Os casinos de Macau seguem “um caminho de recuperação natural”, e devem ter pela frente mais um ano de crescimento, a manter-se o actual panorama económico na China, o seu principal mercado, consideram analistas contactados pela agência Lusa
Pela primeira vez em três anos, os casinos de Macau conseguiram voltar a virar a agulha para o crescimento, com as receitas brutas a aumentarem 19,1% para 265,7 mil milhões de patacas em 2017, segundo indicam dados da Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos (DICJ). Em Dezembro manteve-se a tendência positiva registada ao longo do ano, com um acréscimo de 14,6% para 22.699 milhões. Dezembro marcou o 17º mês consecutivo de subida das receitas, que cresceram sempre a dois dígitos em termos, à excepção do primeiro mês do ano (+3,1%).
O ciclo negativo foi quebrado em Agosto de 2016, com os primeiros sinais de crescimento, uma tendência que se manteve ininterrupta e que se espera que continue em 2018.
A indústria de jogo de Macau “segue um caminho de recuperação natural depois do forte castigo que lhe foi imposto. O objectivo não era destruir a indústria, mas discipliná-la, se assim se pode dizer”, disse à agência Lusa o economista José Isaac Duarte.
“Os operadores vão procurar consolidar a recuperação iniciada com a prudência que a experiência recente lhes tenha incutido, num ambiente de concorrência acrescida e sob observação política mais próxima”, estimou.
Já o analista Grant Govertsen, da Union Gaming, apontou para uma subida das receitas em 2018 na ordem dos 15%, com base num crescimento de cerca de 20% do mercado VIP (dos grandes apostadores) e 10% ou 11% no mercado de massas.
“O mercado VIP é um negócio gerado pelos ‘junkets’, por isso será uma continuação de um maior número de clientes e de um maior gasto por cliente. E penso que o mercado de massas vai ter uma dinâmica semelhante, embora muito mais impulsionada por clientes com mais qualidade”, afirmou.
Grant Govertsen justificou esta potencial subida no número de clientes: “Parte é atribuível ao aumento das infra-estruturas e ao lado da China na equação, nomeadamente no transporte ferroviário e aéreo, mas também ao marketing genérico feito em nome das empresas dos casinos, por fazerem um muito melhor trabalho do que fizeram nos anos passados”.
“Vai levar muito mais anos até se voltar ao pico de receitas a que assistimos em 2014, contudo, é possível que os casinos regressem a um pico de rentabilidade antes de isso acontecer, provavelmente por volta de 2019”, indicou o analista de jogo, há vários anos radicado em Macau.
Na base das previsões de Govertsen está “um mercado de massas mais forte ao longo dos últimos anos, o qual é um negócio muito mais rentável do que o VIP”.
José Isaac Duarte observou que as preocupações com a competição regional ou com eventuais restrições das autoridades chinesas sobre a saída de fluxos ou o branqueamento de capitais “são uma constante e fazem parte do ambiente operacional dos casinos de Macau, que nalguns casos jogam, por assim dizer, em várias jurisdições”. Assim, estimou que “salvo uma transformação radical das políticas da China, Macau continuará a beneficiar de vantagens exclusivas, de proximidade e suporte político, não reprodutíveis noutras jurisdições”.
Também para Grant Govertsen o factor decisivo “é a economia na China, atendendo ao quão dependente é a indústria do jogo de Macau dos clientes chineses”.
“Penso que é mesmo uma questão económica, mais do que qualquer outra coisa”, concluiu.
JTM com Lusa



