Ontem foi dia de estudantes do 3º, 4º e 5º anos de escolaridade da EPM cantarem a “Revolução dos Cravos” e, embora os mais pequenos não saibam muito sobre o que aconteceu há 43 anos, mostram-se convictos de um facto: a 25 de Abril de 1974 começou a Liberdade. Além de se ouvirem canções típicas da data, está patente na EPM, até sexta-feira, uma exposição com trabalhos dos alunos dedicados à revolução

 

Inês Almeida

 

Ainda que possam não estar muito informadas sobre o que representou a “Revolução dos Cravos”, as crianças têm em mente uma palavra-chave: Liberdade.

Mafalda, estudante do 4º ano, sabe que há 43 anos “passou-se de uma guerra para a liberdade e deixou de haver censura”, disse ao Jornal TRIBUNA DE MACAU.

Carolina, também do primeiro ciclo, transmite ideias semelhantes. O 25 de Abril “foi importante porque antes não havia liberdade”, frisou, destacando que a sua professora costuma falar sobre este marco histórico.

Taís é informada sobre a relevância da revolução, sobretudo, pelos pais que lhe contam que “foi um dia muito importante”. Tomás, Diogo e Gabriel explicam porquê, quase em uníssono: “Foi dia de liberdade, porque Salazar não deixava fazer muita coisa, por exemplo, não deixava as pessoas votar em quem queriam e não podiam ser escritos” alguns textos.

Isto é, de resto, também o que lhes é dito pelos professores. Deolinda Santos está a coordenar uma exposição subordinada à temática que, por ser abrangente, desperta o interesse dos mais pequenos. “Apesar de a revolução ser portuguesa, representa temáticas universais, que nos dizem qualquer coisa, como o autoritarismo, a democracia, a liberdade de expressão e a censura”. “Tudo isso é muito actual e capta-os sempre”, salienta a docente.

Deolinda Santos explica que as comemorações do 25 de Abril na EPM este ano incluem a inauguração de uma exposição dos alunos do 6º, 9º e 12º ano, além dos “meninos do primeiro ciclo” que apresentam placares. São abordados conteúdos como a Guerra Colonial, a oposição democrática ao Estado Novo, as figuras do Estado Novo e do 25 de Abril e até a descolonização. A mostra ficará patente até sexta-feira.

Para assinalar o dia da Revolução, cerca de 100 alunos do 3º, 4º e 5º anos de escolaridade cantaram ontem temas muito ligados ao 25 de Abril, após um mês de ensaios com a professora de Educação Musical.

Ana Carreiro fala de uma experiência “sempre muito gratificante” pois os alunos “são muito interessados em todas as temáticas, fazem imensas perguntas e basta motivá-los um bocadinho com a importância do acontecimento e explicar-lhes que se passou em Portugal, longe da realidade deles”.

Para contar aos alunos o que foi o 25 de Abril, a professora aposta, sobretudo, nas questões associadas à liberdade, como a de expressão. “Explico-lhes que antigamente não se podiam fazer determinadas coisas que agora são tão naturais e que nem sequer imaginamos que antes eram proibidas. Não vou tanto pela parte política, porque eles são muito pequeninos, mas sim pela parte da liberdade e eles ficam muito motivados”.

É a docente quem escolhe as músicas a cantar neste dia, além de tentar fazer canções diferentes, até porque “ninguém inventa repertório novo para o 25 de Abril todos os anos”. “Selecciono sempre quatro ou cinco [músicas] por exemplo de Zeca Afonso, José Fanha e outros cantores representativos da época”.

Além disso, foram adaptados alguns poemas de Manuel Alegre a canções infantis para “ser um pouco mais fácil para eles”.

Este ano ouviram-se temas como “A Gaivota”, um tema de autor desconhecido muito associado à “Revolução dos Cravos”, “Vejam Bem” e “Canção de Embalar” de Zeca Afonso, “A Manhã Necessária”, de Armindo Rodrigues e uma adaptação para canção infantil de “Portugal Cravo Vermelho”, um poema de 1978. Por último, ecoou o Hino Nacional.

A professora de Educação Musical faz um balanço positivo dos ensaios e do espectáculo em si pois os alunos “gostam imenso de cantar”. “Vemos no resultado final que eles são reguilas por natureza, e ainda bem, mas na hora sabem comportar-se e têm em conta aquilo que lhes peço enquanto coro, porque há uma determinada que têm de ter, e eles correspondem”. “Não é tão difícil quanto parece”, garante Ana Carreiro.