Uma das responsáveis pela venda das fracções do complexo “Pearl Horizon” admitiu em tribunal que a equipa que coordena só informava os potenciais compradores do iminente fim do prazo de concessão do terreno onde estava a ser construído o complexo se alguém perguntasse. A juíza decidiu pedir esclarecimentos à DSSOPT sobre os motivos do atraso do projecto
Viviana Chan
O Tribunal Judicial de Base (TJB) realizou na sexta-feira a segunda sessão do julgamento em que Lei Kong, colunista e editor chefe, e Chou Chong Peng, director do jornal “Son Pou”, são acusados de difamação pelo grupo Polytec, que entende que a sua reputação foi manchada por vários artigos divulgados por aquela publicação em língua chinesa.
Chamada a depor, uma responsável pelo “marketing” da “Polytec” admitiu que, na comunicação com os compradores, nunca houve avisos voluntários sobre a aproximação da data da caducidade do prazo de aproveitamento do terreno onde estava a ser construído o empreendimento. “Se o cliente não perguntar, não informamos”, confessou Chio.
No entanto, Chio destacou que “muitos clientes chegaram a fazer perguntas depois de lerem o artigo”.
Numa série de notícias publicadas sobre o caso, Lei Kong apontou o dedo ao que classificou como contrato “abusivo” de venda das fracções, bem como às sucessivas alterações do projecto de arquitectura. No entanto, Chio acredita que estas acusações não são verdadeiras e vieram colocar “grande pressão” sobre os trabalhadores da linha da frente.
“Alguns compradores sentiram-se enganados e os nossos colegas trabalharam muito para esclarecer a situação”, disse a responsável, referindo que a imagem da empresa foi muito prejudicada pela publicação dos artigos.
Outras testemunhas abonatórias da Polytec insistiram que as acusações do cronista são falsas e a juíza acabou por pedir esclarecimentos à Direcção dos Serviços dos Solos, Obras Públicas e Transportes (DSSOPT) sobre os detalhes do projecto do “Pearl Horizon” incluindo os motivos que levaram a que o empreendimento habitacional não tivesse sido concluído até ao final de 2015. Embora o caso em julgamento no TJB não esteja directamente relacionado com a caducidade da concessão do terreno chegaram a ser levantados diversos motivos durante a sessão.
No final da sessão de julgamento, Leonel Alves acusou o Executivo de ser um “árbitro” que termina o jogo a meio. “A Polytec teve a licença para fazer as obras de fundação, isto quer dizer que teve tempo para completar a primeira parte e, depois, o árbitro diz que já não há segunda parte e terminou a partida”. “O Governo permitiu jogar uma partida de 90 minutos. Na primeira parte deu autorização para jogar, investir nesse jogo, e, na segunda parte, disse que já não há”, lamentou o advogado da Polytec.
A próxima audiência está marcada para 16 de Novembro no TJB.



