O julgamento do caso em que a “Macau Concealers” é acusada de difamação vai decorrer sem a presença de Jason Chao. Os factos do processo remontam a 2015, quando a publicação online, então liderada pelo activista, indicou que Wang Jianwei, académico da UM, era suspeito de assédio sexual
Viviana Chan
Jason Chao, antigo director da “Macau Concealers”, publicação online subordinada à Associação Novo Macau (ANM), vai estar ausente no julgamento do caso de difamação, que se inicia amanhã. Wang Jianwei, antigo chefe do departamento de Governação e Administração Pública da Universidade de Macau (UM), processou Jason Chao por difamação depois da “Macau Concealers” ter afirmado que o académico era suspeito de assédio sexual.
De acordo com a ANM, Jason Chao não estará presente porque está a terminar uma dissertação na Universidade de Warwick, no Reino Unido, onde se encontra a estudar.
“Embora não seja ideal, respeitamos a sua decisão. Para além disso, a ANM reconhece devidamente que o académico da UM tem o direito de processar, pelas acusações de suspeita de assédio sexual em 2015”, diz a associação.
A ANM assegurou ter aberto um inquérito interno após a divulgação de uma declaração de Wang Jianwei sobre o caso. De acordo com os documentos submetidos por Jason Chao à direcção, a ANM confirmou que a publicação contactou a UM, via email para pedir informações sobre o caso. Nesse sentido, a associação salientou que, após a verificação dos e-mails, está satisfeita com os esforços feitos pela “Macau Concealers” para confirmar os factos. “A notícia não foi especulação, nem perseguição”, referiu.
“Numa nota oficial emitida no mesmo dia, a UM confirmou que havia três casos de alegado assédio sexual em investigação, mas recusou-se comentar”, disse a Novo Macau, salientando que o próprio académico admitiu ter sido alvo de duas queixas de assédio.
Wang Jianwei considerou ainda que as notícias da publicação tinham como objectivo descreditar a liderança da UM, numa tentativa de reintegrar na universidade um professor associado que tinha sido demitido. Apesar de não referir o nome, deu a entender que seria Bill Chou.
No início deste mês, a TRIBUNA DE MACAU questionou a UM sobre o resultado de investigação das queixas de assédio sexual apresentadas em 2015, mas até ao fecho desta edição não obteve uma resposta.



