Com a saída da loja de roupa e do café, a zona de “Tou Fa Kon” ficou completamente vazia e as estruturas das bancas serão demolidas. No sábado, último dia de operação, a dona da loja de roupa voltou a lamentar a decisão do tribunal
Rima Cui
Desde sábado que o terreno “Tou Fa Kon”, na rua junto ao Mercado Vermelho, deixou de ter vendedores, com a saída dos dois últimos “sobreviventes”: uma loja de roupa e um café, que durante mais de cinco décadas fizeram negócio na zona.
Em Março de 2017, com o empresário Teng Man Lei a ser absolvido do crime de burla, John Lo exigiu aos vendilhões de “Tou Fa Kong” que saíssem até Julho deste ano. Apesar de já sentirem dificuldades na operação, alguns vendedores insistiram em manter as portas abertas até ao último momento. Segundo o jornal “Ou Mun”, as estruturas dos estabelecimentos serão demolidas em breve.
No passado, a zona tinha mais de 10 bancas, incluindo café, pastelaria, bancas de comida cozida e mercearia. Porém, a harmonia foi quebrada em 2009, quando alguns vendedores começaram a ser expulsos. As obras de construção de uma torre e o encerramento das ruas, entre outros factores, contribuíram também para o decréscimo dos negócios dos vendilhões.
Tak Tsé, dona da loja de roupa que esteve aberta durante 57 anos, recordou que quando entrou em “Tou Fa Kon” com a mãe, tinha apenas 12 anos. “Na altura, havia aqui um café, uma banca de massa, de ‘congee’ e ‘dim sum’. Quando chegavam as 15h, operários que trabalhavam em fábricas de roupa nas imediações vinham aqui tomar café. A zona era muito animada”, lembrou.
A idosa vai reformar-se, mas continua a insistir que tem muitas suspeitas e aspectos que não correspondem à verdade, pelo que continua a não perceber a decisão do tribunal que ditou a expulsão dos vendilhões e o fim de uma era no comércio de rua daquela zona.



