A liberdade académica é um princípio “essencial” para o desenvolvimento de qualquer instituição de ensino superior, nomeadamente da Universidade de Macau. A garantia foi dada pelo novo reitor, Song Yonghua, num encontro em que reiterou a promessa de reforçar a comunicação com o pessoal da universidade e a sociedade em geral, admitindo ainda assim que esta nova etapa profissional será “desafiante”
Rima Cui
No segundo dia na qualidade de novo reitor da Universidade de Macau (UM), Song Yonghua partilhou as suas expectativas em relação a um cargo que, segundo reconheceu, revela ser “desafiante”. Mesmo assim, os mais de 20 anos de experiência na área de gestão de instituições de ensino superior conferem-lhe confiança na “marcha contra as dificuldades”, garantiu num encontro com os órgãos de comunicação social.
Neste quadro, o reitor mostra-se interessado e sublinha a importância de colaborar de “mãos dadas” com a UM e todos os sectores de Macau, para formar “mais quadros de excelência” para a RAEM e País.
Para os próximos meses, estão projectados encontros com docentes, funcionários, alunos e antigos alunos da instituição de ensino superior. Além disso, é objectivo de Song Yonghua reforçar ainda mais a comunicação e interacção com os vários sectores da sociedade e conhecer as opiniões do pessoal e alunos da instituição académica.
Por outro lado, o novo reitor foi questionado sobre o modo como pretende garantir a liberdade académica depois do professor de sociologia da UM, Hao Zhidong, ter apontado para uma reduzida liberdade académica na instituição devido a uma série de medidas tomadas internamente. Ora, para o novo reitor, este valor é uma questão nuclear para qualquer universidade sendo, desse modo, igualmente partilhado pela UM.
“Fui vice-reitor e trabalhei 18 anos no Reino Unido, e sei que a liberdade académica é um princípio essencial para o desenvolvimento da universidade”, salientou.
Acrescentando que a “liberdade académica” está consagrada nos estatutos da UM e na Lei do Ensino Superior, a qual acabou de ser aprovada, Song Yonghua considera que para assuntos específicos importa efectuar análises concretas, mas garantiu que é necessário respeitar o estatuto da universidade e o respectivo regime jurídico.
Por outro lado, o académico espera com este novo cargo colocar em prática a vasta experiência que possui em termos de gestão académica. “O meu objectivo é ajudar a UM a tornar-se numa universidade que satisfaça as pessoas de Macau e que atraia alunos excelentes. Espero que a UM chegue a ser uma universidade com base na RAEM, integrada na região da Grande Baía e que abrace toda a China e se distinga no mundo”, realçou.
Em relação à longa experiência de trabalho no Reino Unido e em instituições de ensino superior do Continente chinês e a uma eventual “ligação estreita” com o Governo Central, Song Yonghua explicou que possui o contexto e experiência de trabalho quer no Oriente quer no Ocidente. Na sua perspectiva, essa particularidade constitui uma “vantagem” na execução do trabalho em Macau dada a fusão entre as culturas oriental e ocidental.
Aos 54 anos de idade, Song Yonghua diz estar numa fase da vida em que vai “sobrepor as vantagens e ultrapassar as insuficiências”, e assegura estar confiante em abraçar a liderança da UM elevando-a a um novo patamar.
Novo reitor reconhece importância do Português
A língua portuguesa é “muito importante” para a Universidade de Macau (UM) garantiu o novo reitor da instituição, Song Yonghua, que um dia depois de ter tomado posse ouviu as primeiras críticas à forma como a instituição de ensino usa e promove o Português. Segundo a Rádio Macau, Song Yonghua prometeu que irá analisar o conteúdo de uma carta da Associação de Imprensa em Português e Inglês de Macau (AIPIM), que o encorajou a “promover a utilização da língua portuguesa na comunicação da UM com a sociedade e com os jornalistas de língua portuguesa de Macau”, por entender que essa “não tem sido prática” nos últimos anos. O reitor defendeu ainda que a UM é uma peça fundamental na afirmação de Macau nas relações entre a China e os países de língua portuguesa. “É uma plataforma muito importante para Macau. Como universidade, temos de responder às necessidades e servir o desenvolvimento de Macau. A língua portuguesa e a colaboração com os países de língua portuguesa ao nível da educação e pesquisa vão ser uma parte muito importante da Universidade de Macau. Antecipo um futuro brilhante nesta área”, afirmou.



