O atleta da RAEM derrotou por pontos um representante de Hong Kong, num dos principais combates da noite de kickboxing, integrada na quarta edição do Encontro de Mestres de Wushu. A competição fechou com um espectáculo de demonstração de uma modalidade que ganha cada vez mais adeptos no território.

 

O wushu, arte marcial chinesa já com muitos títulos conquistados por selecções de Macau em provas asiáticas e mundiais, voltou a estar em foco durante quatro dias, em mais uma edição do Encontro de Mestres, apenas manchado pelo cancelamento das paradas ao ar livre, agendadas para a Praça do Tap Seac, em virtude das condições meteorológicas, provocadas pela passagem do tufão Whipa.

De resto, o público de Macau teve oportunidade de assistir a vários espectáculos em recinto coberto, em especial uma série de combates de kickboxing e muay thai, assim como os campeonatos de sanda, uma mistura dos dois estilos.

Um dos destaques dos confrontos, que levaram bastante público ao Pavilhão do Tap Seac, foi o “duelo” entre o português residente na RAEM, João Ramos, e o representante de Hong Kong, Wang Tingkai, categoria menos de 66 quilos, integrado nas provas de Cinturão Asiático da Federação Internacional de Kung Fu.

O combate foi equilibrado, mas com João Ramos a amealhar alguns pontos importantes ao longo dos 3 “rounds”, o que lhe valeu o triunfo, muito saudado pelos adeptos locais.

JORNAL TRIBUNA DE MACAU quis saber um pouco mais da “vida de luta” do pugilista nascido em Portugal e a partir dos dois anos de idade a residir em Macau.

Actualmente com 32 anos, João Ramos começou por falar do combate do Encontro dos Mestres, considerando que “este combate não era bem o meu estilo, não estava tão à vontade, uma vez que estou mais ligado ao muay thai, por isso estava um pouco com medo de ser penalizado, já que as regras são impostas antes do confronto e desta feita eram as de kickboxing, o que não permite, por exemplo, dar mais do que duas ou três joelhadas com apoio de uma mão no pescoço do adversário.”

Apesar desta contrariedade, João Ramos conseguiu bater o adversário aos pontos, conquistando então o cinturão ICKF MMA e arrecadando o prémio monetário de 15 mil patacas.

“No final do combate convidaram-me para voltar a defrontar este atleta de Hong Kong, para “revenge” (tentar a vingança…), mas não dei ainda uma resposta”, afirmou João Ramos, que espera que Macau tenha mais praticantes, “para que o futuro fique assegurado.”

 

Gosto pelo desporto

O atleta de muay thai é puramente amador, apenas recebendo prémios pontuais nos combates em que participa, cerca de três por ano, a maior parte dos quais nos espectáculos promovidos em Macau.

O próximo será em Novembro, ainda sem adversário nomeado.

João Ramos, de origem angolana, diz que nunca quis enveredar pelo profissionalismo neste tipo de desporto. “Apenas luto porque gosto desta modalidade, é para mim um hobby, até porque tenho outras actividades na minha vida.”

Foi aos 15 anos que começou a praticar boxe, tendo feito vários estágios na Tailândia, país onde o muay thai tem a sua origem e a maior expressão por todo o mundo, tendo realizado ali alguns combates.

“Durante alguns anos viajei muitas vezes para a Tailândia, para treinar e estagiar, tomando contacto directo com o muay thai, modalidade algo diferente do kickboxing, mais livre, uma vez que podemos utilizar com mais frequência os joelhos.”

João Ramos vai provavelmente retirar-se das competições a sério daqui a um ano.

Quando tem combates agendados, “Black Joe” como é conhecido nos meandros do boxe, treina cinco vezes por semana e nos dois últimos meses tem de ter muito cuidado com o peso.

“Eu sou da categoria de 66 a 70 quilos, portanto tenho de manter esse peso, caso contrário sou penalizado e não posso combater. A alimentação é muito importante e o treino também.”

Ramos, que actua como atleta individual, ainda que realize os seus treinos num clube de Macau designado de WCR Willpower Cultural Recreation, é considerado o melhor executante de muay thai em Macau e esteve prestes a participar no Campeonato da Ásia da modalidade, mas uma lesão impediu-o de se deslocar à Tailândia.

Para além do boxe, João Ramos joga futebol há vários anos, tendo representado clubes como Benfica (onde foi campeão, em 2014), Casa de Portugal, FC Porto, Sporting, e actualmente está no Ching Fung, onde acaba de conquistar o título na Taça, depois de vitória, nas grandes penalidades, sobre o campeão da Liga de Elite, Chao Pak Kei.

 

Mais vitórias de Macau

Voltando a falar do Encontro de Mestres de Wushu, outros atletas de Macau deram também nas vistas, com destaque para os cinco triunfos alcançados no Campeonato de Kickboxing da Grande Baía, por convite.

Duas das vitórias surgiram no sector feminino, uma delas em combate de exibição de muay-thai, com Tam Si Long, 52 quilos, a derrotar a tailandesa Nabtachat Wangpeng.

Lam Chi Ian (53 kg, categoria 15 anos) bateu a também jovem representante de Macau, Lo I lam, e Chan lok Si venceu Yu Cheuk Yiu de Hong Kong, em 50 quilos.

Nos homens, Tong Ieng Seng foi o mais pontuado no confronto com Tan Zhiqiang de Shenzhen, em 57 quilos e Vong Kim Kuong superiorizou-se a mais um pugilista de Shenzhen, Li Junjie, em 60 quilos.

Já no sábado, tempo para os Desafiadores de Sanda, uma arte marcial chinesa de auto-defesa, que mistura o boxe e o kickboxing, modalidade que remonta ao tradicional kung fu e usa técnicas mais modernas.

Em 10 combates realizados, cada um deles sempre com um representante da Coreia do Sul, Macau obteve três títulos: 56 kg – Chan Kin Hou (venceu Kim Yu Jin por 2-1), 62 kg – Kan Kai Wa (bateu Kim Dae Ho por 2-0) e 80 kg – Choi Fei Long (derrotou Jang Sae Young por 2-0.

Para além destas provas de combate, o Encontro de Mestres teve vários aliciantes, entre eles o Campeonato de Danças de Leão e Dragão, Uma Faixa, Uma Rota, que contou com a participação de vários países ou territórios (Macau, Hong Kong, várias regiões da China, Malásia, Singapura, Vietname, Indonésia, Myanmar) e dedicado às especialidades de Dança do Leão do Sul e Dança de Dragão Luminoso.

A equipa de Foshan ganhou a primeira e Malásia a segunda.

O evento da RAEM fechou ontem com a Cerimónia de Encerramento no Pavilhão do Tap Seac, caindo assim o pano do quarto Encontro, que voltou a contar com a presença de alguns dos melhores mestres mundiais de wushu, com quatro dias de espectáculos temáticos, combinando os aspectos culturais e desportivos de um desporto que ganha cada vez maior adesão em Macau.