A PJ deteve um adolescente de 18 anos por tráfico de cocaína, acabando por descobrir que dois amigos, de 19 e 20 anos, em prisão preventiva, geriam o negócio a partir da prisão. No estabelecimento prisional foram encontrados quatro telemóveis usados para dirigir os “trabalhos”. Wong Sio Chak já instruiu os Serviços Correccionais para reverem as medidas de inspecção do pessoal que se movimenta nas zonas prisionais

 

Liane Ferreira

 

Nem a prisão desmantelou um trio de jovens que operava uma rede de tráfico de droga. Com dois presos em Coloane e o outro à solta, o negócio continuava em operação a partir do interior do Estabelecimento Prisional, em Coloane.

O caso foi descoberto pela Polícia Judiciária (PJ), que na quinta-feira deteve um jovem de 18 anos no Terminal Marítimo do Porto Exterior com 100 sacos de cocaína (24,8 gramas), no valor de 82.000 patacas no mercado negro.

De acordo com o “Ou Mun”, o detido esteve envolvido com dois jovens, de 19 e 20 anos, num caso de tráfico de estupefacientes de 2017, mas estava a aguardar julgamento em liberdade, ao contrário dos outros que ficaram sujeitos a prisão preventiva.

A investigação policial chegou à conclusão que havia uma ligação à prisão, onde os dois amigos usavam quatro telemóveis contrabandeados para gerir o tráfico de drogas com o cúmplice e fornecedores no exterior.

A PJ e os Serviços Correccionais (DSC) fizeram inspecções na prisão e encontraram os telemóveis, cartões SIM e carregadores, bem como uma raquete de ténis de mesa alterada, que terá sido usada para contrabandear os telemóveis. Um deles estava escondido numa cama e os outros num caixote do lixo de grande dimensão nos armazéns da prisão.

O Gabinete do Secretário para a Segurança afirmou que dá grande atenção ao caso, tendo instruído a DSC para colaborar com a Polícia no sentido de averiguar “com profundidade a origem e os motivos pelos quais o telemóvel foi ilegalmente transportado para o EPC”.

Wong Sio Chak ordenou uma revisão das medidas de inspecção e detecção aplicadas ao pessoal que se movimenta nas zonas prisionais, exigindo que sejam colmatadas lacunas nos procedimentos, fiscalização e controlo exercidos sobre os reclusos, reforçando o controlo de segurança das áreas celulares.

“Caso se verifique o envolvimento do pessoal da DSC no caso (…), o mesmo será objecto de tratamento sério, não se excluindo entretanto a instauração do procedimento criminal nos termos da lei”, refere o comunicado.

A DSC garante ter instaurado um inquérito interno, a fim de descobrir como os telemóveis entraram na prisão. “Caso envolva qualquer infracção ou ilicitude, por parte dos trabalhadores, a Direcção irá repreendê-los severamente conforme a Lei, não tolerando a existência de qualquer ovelha negra”, assegura a DSC.

O organismo acrescentou que, além da revisão da gestão de segurança exigida por Wong Sio Chak, também vai “intensificar continuadamente a educação de integridade e trabalhos de prevenção do pessoal”. Além disso, será introduzido um sistema para bloqueamento do sinal de telemóvel.