A proposta da Lei de Cibersegurança poderá contribuir para que o Governo reforce o controlo sobre a imprensa local, alertou a Associação dos Jornalistas de Macau, frisando que a auto-censura nos media é um problema cada vez mais grave

 

A proposta da Lei de Cibersegurança e o regime relativo à intercepção e protecção das comunicações estão a preocupar a Associação dos Jornalistas de Macau. Num relatório elaborado pela sua oitava direcção, a associação sublinha que esses diplomas poderão vir a permitir uma maior supervisão e controlo por parte do Governo sobre os media e a internet, ameaçando assim a liberdade de imprensa e informação.

À margem da eleição da nona direcção da associação, Ma Weng Fei, que cessou ontem funções de director, destacou que “o fenómeno da intervenção do poder político na operação independente dos media tem vindo a ser cada vez mais evidente nos últimos anos”. Assim, segundo frisou, os profissionais da imprensa devem estar vigilantes e não devem esquecer o “espírito da independência”, uma vez que “a situação da auto-censura nos media locais está cada vez mais grave”.

No mesmo documento, a associação sustenta que essa situação é algo que se sente permanentemente. “As mãos visíveis e invisíveis estão em todo o lado, fazendo com que os profissionais da imprensa enfrentem desafios sem precedentes e elevadas pressões”, criticou.

Na cerimónia de tomada de posse, a nova directora da associação destacou que esta é composta por jornalistas e editores da linha da frente, tanto da imprensa tradicional como online. Cheang Ut Meng mostrou-se convicta de que a nova direcção conseguirá resolver, de uma forma mais ampla, os problemas que os jornalistas enfrentam.

De recordar que a mesma associação manifestou a sua indignação em relação à questão da censura quando, logo após a passagem do tufão “Hato”, a 23 de Agosto, pelo menos cinco profissionais dos media locais terão recebido ordens superiores para apenas dar notícias positivas e reduzir o volume de artigos em que o Governo era responsabilizado.

 

R.C.