um lado, queremos ter um desenvolvimento sustentável, por outro, evitar que haja mais jogadores patológicos. Será que podemos tomar uma medida radical ou progressiva? É um assunto que pode ser melhor discutido mas quando dizemos que vamos adoptar uma medida radical, como proibir todos os residentes, é preciso reunir o consenso da sociedade”.
Por sua vez, o director da Inspecção e Coordenação de Jogos acrescentou que será criada uma linha aberta para participação de eventual desrespeito à interdição. Até porque, sublinhou Paulo Martins Chan, medidas demasiado radicais podem ter efeitos adversos. “Diferentes pessoas têm diferentes ideias. Há quem pense que se pagar para entrar num casino tem de jogar para ganhar muito até sair. A implementação de proibições pode acarretar fenómenos imprevistos”, alertou.
Os esclarecimentos do Governo surgem depois de muitos deputados se terem mostrado preocupados com os riscos de jogo patológico para os profissionais do sector. “Os trabalhadores do jogo têm um peso bastante grande na população de Macau e os riscos que correm no contacto com o jogo são cada vez maiores”, atentou Si Ka Lon. Na mesma linha de pensamento, Davis Fong chamou a atenção para o facto de, sobretudo os “croupiers” estarem “muito imersos no jogo”. Song Pek Kei fez referência ao mesmo problema que disse ser “tal como as drogas”. “As consequências na família são nefastas”.
Sulu Sou foi o deputado a defender medidas mais severas, o que levou o Executivo a questionar o impacto de acções mais radicais. “O jogo tem efeitos prejudiciais para as famílias. Se formos ver regiões como Singapura, a população tem de pagar cerca de 600 patacas para entrar [no casino] e só por 24 horas. Sabe-se que no Japão vai ser fixado o preço de 440 patacas. (…) Perante uma doença, temos de encontrar a medicação acertada. Se calhar, o Governo pode adoptar uma medida de interdição de entrada aos residentes, em geral, não apenas para os profissionais do sector, e limitar o montante das apostas”, propôs.



