O académico Zeng Zhonglu, do Centro Pedagógico e Científico na Área do Jogo do Instituto Politécnico de Macau, acredita que o território poderá servir de “arma” de combate às medidas que têm sido impostas no contexto da guerra comercial entre a China e os Estados Unidos

 

Viviana Chan

 

Zeng Zhonglu, académico especializado na área do jogo, acredita que a concessão das licenças de jogo pode ser uma “arma” para combater as medidas sancionatórias dos EUA durante a guerra comercial com a China. Se as autoridades chinesas avançarem com medidas semelhantes o território poderá transformar-se numa espécie de “campo de batalha” por ser o destino de investimento de muitas empresas com capitais americanos, observou Zeng Zhonglu, acrescentando que o sector do jogo poderá ser alvo de sanções.

Assim, para o investigador do Centro Pedagógico e Científico na Área do Jogo do Instituto Politécnico de Macau (IPM), a RAEM deve ser usada como uma arma contra as políticas da Administração Trump mas, adverte, é preciso ter muito “cuidado” em relação aos pormenores porque a sociedade poderá sofrer com isso. Embora continue a ser incerto o impacto futuro deste conflito comercial, Zeng Zhonglu acredita ser “viável” utilizar a região já que o “comportamento de Donald Trump para com as empresas chinesas ZTE ou Huawei foi muito injusto, por isso, pode ser uma opção razoável contar com Macau nessa guerra”.

Por outro lado, pelo facto da economia do Interior da China está cada vez menos dependente das exportações, o académico considera que a guerra comercial pode ter um efeito reduzido na medida em que o próprio mercado de abastecimento poderá aliviar o impacto do conflito comercial mesmo que o Governo norte-americano anuncie mais aumentos nas tarifas dos produtos chineses. Numa análise a curto prazo, “não há elevada possibilidade de ter impacto em Macau, porém, o assunto ainda está em desenvolvimento”, comentou.

Para já, Zeng Zhonglu acredita que a RAEM não será muito penalizada se a guerra comercial não provocar um declínio profundo na economia do Interior da China. A disputa comercial entre a China e os Estados Unidos começou a 6 de Julho depois do Governo de Donald Trump ter anunciado aumentos de 25% nos impostos de alguns produtos chineses. Macau tem continuado a registar crescimentos ao nível das receitas dos casinos e do número de visitantes, mas alguns promotores de jogo já deixaram alertas sobre a necessidade de prestar atenção aos desenvolvimentos desta guerra comercial.

 

Pansy Ho destaca “novo ciclo” de desenvolvimento”

Pansy Ho acredita que o período de transformação que engloba a revisão das licenças de jogo – cujos prazos terminam em 2020 e 2022 – é benéfico para Macau e todas as concessionárias. “Temos trabalhado para nos posicionar do ponto de vista colectivo para que Macau também se torne num destino [de preferência] para não-jogadores. Temos investido [MGM China] em novas propriedades e claro que podem questionar o motivo de não termos feito isso mais cedo, mas demorou até termos a capacidade para também mudar a nossa proposta do ponto de vista do resort integrado”, disse à margem de um evento público. Quanto à possibilidade da concessão vir a ser prorrogada (a lei define um máximo de cinco anos), A directora executiva da MGM China Holdings entende que será “mais fácil se todos olharem, em conjunto, para o novo ciclo de desenvolvimento”. Recorde-se que a subconcessão detida pela MGM China foi adquirida à SJM por 200 milhões de dólares americanos, pelo que ambas expiram em 2020.