A partir de Outubro, altura em que haverá eleições para os órgãos sociais do Instituto Internacional, a liderança da instituição deverá passar a ser ocupada pelo até agora secretário-geral, António Monteiro. A substituição surge na sequência da intenção de Jorge Rangel em deixar o cargo, decisão transmitida aos restantes membros na última assembleia-geral. O actual presidente, que permaneceu no cargo desde a fundação do IIM, em 1999, revelou ao Jornal TRIBUNA DE MACAU que considera a passagem de testemunho “imediatamente exequível e correcta”. António Monteiro, por seu turno, diz aceitar o “desafio”, confirmando que está já a ser elaborada uma lista, por si liderada, para apresentar no acto eleitoral
VÍTOR REBELO
António Monteiro deverá ser o próximo presidente do Instituto Internacional de Macau (IIM), segundo adiantou ao Jornal TRIBUNA DE MACAU o actual líder da instituição. Jorge Rangel transmitiu aos restantes membros do IIM, na última assembleia-geral, a sua intenção de deixar o cargo.
Durante a reunião, foi aprovada uma proposta, apresentada pela direcção do instituto, de alteração estatutária, que consiste na eliminação de uma cláusula que obriga o órgão executivo a incluir sempre pelo menos dois membros fundadores.
Nesse sentido, Jorge Rangel adiantou que a próxima eleição dos titulares dos órgãos sociais pode ser marcada para Outubro sem essa limitação, a qual, disse, “não tem justificação tantos anos volvidos”.
Na sequência desta decisão, que mereceu o voto unânime dos participantes na assembleia, Jorge Rangel confirmou o propósito de deixar a presidência. “Irei patrocinar uma lista liderada por António Monteiro, porque considero que a passagem do testemunho é imediatamente exequível e correcta”, sustenta.
Face a estes desenvolvimentos, António Monteiro deverá, assim, ser o próximo presidente da instituição de matriz portuguesa. “Apesar de não estar nada definido, porque depende ainda das eleições a serem feitas, provavelmente em Outubro deste ano, confirmo o desafio de vir a ser presidente e a preparação de uma lista para ser proposta”, afirmou ao JTM.
Essa lista, acrescenta, “está a ser sintonizada com o actual presidente do IIM, pois tenho intenção e desejo que ele ainda faça parte dela, para uma passagem gradual e tendo em conta a história e realizações do próprio Instituto até agora”. No entanto, ressalva, “a decisão final de Jorge Rangel vir a fazer parte é totalmente dele”.
Sobre a futura estrutura do IIM, António Monteiro referiu que “eventualmente poderá sofrer alterações, estando a ser estudada a necessidade de manter ou não o cargo de secretário-geral, uma vez que é apenas uma posição interna”.
Natural de Macau, António Monteiro entrou como funcionário do IIM em 2015, quando Rufino Ramos era o secretário-geral, desempenhando as funções de coordenador de Comunicação e Marketing. A partir de 2023, foi nomeado secretário-geral da instituição fundada em Junho de 1999.
O previsível próximo presidente do IIM é licenciado em Ciências da Comunicação e da Cultura, com pós-graduação em turismo pela Universidade Lusófona de Humanidades e Tecnologias, em Lisboa. Regressou a Macau em 2006 e iniciou a sua carreira na administração da RAEM, nos departamentos de turismo e de assuntos cívicos e municipais.
Mais tarde, o membro do IIM, que actualmente é também presidente da Associação dos Jovens Macaenses, expandiu-se para as empresas privadas da indústria do jogo e de hotelaria de Macau durante mais de cinco anos.
A sua função no Instituto, como secretário-geral, tem sido direccionada principalmente para a preservação de publicações culturais/históricas sobre Macau e a sua identidade. É também membro do conselho consultivo da RAEM (assuntos cívicos e do património cultural).
O IIM tem neste momento como vice-presidente Álvaro Augusto da Rosa, professor universitário macaense residente em Lisboa. António Monteiro ocupa um dos três lugares de vogal nos órgãos sociais da organização não-governamental de utilidade pública, para além de ser o secretário-geral.
Fazem ainda parte da Direcção João Manuel de Almeida Ribeiro (vogal), juiz jubilado, e Hugo Gaspar (vogal), técnico superior administrativo. Na mesa da Assembleia-Geral estão Maria Edith da Silva, Rufino Ramos e Luiz Amado de Viseu, e no Conselho Fiscal Rui Martins, vice-reitor da Universidade de Macau, Manuel Silvério e José Basto da Silva.
Ainda a propósito da assembleia-geral ordinária anual do IIM, a sessão aprovou, por unanimidade e aclamação, o relatório e contas do exercício de 2025, bem como as linhas de acção para os próximos anos.
Neste campo, Jorge Rangel sublinha que será dada prioridade ao funcionamento pleno da instituição como centro de estudos e investigação académica, às edições, “área de reconhecido sucesso pela qualidade e persistência da produção editorial conseguida, não obstante os apoios agora muito mais limitados”.
Além disso, o foco será no “reforço da cooperação académica e cultural com outras instituições, locais e do exterior, e ao funcionamento da sua biblioteca”, agora em fase de completa remodelação, passando a estar aberta também aos sábados, a investigadores, professores, estudantes e ao público em geral.
Foi igualmente aproveitada a oportunidade para se fazer uma “reflexão útil sobre o papel da sociedade civil” e, neste contexto, “o papel do IIM na construção do futuro da RAEM, quase três décadas após a transição político-administrativa operada em Dezembro de 1999”, mencionou.
Jorge Rangel, de 82 anos, está no cargo há 27. Além de ter sido Secretário-Adjunto da administração de Macau, durante 13 anos, com a tutela da Educação, Cultura e Turismo (de 1981 a 1986), durante o mandato do Governador Almeida e Costa, e da Administração Pública, Educação, Juventude e Desporto (1991 a 1999), na administração de Rocha Vieira, exerceu múltiplas funções, entre as quais deputado independente eleito da primeira legislatura da Assembleia Legislativa, entre 1976 e 1980, e foi membro da Comissão de Redacção da Lei Básica da RAEM.
O actual presidente do IIM, formado em Educação, Comunicação e Letras, é habitual orador em conferências académicas internacionais.
A instituição sem fins lucrativos foi criada com o objectivo de preservar, promover e dar continuidade à identidade e ao património cultural singular de Macau, sendo a salvaguarda da herança multicultural resultante de séculos de intercâmbio entre as civilizações europeia e chinesa os pilares da sua actuação ao longo destes anos como entidade privada.
O IIM fomenta a publicação de livros, organização de colóquios, exposições e a valorização da memória macaense, assim como apoia projectos voltados para a história e a cultura local, além da difusão de conteúdos digitais, e disponibiliza serviços às comunidades da diáspora espalhada pelos cinco continentes e aos países e instituições do universo lusófono.



