Associação dos Compradores do Pearl Horizon
Associação dos Compradores do Pearl Horizon

A Associação dos Compradores do Pearl Horizon saiu ontem à rua com 520 pessoas, número muito inferior às 5.000 esperadas. Para a organização, tal deveu-se às “tácticas de intimidação” do Governo, já que compradores de Hong Kong terão sido barrados à entrada no território. Além deste grupo, cerca de 300 funcionários do jogo, liderados por Cloee Chao, e com a companhia de Au Kam San, também se manifestaram. Já a Associação para a Reunião Familiar ficou-se pelo Largo do Senado com 40 participantes

 

Rima Cui

 

As manifestações do Dia do Trabalhador contaram ontem com menos de 1.000 manifestantes, segundo dados oficiais, uma diminuição significativa face a 2017, quando 2.600 pessoas saíram à rua, maioritariamente em nome da Associação dos Compradores do Pearl Horizon. Este ano, foi novamente essa associação a reunir mais manifestantes, 520, seguindo-se a Associação dos Direitos dos Trabalhadores de Jogo, dirigida por Cloee Chao com 300 pessoas, revelou o Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP), afirmando que mobilizou 250 agentes para manter a ordem.

Antes da iniciativa, os proprietários do Pearl Horizon esperavam reunir 5.000 pessoas no protesto para apelar à devolução das casas, no entanto, apareceram apenas entre 700 e 800, segundo estimativas de Kou Meng Pok, presidente da associação. “Cinco mil já era um número reduzido. Mas os postos fronteiriços rejeitaram a entrada de muitos compradores. Por exemplo, teríamos aqui um casal de Hong Kong, proprietário de uma fracção do Pearl Horizon, mas só a mulher conseguiu entrar, o marido foi barrado. As autoridades sabiam da manifestação e que haveria muitas pessoas, por isso, cortaram o mais possível. Por isso, o número previsto na ordem dos milhares foi reduzido para as centenas. O Governo de Macau usa tácticas de intimidação contra a população, mas estamos numa era pacífica e temos a liberdade de nos manifestar”, salientou Kou Meng Pok.

Por sua vez, o CPSP disse não comentar casos individuais e garantiu ter seguido os regulamentos e políticas do departamento de Migração.

Para além disso, o líder da associação disse ter sentimentos mistos, de “felicidade e preocupação”, depois do recente encontro com Chui Sai On, que demorou apenas meia hora. “Sentimo-nos feliz porque finalmente conseguimos encontrar-nos com o Chefe, mas receamos que o Executivo não chegue a permitir a entrega das casas, consoante os recibos de impostos e registos de condomínio. Apesar do Governo ter assegurado que há várias propostas de resolução, rejeitou revelar o plano antes da conclusão do julgamento”, indicou Kou Meng Pok, reiterando que espera receber as fracções, mas admitindo que será difícil.

No grupo do Pearl Horizon, o slogan no autofalante e nos cartazes foi: “Lei Keqiang [Primeiro Ministro chinês) diz: o Governo não pode tratar contratos de compra e venda como lixo”. Além disso, nalguns cartazes acusaram o Governo de “não ter credibilidade” e a construtora de “não ter coração”. Nos guarda-chuvas pretos, as palavras eram claras: “devolvam-nos casas em 2018”.

A associação partiu pelas 14h da sede da Polytec, passando pela Rua do Campo e entregando uma petição no Gabinete de Ligação do Governo Central e na sede do Governo da RAEM.

 

Direitos iguais à Função Pública

Associação dos Direitos dos Trabalhadores de Jogo

Por sua vez, a Associação dos Direitos dos Trabalhadores de Jogo rumou da Avenida 24 de Junho até à sede do Governo, onde entregou uma petição pedindo a melhoria de vários direitos dos funcionários do sector do jogo: “proibição de cigarros electrónicos”, “garantia de 14 meses de salário” e “travão aos despedimentos sem justa causa”. As reivindicações foram inscritas em placards que, nalguns casos, tinham o formato de fichas de jogo.

Lei Man Chao, subdirector da associação, indicou à TRIBUNA DE MACAU que, pelas suas contas, participaram 800 manifestantes que apelaram à igualdade de direitos entre trabalhadores do jogo e funcionários públicos.

Apesar da associação ter entregue há algumas semanas uma petição às seis operadoras, pedindo a uniformização dos direitos dos funcionários de casinos diferentes, Lei Man Chao disse que até agora ainda não recebeu nenhuma reacção, nem acha que as empresas irão marcar um encontro com a associação. A Sociedade de Jogos de Macau continua a ser a única a garantir 14 meses de ordenado este ano.

Em relação aos despedimentos sem justa causa, Lei afirmou que a associação não recebeu novas queixas, mas apontou que os 20 empregados envolvidos nessa situação não conseguiram voltar a trabalhar, tendo recebendo apenas compensações monetárias.

O percurso da associação de Cloee Chao foi acompanhado por Au Kam San. Em declarações a este jornal, destacou que, como deputado, costuma assistir ou participar em acções sociais para auscultar preocupações da sociedade, podendo também desempenhar o papel de mediador em eventuais conflitos.

Para Au, os pedidos destes trabalhadores são razoáveis e devem ser ouvidos, tanto por deputados como pelo Executivo.

 

Pena judicial não implica desistência

No Dia do Trabalhador, o primeiro a manifestar-se foi Hoi Weng Chong, que logo a meio da manhã, já se fazia ouvir junto às Portas do Cerco.

À TRIBUNA DE MACAU, recordou que normalmente já se manifesta, mas desta vez insurgiu-se contra a decisão do Tribunal Judicial de Base que o condenou a pagar 6.000 patacas por uma reunião ilegal. Garantindo já ter apresentado recurso na Segunda Instância, Hoi espera agora que lhe seja “devolvida a justiça”.

Há 14 anos que o idoso costuma vestir papéis coloridos e usar um autofalante para chamar a atenção para os seus problemas nas Portas do Certo e no Largo do Senado, sendo que as próprias roupas foram mudando. “No início, usava roupa vermelha para mostrar rancor. Mais tarde, como consegui vencer nos tribunais contra companhias de seguros, mudei para o amarelo, o que significa que a situação está mais calma. Recentemente, tive de reduzir o peso da roupa porque estou doente”, afirmou.

Já a Associação para a Reunião Familiar optou pela estratégia usual de “assentamento”: cerca de 40 idosos sentarem-se debaixo de uma tenda azul no Largo do Senado, para voltar a pedir a reunião com os filhos maiores.

Para além dos manifestantes registados pelas autoridades, surgiram ainda dois grupos não identificados para entregar petições ao Governo. Um grupo acusou uma construtora de ocupar ilegalmente um terreno na Avenida do Almirante Lacerda e o outro apontou o dedo aos deputados, por violações à Lei Básica e alegado encobrimento de actos criminosos.