Mais de 1.630 pessoas já assinaram uma petição, pedindo ao Executivo que tome uma posição sobre a destruição ambiental causada pelo plástico. Apelando à proibição dos sacos, plásticos descartáveis e embalagens desnecessárias nos supermercados, os promotores afirmam que caso não seja possível, o Governo deve pelo menos taxar esses materiais. À TRIBUNA DE MACAU, Annie Lao frisa que a abordagem do Governo ao problema é errada e os cidadãos estão cansados de não ter alternativas senão poluir

Liane Ferreira

Desde quinta-feira, que está online a “Petição sobre o Desperdício de Plástico e Poluição em Macau”, destinada ao Secretário para os Transportes e Obras Públicas e ao director dos Serviços de Protecção Ambiental. “Começamos esta petição, porque estamos cansados de que Macau seja uma cidade com tanto plástico”, começa por explicar a promotora Annie Lao à TRIBUNA DE MACAU.

“Vamos ao supermercado dão os sacos de graça, tudo o que fazemos na cidade tem plástico, são as palinhas, a fruta e os vegetais embalados. De cada vez que saímos, acabamos por trazer muito lixo para casa, estamos cansados disto, mas não temos outra opção”, referiu.

Salientando que cidades vizinhas como Hong Kong e Taiwan já promovem medidas para a proibição e redução do plástico, Annie Lao considera que ao olhar para o Governo local, os cidadãos “ficam muito desapontados”. Esta situação juntamente com a falta de escolhas e o desejo de consciencializar a população sobre a poluição motivou a petição.

“Saiu o relatório do ambiente e ficamos chocados, é a cidade com mais resíduos na região. Macau é tão pequeno, o Governo tão rico, mas não investe na redução do lixo. Os programas de reciclagem não são suficientes, porque a solução não é a reciclagem, mas sim reduzir o lixo na origem”, salientou.

Para a activista, “o Executivo está a abordar a gestão dos resíduos da maneira errada, porque desde 2008 que vêm a aumentar, sem sinal de diminuírem. O Governo tem de se questionar sobre isso”. “A reciclagem e a incineradora estão a ajudar? É necessária a quantidade chocante de resíduos alimentares produzidos pelas operadoras?”, perguntou.

“Quero que o Governo incentive a pessoas e os negócios locais a banir o plástico descartável. As pessoas têm de ter o hábito de investir em materiais reutilizáveis, em coisas que se podem decompor e ser biodegradáveis”, afirmou, notando que a maioria do plástico nem está a ser reciclado e traz muitos problemas de saúde e aos ecossistemas.

Ao início da noite de ontem, a petição já contava com mais de 1.630 assinaturas, o que para a promotora mostra que muitas pessoas estão preocupadas com o problema e o “Governo deve pensar sobre o que é melhor fazer a seguir”.

“Por favor ouçam as nossas preocupações, precisamos de alternativas para sermos “zero resíduos” e livres de plástico nos supermercados. O Executivo não faz o suficiente para resolver o problema, as pessoas precisam de tomar atenção a isto”, concluiu a activista.

Dados do relatório do Estado do Ambiente de Macau 2017 mostram que, por média cada residente produziu 2,16 quilos de resíduos sólidos por dia, mais 2,9% em relação ao ano passado, um valor mais elevado do que em outras cidades, como Singapura, Hong Kong, Pequim ou Xangai.

Com base nestes dados, lançam um apelo ao Executivo para “agir de imediato, para proibir os sacos de plástico, o plástico descartável e as embalagens desnecessárias de produtos nos supermercados, incluindo dos frutos e legumes”. “Ou que, pelo menos, seja implementada uma taxa ou que esse tipo de plásticos passe a ser cobrado, como forma de dissuadir as pessoas de os usarem, levando-as a procurar alternativas mais amigas do ambiente”, lê-se no texto da petição.

“O Governo também deve impor regras rigorosas e multas para o uso de plástico descartável. É importante que as empresas, os restaurantes, os cafés, as lojas e os supermercados assumam a responsabilidade social que têm. Reciclagem e incineração não são a solução. O caminho tem de ser feito no sentido de uma redução do desperdício”.

Assim, é pedida uma perspectiva de longo prazo em relação ao investimento na protecção ambiental que contribui para a saúde de quem vive na cidade e reduz os custos com a gestão do lixo e por sua vez, diminui a despesa com a saúde e com os problemas ambientais, relacionados com o plástico e a poluição do ar.