O trabalho fotográfico de João Miguel Barros intitulado “Blood, Sweat & Tears” ficou em primeiro lugar na categoria Editorial e arrecadou ainda o “Ouro” na subcategoria de Desporto nos “Tokyo International Foto Awards”. Para o também advogado este reconhecimento é sobretudo um “grande incentivo” para continuar a trabalhar numa área em que pretende fazer algo que possa “ter algum significado” no prazo de 10 anos

 

Inês Almeida

 

João Miguel Barros recebeu três prémios nos “Tokyo International Foto Awards”, com o trabalho “Blood, Sweat & Tears” a arrecadar o primeiro lugar na categoria “Editorial” e o “Ouro” na subcategoria de Desporto, e com o projecto “Night Visions” a merecer uma menção honrosa.

“Olho para isto como um grande incentivo para poder continuar a trabalhar, a fazer as fotografias com o sentido que lhes atribuo, com as minhas opções técnicas, que são sempre na base do preto e branco”, frisou o advogado e fotógrafo em declarações à TRIBUNA DE MACAU.

Destacando a “rápida” evolução na fotografia que tem conseguido conciliar com a advocacia, João Miguel Barros defende que o sentido que atribui aos trabalhos fotográficos têm a ver com a “capacidade de perceber como é possível construir e contar melhor histórias”.

“Esta evolução rápida de que falei foi partir do princípio de que uma fotografia isolada tem valor mas que quem faz uma fotografia isolada muito bonita é quase como quem escreve um pequeno poema. A evolução que fiz foi no sentido de fazer um trabalho mais detalhado e completo, com um conjunto mais sistemático de fotografias, com uma narrativa qualquer, que já se aproxima muito mais da ideia de escrever um conto ou um romance”, acredita o fotógrafo.

O projecto que lhe valeu dois dos reconhecimentos aconteceu quase por acaso. Começando por indicar que não aprecia boxe, João Miguel Barros contou que assistiu a um combate em Macau, em Outubro de 2017, durante o qual teve a oportunidade de estar muito próximo do ringue. “As fotografias que tirei nessa altura ficaram boas. Achei que captavam muito aquela intensidade do movimento dos corpos. Não gosto de boxe, mas acho que as fotografias têm um potencial enorme em termos estéticos”.

Então, quis ir mais longe para conseguir “a tal construção de uma narrativa mais detalhada e aprofundada”. “Consegui o contacto do lutador do Gana que tinha perdido o combate. Fiz os contactos que tinha de fazer, fui ao Gana, e depois pensei que seria interessante sair daquela cristalização que foi o combate e ter Emmanuel Danso como uma pessoa humana, que tem os seus sentimentos, ambições. Só o combate de boxe não consegue retratar esse lado humano”.

Regressou duas vezes ao país para tirar mais fotografias do lutador nos treinos e com os amigos, bem como outros pugilistas. “A par disso, desenvolvi outros projectos também no Gana, relacionados com uma escola preparatória que também vai ser exposta em Macau este ano”. A mostra está pensada para Junho, no Albergue SCM, mas terá outro nome.

“A minha ideia é que, à medida que vou olhando para aquilo que me rodeia, tento encontrar temas que sejam interessantes da perspectiva da imagem para tentar fazer um conjunto de imagens que possam ser significativas numa história qualquer”, destacou João Miguel Barros.

Este prémio japonês encerra o “ciclo da fotografia de boxe”. “Agora vou encerrar isto. Quero fazer uma exposição, um livro, e depois passar para outras histórias, outros contos”. Todos os trabalhos galardoados com os primeiros prémios nos “Tokyo International Foto Awards” vão integrar uma exposição colectiva que vai inaugurar na capital japonesa a 20 de Fevereiro.

Posteriormente, João Miguel Barros quer afastar-se desta vertente da fotografia. “Fico contente com o resultado mas não fico preso a ele. Decidi tentar fazer algumas coisas importantes na fotografia em 10 anos e já passaram dois. Ando a correr um bocadinho contra o tempo em relação a este prazo que estabeleci para mim próprio de, em 10 anos, fazer coisas que possam ter algum significado, não só na produção da fotografia, mas também na curadoria”.

Nesta linha de pensamento, recorda que será curador de uma mostra de trabalhos de Guilherme Ung Vai Meng e Chan Hin Yio cuja inauguração decorrerá a 7 de Novembro, no Museu Berardo, em Lisboa.