O novo director da Escola Portuguesa será João Miguel Gonçalves, segundo confirmou ao Jornal TRIBUNA DE MACAU o presidente da Fundação EPM. Responsável pela Direcção-Geral dos Estabelecimentos Escolares em Portugal até final de Junho, órgão, entretanto, extinto pelo ministro Fernando Alexandre, o sucessor de Acácio de Brito chegará a Macau no início da próxima semana. No entanto, só poderá assumir oficialmente a direcção do estabelecimento de ensino depois de concluir um curso obrigatório promovido pela DSEDJ. Até lá, o actual director, Acácio de Brito, manter-se-á em funções, “o tempo que for necessário, para passar o testemunho”, salienta Jorge Neto Valente

 

VÍTOR REBELO

 

João Miguel Gonçalves vai suceder a Acácio de Brito como director da Escola Portuguesa de Macau (EPM). O nome do ex-responsável da Direcção Geral dos Estabelecimentos Escolares em Portugal foi confirmado ao Jornal TRIBUNA DE MACAU pelo presidente da Fundação Escola Portuguesa (FEPM), Jorge Neto Valente, que está a acompanhar todo o processo.

“Já estive com ele em Portugal algumas vezes e parece ser uma boa escolha, mas só o futuro o dirá”, disse, adiantando que o “Conselho de Administração da Fundação entendeu, nas circunstâncias actuais, dar seguimento ao nome indicado pelo Ministro da Educação, Ciência e Inovação”. Fernando Alexandre “não autoriza outro a ir para Macau, até porque precisaria de licença”, adianta o dirigente da FEPM.

Jorge Neto Valente revela que a situação de passagem de testemunho será idêntica à que aconteceu aquando da saída de Manuel Machado, no início de 2024. “Nessa altura, também o director em exercício se manteve no cargo, num processo de passagem de testemunho para Acácio de Brito”. Assim, sustenta, “não haverá hiato na escola” quando começarem as aulas do próximo ano lectivo, em Setembro.

No entanto, para que seja oficialmente nomeado director, João Miguel Gonçalves terá de receber a aprovação do Conselho de Administração da Fundação EPM e cumprir o curso obrigatório promovido pela Direcção dos Serviços de Educação e Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ).

“Embora não assuma para já funções, o futuro director acompanhará Acácio de Brito na transição, o tempo que for necessário para passar o testemunho, porque é mais fácil do que fazê-lo sozinho, esperando-se que, provavelmente antes do final do ano, já João Miguel Gonçalves possa ostentar o título e aí Acácio de Brito seguirá em definitivo para a Escola Portuguesa de Angola, em Luanda”, salientou o presidente da Fundação EPM.

Quanto ao curso exigido pela DSEDJ, sem o qual o novo director não poderá desempenhar oficialmente o cargo, Neto Valente afirma que a escola tentará que o mesmo se desenrole de forma mais rápida do que é habitual. “Vamos ver com a DSEDJ a possibilidade de condensar o curso, tentando que o futuro director cumpra mais aulas por semana do que costuma acontecer, acelerando-se assim o processo para que ele assuma a direcção o mais rápido possível”, sublinha.

Lembra que, na altura da entrada de Acácio de Brito, este frequentou o curso desde Janeiro a Junho, tendo de apresentar alguns trabalhos. “O curso é mais para conhecer a legislação de Macau”, menciona.

Recorde-se que o nome de João Miguel Gonçalves foi aventado e considerado como o mais provável sucessor de Acácio de Brito por alguns órgãos de comunicação social locais no próprio dia em que Fernando Alexandre divulgou a decisão, à margem da romagem à gruta de Camões, no Dia de Portugal na RAEM, a 10 de Junho deste ano.

Ao contrário do que fazia prever, até porque o ainda director havia sido reconduzido dias antes pelo Conselho de Administração da Fundação EPM, para mais três anos, Acácio de Brito iria ser exonerado.

Depois de ter desmentido essa recondução em declarações aos jornalistas no final da cerimónia do içar da bandeira portuguesa nos jardins do Consulado-Geral de Portugal para Macau e Hong Kong, o que provocou estupefacção, o governante da equipa liderada por Luís Montenegro justificou a afirmação de não recondução com o convite endereçado a Acácio de Brito para vir a ser o futuro director da Escola Portuguesa de Angola, na capital Luanda.

 

Novo director chega dentro de dias

A decisão provocou algum choque entre a comunidade portuguesa, pela forma abrupta como aconteceu, tendo a Associação de Pais da EPM, através do seu presidente, criticado a maneira escolhida para divulgar o convite que tinha sido feito a Acácio de Brito.

“Presumo que o ministro teve conhecimento da decisão da recondução pelo Conselho de Administração da EPM, porque há membros na direcção da Fundação que sabem o que se passa no Conselho, e, portanto, no mínimo, aquilo que o ministro deveria ter feito era falar com o Conselho de Administração da Escola”, afirmou na altura Filipe Figueiredo ao JTM.

Daqui a dias chega então ao território o novo director da EPM. João Miguel Gonçalves, de 47 anos de idade, foi director-geral dos Estabelecimentos Escolares desde Junho de 2020, depois de ter sido delegado regional de educação do norte da Direcção-Geral dos Estabelecimentos Escolares, entre Outubro de 2018 e Maio de 2020.

Um despacho do gabinete do Ministro da Educação, Ciência e Inovação, publicado no Diário da República declarou, entretanto, a extinção da Direcção-Geral dos Estabelecimentos Escolares. Antes disso, João Miguel Gonçalves dirigiu a Escola Profissional de Agricultura e Desenvolvimento Rural de Marco de Canaveses desde Julho de 2013.

Em termos académicos, apresenta um vasto currículo, com destaque para a licenciatura em Filosofia – Ramo Educacional, pela Faculdade de Letras da Universidade do Porto, tendo frequentado o Curso Avançado em Gestão Pública, pelo ISCTE, e o Programa de Formação em Gestão Pública, pela Universidade do Minho.

Especialista em António Sérgio, detém uma vastíssima colecção da bibliografia do jornalista e sociólogo português, sendo convidado para organizar exposições, ministrar seminários, participar em colóquios e escrever artigos.

É autor de livros como “Cursos Profissionais – Guia prático para o Professor (Estrutura Modular, Formação em Contexto de Trabalho, Prova de Aptidão Profissional)”, e “EPAMAC – Comunidade e Sentido: Em torno da construção de um azimute para a acção directiva – ideário mínimo «pro domo mea»”.

Segundo informação divulgada num portal da Direcção-Geral da Educação, o futuro director da EPM é também licenciado em Canto Teatral pela Conservatório Superior de Música de Gaia, e tem “uma carreira como cantor lírico, com trabalhos realizados em Portugal e no estrangeiro”.