A visita comercial e cultural ao Myanmar chegou ao fim, mas alguns dos seus frutos poderão já estar a nascer. O director executivo da “Mabo”, maior empresa de vestuário de Macau, revelou ao Jornal TRIBUNA DE MACAU que pretende abrir entre cinco a oito lojas no país, para explorar o potencial representado pelos habitantes de origem chinesa em Yangon e Mandalay. No entanto, ressalva, a primeira etapa passará por resolver problemas ao nível linguístico e estreitar relações com empresas birmanesas
Rima Cui*
Em Mandalay
No fecho do périplo que uma delegação comercial de Macau realizou por Yangon e Mandalay, cidades de Myanmar, o organizador, Tim Wong, sublinhou que a iniciativa obteve bons resultados e até já foi informado por um dos membros do grupo, director executivo da “Mabo Macau (Internacional) Limited”, empresa que lidera a área do vestuário no território, da intenção de abrir estabelecimentos comerciais no país do sudeste asiático.
Em declarações ao Jornal TRIBUNA DE MACAU, o director executivo da empresa, Wang Yingwen, responsável pela introdução em Macau da marca há cerca de 20 anos, salientou que o grupo possui dezenas de lojas de vestuário da “Mabo” na zona do NAPE e nas imediações do Hotel Lisboa, sendo os jogadores dos casinos os principais clientes. “As nossas receitas anuais são de 200 milhões de patacas e os negócios estão cada vez melhores. Não fomos afectados pelo abrandamento do crescimento das receitas do jogo nos últimos anos”, assegurou, durante a visita a Mandalay, segunda maior cidade birmanesa.
Após uma análise minuciosa do mercado, o empresário concluiu que tanto em Yangon como em Mandalay o investimento em lojas de vestuário é escasso, existindo por isso poucos estabelecimentos comerciais desse tipo. Para além disso, atendendo ao facto das duas cidades birmanesas contarem com um grande número de habitantes de origem chinesa, Wang Yingwen acredita que a sua marca de roupa “pode explorar um mercado com potencial”.
Nesse contexto, o seu plano inclui a abertura de cinco a oito lojas da “Mabo” nas duas cidades. Apesar de tudo, Wang Yingwen admite existirem dificuldades linguísticas e nas relações com empresas locais, pelo que pretende reforçar a colaboração com a Câmara do Comércio da Juventude de Myanmar em Macau, presidida por Tim Wong. Este responsável domina o birmanês, por isso, poderá contribuir para o “estreitamento de laços” com empresários de Myanmar que possam ajudar a concretizar esse plano de investimento.
Segundo o líder da “Mabo”, apesar de Macau ter vindo a atrair cada vez mais turistas, o principal alvo dos seus negócios nunca foram os visitantes em geral, já que “os jogadores são mais generosos nos gastos”.
O empresário garantiu mesmo que, há alguns anos, rejeitou uma mudança da marca para o Venetian, numa altura em que havia uma competição renhida por espaços comerciais no “resort” operado pela Sands China. “O Venetian é demasiado grande em termos de espaço e os jogadores podem confundir-se facilmente na procura das lojas”, justificou Wang Yingwen, acrescentando que os estabelecimentos comerciais não podem ser instalados “em sítios discretos”.
Actualmente a empresa tem mais de 100 funcionários, sendo que, segundo garante o director executivo, os que têm categorias mais baixas ganham cerca de 25 mil patacas mensalmente.
Oriundo de Shenyang, na província de Liaoning, o empresário contou que mudou-se para Macau em 2000 com um visto de investimento, que entretanto deixou de estar disponível. “Foi um amigo meu que descobriu o mercado de Macau e na altura introduziu apenas alguns produtos na minha marca. Mas, tiveram muito sucesso e foi assim que os negócios foram crescendo pouco a pouco”, referiu.
A marca Mabo” mantém-se no bom caminho em termos financeiros, mas Wang Yingwen assevera que nunca pensou investir em outras áreas, porque para si o “vestuário é para toda a vida”.
* Jornalista do JTM viajou a convite da Associação de Amizade Macau-Myanmar



