Jorge Morbey vai apresentar amanhã o livro que escreveu sobre o ataque de um submarino alemão no Porto Grande de São Vicente, em Cabo Verde. Recorrendo ao modo como os cabo-verdianos guardam o seu imaginário colectivo, o autor enquadra o fenómeno na crise alimentícia de 1916 e 1918
A Fundação Rui Cunha será palco amanhã, pelas 18:30, da apresentação da obra “O ataque de um submarino alemão no Porto Grande de S. Vicente durante a I Grande Guerra (1914-18)”, da autoria de Jorge Morbey.
Editada pela “Livros do Oriente”, a obra conta, em crioulo de São Vicente e em português, um episódio com conflito mundial ocorrido em Cabo Verde, cujo relato simples se esgota numa notícia de jornal com apenas meia dúzia de linhas. Passado um século sobre o evento em que foram torpedeados dois cargueiros de nacionalidade brasileira, a 2 de Novembro de 1917, na baía do Porto Grande da Ilha de S. Vicente, a acção bélica persiste na memória colectiva do povo da Ilha como um acto humanitário nascido do envolvimento amoroso do comandante de um submarino alemão com uma linda jovem cabo-verdiana, uma relação que acabou por salvar o povo daquela ilha de morrer à fome.
Cruzando fontes brasileiras, alemãs, portuguesas e cabo-verdianas, Jorge Morbey não encontrou qualquer outro suporte que justificasse o ataque do submarino alemão aos dois vapores brasileiros nos mares de Cabo Verde, além dos fornecidos pela aritmética básica da guerra submarina que se media pela soma da tonelagem de navios afundada ao inimigo.
Recorrendo ao modo como os cabo-verdianos guardam o seu imaginário, o autor promete abrir uma óptica de análise que enquadra o fenómeno de conversão de um acto de morte e destruição em lenda de amor e fraternidade durante a crise alimentícia entre 1916-1918 à luz dos estudos sobre os efeitos psicológicos e fisiológicos da fome, realizados desde os finais da Segunda Grande Guerra, nos Estados Unidos.
A cerimónia de lançamento da obra conta também com a participação da Associação Amizade Macau-Cabo Verde.



