Simon Chan garante estar atento às tendências globais sobre a resposta a situações de atrasos nos voos
Simon Chan garante estar atento às tendências globais sobre a resposta a situações de atrasos nos voos

O Governo ponderou legislar os atrasos aéreos, porém, a ideia embateu no “muro” das companhias aéreas, que se mostraram contra, especialmente as de baixo custo, revelou o presidente da Autoridade de Aviação Civil. Representantes do organismo explicaram a situação dos constantes atrasos no aeroporto e asseguraram ter apresentado às transportadoras algumas exigências sobre o tratamento dos passageiros nessas situações

 

Liane Ferreira

 

Os atrasos nos voos estiveram ontem em destaque no programa matutino da “Ou Mun Tin Toi”, que contou com a presença de representantes da Autoridade de Aviação Civil de Macau (AACM). Simon Chan, presidente do organismo, adiantou que as autoridades planearam legislar a questão dos atrasos aéreos, com o intuito de definir um período de tempo para as companhias tratarem dos procedimentos subsequentes, nomeadamente na assistência aos passageiros.

No entanto, essa intenção motivou uma grande reacção das transportadoras em sentido contrário, especialmente das companhias de baixo custo, porque os produtos que oferecem não englobam essa vertente, sobretudo no que respeita a potenciais indemnizações.

Considerando que um diploma deste género teria algum impacto no desenvolvimento do sector, Simon Chan frisou que o assunto também tem sido debatido a nível internacional, pelo que o território vai estar atento às tendências globais.

Por sua vez, o director do departamento de licenças da AACM explicou aos ouvintes que os atrasos nos voos têm motivos complexos, podendo variar entre condições climatéricas ou demoras nos controlos alfandegários dos passageiros. Noutros casos também são os próprios viajantes que se atrasam quando estão às compras ou a almoçar, referiu.

No caso dos voos para Xangai e Xiamen, frequentemente alvo de atrasos, Pun Wa Kin sublinhou que tal se deve ao congestionamento das pistas. Para além disso, caso um passageiro perca o avião, este não pode levantar voo, porque ainda será necessário retirar a bagagem da pessoa em causa.

Referindo-se ao plano de reacção para atrasos e cancelamentos de voos, Simon Chan afirmou que a Autoridade exige às transportadoras o destacamento de pessoal para tratar da situação, providenciar estadia ou organizar a transferência de passageiros para outras companhias.

Lembrando o caso da Mega Maldivas, o presidente da AACM confirmou que o organismo recebeu o relatório da companhia de charters, no qual é referido que o atraso se deveu a problemas no avião, tendo sido necessário algum tempo para encontrar as peças e o apoio técnico adequado, pelo que não foi possível anunciar o horário de partida do voo. No entanto, a empresa frisou ter fornecido apoio, estadia cinco estrelas e compensação aos passageiros.

Relativamente à expiração dos direitos exclusivos da Air Macau dentro de quatro anos, Simon Chan indicou que ainda é cedo para dizer se o mercado será ou não aberto, porém, assumiu que para já não existe essa intenção. Para tal acontecer, destacou ser necessário investimento de risco, qualidade de serviço e concorrência no mercado.

 

Reordenamento do aeroporto

Muitos ouvintes queixaram-se da pequena dimensão do aeroporto, defendendo o aumento da capacidade para aeronaves de grande porte. Em resposta, Simon Chan disse que, de facto, as pistas e lugares de parqueamento não têm dimensão suficiente para aviões de grande porte, como o A380. Para que isso fosse possível, seria necessária uma grande reforma na infra-estrutura, explicou.

O líder da AACM disse ainda que está a ser implementado um plano para aumentar os lugares de estacionamento dos aviões, que na sua grande maioria são de fuselagem estreita. Além disso, indicou que o aeroporto tem 24 lugares para aeronaves de fuselagem larga.

Segundo Simon Chan, desde 2011 o número de voos tem vindo a crescer, passando de 29 para 45, dos quais 25 envolvem ligações entre o Estreito de Taiwan e outros 20 para cidades na Ásia e Sudoeste Asiático, totalizando mais de 1.200 voos semanais de 30 companhias.

Salientando que a cooperação regional é fundamental para o desenvolvimento aeronáutico de Macau, o presidente da AACM frisou que a abertura por 24 horas de um dos postos fronteiriços aumentou a fonte de turistas das regiões vizinhas, importando por isso melhorar os transportes e tráfego local para poder acomodar os passageiros em trânsito.