O cardeal John Tong destacou, em Fátima, que “os numerosos santuários marianos na China ajudam a relembrar constantemente ao povo” a protecção da Virgem

 

Na “História da Igreja na China registam-se várias intervenções de Nossa Senhora. Por exemplo, em 1900, durante a perseguição dos Boxers, ocorreram duas aparições, uma em Pequim, onde a Virgem Maria apareceu acompanhada do arcanjo São Miguel e rodeada por uma multidão de anjos”, referiu o cardeal na homilia que escreveu, mas lida pelo reitor do santuário, padre Carlos Cabecinhas, na missa que encerrou o primeiro dia da peregrinação internacional aniversária ao Santuário de Fátima.

Concelebrada por 147 sacerdotes e 13 bispos, na eucaristia, após a procissão das velas, a que assistiram o Presidente português, Marcelo Rebelo de Sousa, e a chefe de Estado da Croácia, Kolinda Grabar-Kitarovic, o prelado apontou que “a segunda aparição ocorreu na cidade de Donglu, perto de Baoding, na província de Hebei, onde Maria apareceu no céu e, escutando as súplicas do povo, preservou a cidade da destruição”. “Uma aparição mais recente, pouco depois da perseguição da Revolução Cultural, ocorreu na Basílica de Sheshan, próximo de Xangai, quando, na primavera de 1980, os pescadores católicos lá voltaram encontraram as portas fechadas”, continuou, para acrescentar: “Forçando-as, entraram e ajoelharam-se na igreja vazia, enquanto rezavam e cantavam durante longas horas, Nossa Senhora apareceu diante deles”.

Em conferência de imprensa, John Tong disse, por outro lado, acreditar que “ainda este ano poderão ser anunciadas boas notícias” ao nível do relacionamento entre Pequim e a Santa Sé. Segundo indicou, há várias questões nas negociações, sendo que a nomeação dos bispos locais é um dos pontos mais importantes. Ainda assim, recordou que “a Igreja na China continua a viver actualmente numa situação atípica”, com o Governo a privilegiar a Igreja oficial, a Associação Patriótica, implementando medidas restritivas para a comunidade que segue as orientações do Vaticano.

 

O percurso em Macau e Hong Kong

Ontem, na missa final da peregrinação, a que presidiu, o bispo emérito de Hong Kong pediu aos fiéis para que através do modo de viver e exemplo façam com que Cristo seja visível na sociedade. Apontou o exemplo da Virgem para dizer que Maria ajudará a “levar Cristo ao mundo e o mundo a Cristo”, tornando as pessoas abertas e atentas “às necessidades dos outros” e a partilharem “o tesouro e a alegria” da fé.

Mencionou ainda o seu percurso pessoal, para destacar o impacto que teve “o exemplo dos serviços caritativos dos missionários estrangeiros quando, em criança, vivia em Cantão, logo depois do final da Segunda Guerra Mundial”. “O seu espírito missionário e caritativo suscitou em mim o desejo de os imitar, fizeram nascer em mim a vocação sacerdotal e decidi entrar para o seminário em Macau, pouco antes da minha família se refugiar em Hong Kong”, indicou na homilia.

Segundo dados do Santuário, cerca de 37 mil peregrinos deslocaram-se a pé para Fátima para a peregrinação, superando as expectativas. Anunciaram-se ainda 148 grupos, com um total de nove mil peregrinos de 26 países.

 

Santuário de “olhos postos” na Ásia

O Santuário de Fátima “está de olhos postos na Ásia”, cumprindo este “objectivo do Papa Francisco, que é os cristãos darem cada vez mais uma atenção a este continente onde o cristianismo está a emergir”, afirmou à agência Lusa Carmo Rodeia, directora do gabinete de comunicação do santuário. Carmo Rodeia realçou que “a Ásia, como o Papa diz, é um continente onde a evangelização é primordial”. “O cristianismo na Ásia continua a ser minoritário, mas, apesar disso, é um cristianismo emergente e pujante e, de entre os países asiáticos onde de facto há um crescimento desse cristianismo, é a Coreia do Sul e que coincide com o número de grupos organizados que vem ao santuário”, acrescentou. Carmo Rodeia precisou que entre Janeiro e Maio deste ano o santuário teve “95 peregrinações organizadas de grupos provenientes da Ásia”, incluindo 54 grupos da Coreia do Sul e 19 da Índia. Em 2015, 12 mil asiáticos peregrinaram a Fátima (3.700 sul-coreanos, que aumentou para 5.000 no ano seguinte e 7.000 em 2017).

 

JTM com Lusa