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O campeonato começa na próxima semana e o Ka I apresenta-se como o principal candidato, porque ganhou no ano passado. O treinador Chan Man Kin conta com alguns reforços, entre os quais Ricardo Torrão

 

Vítor Rebelo

 

Este talvez seja um dos anos em que o campeonato de futebol de sete, popularmente designado de “bolinha”, se apresenta com maior dose de expectativa, dado o equilíbrio que poderá existir entre as 16 equipas participantes.

Trata-se de uma competição já com história no futebol de Macau e de enorme popularidade, que começou por ser disputada em campo pelado, junto do “velho” Hotel Lisboa, tendo depois passado para o Campo do Colégio D. Bosco, inicialmente também sem relva e já há uns anos dispondo de um relvado sintético.

É esta “bolinha” que, estranhamente, tem mais gente nas bancadas do que a esmagadora maioria dos jogos do futebol de onze (“bolão”), talvez porque o recinto é em plena cidade de Macau, com bancadas muito perto do rectângulo de jogo e proporciona um futebol rápido, sem grandes tácticas.

A edição de 2014 pode de facto ser uma das melhores dos últimos anos, com praticamente todas as equipas (e os seus patrões…) a apostarem em plantéis de qualidade, tentando chegar para já às meias finais.

 

Mudam os regulamentos

E essa é também uma das novidades da edição que arranca na próxima terça-feira, a possibilidade de duas equipas de cada série poderem qualificar-se para a fase seguinte, quando há vários anos que os dirigentes da Associação de Futebol de Macau “teimavam” em impor a regra de haver apenas uma final, com os vencedores de cada um dos dois grupos.

Assim, poderá haver uma maior competitividade e mais hipóteses para os clubes inscritos no escalão principal do campeonato da “bolinha”.

Já aqui falámos anteriormente de algumas das formações que irão participar e, com a aproximação do início da temporada, há uma equipa que se apresenta com ambições de renovação do título.

O Ka I ganhou em 2013, numa final diante do Meng Ian Club (de Plíneo Sousa), conseguindo marcar na segunda parte quatro golos sem resposta, depois de um nulo ao intervalo.

 

Na luta pelo título

A formação “encarnada” era o ano passado orientada pelo brasileiro Josecler e fez uma excelente temporada ao longo da fase de grupos, apenas com um empate contra o Lam Pak.

O Ka I está diferente, como já esteve no “bolão”, treinado por Chan Man Kin, mas há jogadores que se mantêm no plantel, como é o caso de Bruno Figueiredo.

“Fomos campeões o ano passado na ‘bolinha’ e este ano, como detentores do título, vamos lutar para ganhar de novo. Esquecer o que aconteceu no ‘bolão’ e agora é outro campeonato, outro tipo de futebol. Campo mais pequeno, então é só tentar ir buscar o título de novo”, palavras do médio brasileiro, que parece estar “de pedra e cal” no futebol de Macau, depois de se ter estreado no território com a camisola do Monte Carlo no futebol de onze.

O Ka I não conseguiu melhor do que o quarto lugar na Liga de Elite, não tendo ganho um único desafio aos seus mais directos rivais, Benfica, Sporting ou Monte Carlo.

 

Grupo mais compacto

Juntamente com o brasileiro fica no plantel o sul-africano Samuel Ramoseau, para além de alguns elementos de etnia chinesa, como o guarda-redes, um defesa central e dois laterais.

De resto, no lote de reforços de peso, aqueles que certamente podem fazer a diferença, as novidades são Ricardo Torrão, irmão do benfiquista Nicholas, Wamba, ex-Sporting e Diego, ex-Chau Pak Kei, mas que já em 2013 vestiu a camisola do Ka I na “bolinha”.

“Há de facto mudanças para este ano, tendo saído vários jogadores que tinham vindo do Lam Pak e que voltaram agora ao clube para disputarem este campeonato. Mas na ‘bolinha’ só jogam seis na linha e um no golo, então não é preciso ter um plantel de 25 jogadores para alinharem só sete. É melhor que o grupo seja mais compacto e todo o mundo focado no que o treinador nos vai pedir”, salientou Bruno Figueiredo, que reconhece que a final do ano passado, apesar do triunfo por 4-0, “foi bem difícil, porque só na segunda parte conseguimos marcar, com o adversário a abrir um pouco mais o seu jogo.”

 

Regresso de Torrão

O sul-americano terá desta feita a seu lado o português Ricardo Torrão, que regressa ao território depois de ter concluído o seu curso na África do Sul e de lá ter actuado por uma equipa da III Divisão.

“É bom regressar a Macau, é sempre a cidade do meu coração. É um regresso por motivos profissionais, mas claro continuo a jogar futebol, continuo a divertir-me aqui no campeonato em Macau. Não é tão exigente como as experiências que eu tive anteriormente, mas é sempre bom regressar para jogar no Ka I onde sempre joguei e também na selecção.”

Ricardo, recorde-se, chegou a assinar um contrato com um clube da III Divisão da Alemanha, mas as condições oferecidas ficaram aquém do que o jogador esperava e por isso decidiu viajar para a África do Sul, onde residem os seus pais.

“Tenho agora um contrato bastante longo com uma empresa (Red Bull) e portanto é para ficar. Para já vou jogar na ‘bolinha’ e por aquilo que tenho visto o Ka I tem uma boa equipa, com características de boa posse de bola, jogadores muito bons tecnicamente. A equipa é muito compacta, forte e com grande união, o que é importante. Eu sempre gostei de jogar na ‘bolinha’, há mais gente nas bancadas”, concluiu Ricardo Torrão, que há dois anos foi com o FC Porto à final, tendo perdido apenas nos penáltis.

 

Reforço de continuidade

Outro dos reforços, em relação ao “bolão”, é o brasileiro Diego Patriota, mas trata-se efectivamente de uma continuidade na equipa da “bolinha”, ele que ajudou a conquistar o título em 2013.

“Entramos para discutir novamente o título, mas o certo é que o Ka I entra sempre para ganhar. Esperamos poder repetir o bom trabalho feito no ano passado, formar uma equipa homogénea, para que possamos lutar pelo bi-campeonato”, disse ao JTM, Diego Patriota, que considera que vai haver muito equilíbrio:

“Penso que este ano a ‘bolinha’ está mais nivelada. Há mais distribuição de jogadores pelas equipas e os candidatos são vários. Há os exemplos do Monte Carlo, com todos os brasileiros, o Meng Ian Clube que foi para a final do ano passado connosco e que se vai novamente reforçar. Várias equipas estão a investir bastante.”

O brasileiro não hesitou no convite formulado pelo Ka I… “O Chau Pak Kei, onde eu joguei no futebol de onze, não tem ambições de subida na ‘bolinha’ da II Divisão e por isso o patrão falou comigo e eu escolhi outra equipa. Estou de volta ao Ka I”.

A “bolinha” está à porta, com o primeiro desafio a colocar frente-a-frente Sporting e Taxi Chi Iao (terça-feira), enquanto que o Ka I actua na quinta-feira face aos Sub-23.