No próximo ano lectivo, o Instituto Politécnico de Macau planeia admitir um máximo de 300 alunos nos diferentes cursos de Mestrado, revelou o presidente da instituição, Lei Heong Iok. Entre estes está o Mestrado em Tradução e Interpretação Chinês-Português que ainda carece de aprovação do Governo. Ao nível da licenciatura, a instituição de ensino superior estima atrair 700 alunos dos quais 1,8% do Continente chinês
Rima Cui
O Instituto Politécnico de Macau (IPM) abriu as suas instalações no sábado para o primeiro “Dia Aberto” deste ano, no qual participaram 2.000 pessoas. O evento visou dar a conhecer as instalações, cursos e os projectos de investigação.
Segundo Lei Heong Iok, a instituição a que preside irá atrair no ano lectivo 2018/2019 cerca de 700 alunos para os cursos de licenciatura e um máximo de 300 para os de Mestrado. Ainda assim, realçou que o “alargamento do número de alunos” não é o único objectivo. No seu discurso de abertura, Lei Heong Iok disse ainda que a taxa de ocupação nos cursos de licenciatura irá aumentar de 1,5% para 1,8%. Não obstante o incremento, essa percentagem fica aquém do limite de 2% fixado pelo Ministério da Educação chinês.
Com a entrada em vigor do regime do ensino superior, o IPM passou a estar autorizado a abrir cursos de Mestrado e Doutoramento. Segundo Lei Heong Iok, será dada “prioridade” ao Mestrado em Tradução e Interpretação em Chinês-Português. O programa está a ser ultimado pela Escola Superior de Línguas e Tradução e deverá ser aprovado pelo Governo a tempo de abrir em Setembro. A instituição pretende também abrir um novo Mestrado na área do Jogo e outro abrangendo as áreas culturais e criativas – ambos pendentes do aval do Governo – disse Lei Heong Iok, que se irá aposentar em Agosto.
Anualmente, o IPM atrai cerca de 3.000 alunos, incluindo mais de 400 do Interior da China. “Cerca de 150 de outros países, a que se juntam os alunos locais. Em cada ano, são atribuídas bolsas de estudo, pelos vários serviços públicos da RAEM e sectores da sociedade, a mais de 600 alunos (quase 15% dos alunos) atingindo o valor de mais de 10 milhões de patacas”, destacou o presidente da instituição.
Em termos de equipa, o IPM conta com 300 docentes e investigadores a tempo integral, sendo a maioria detentora do grau de doutor. No que diz respeito à investigação e publicações académicas foram publicados 161 artigos em revistas científicas internacionais em 2017.
Além disso, Lei Heong Iok frisou que, nos últimos anos, o nível académico, a qualidade dos estudantes e a preocupação no aperfeiçoamento contínuo da qualidade pedagógica do IPM têm sido alvos de reconhecimento pela “Quality Assurance Agency” do Reino Unido (QAA). Também os cursos ministrados pelo Instituto foram reconhecidos por instituições académicas internacionais, fazendo do IPM a primeira instituição de ensino superior de Macau com acreditação internacional em todos os aspectos do ensino e da investigação.
“O IPM é, há vários anos, a instituição local de ensino superior com o maior número de candidatos e já formou mais de 17.000 quadros profissionais de alta qualidade para a sociedade”, realçou.
Mudança de estatuto em suspenso
Por outro lado, questionado sobre o estado actual do pedido de reconhecimento do IPM como “universidade”, Lei Heong Iok enumerou algumas razões que explicam o facto dessa intenção estar em suspenso. “A mudança do nome é uma questão secundária. Ainda que seja uma pena que o [IPM] tenha a ‘essência’ e não o nome [de universidade], é mais lamentável que uma instituição tenha essa categoria mas não a ‘essência’. Em termos aplicáveis, o IPM já se tornou numa universidade”, ressalvou.
Correspondendo a uma ideia antiga, o pedido foi oficializado em 2009. Na altura, Lei Heong Iok, afirmou que, até ao final desse ano, seria entregue ao Governo uma proposta oficial para que o estatuto do instituto fosse alterado para universidade.
Face à sugestão da criação de uma escola administrativa destinada à formação de funcionários públicos de classes diferentes, Lei Heong Iok sublinhou que a Escola Superior de Administração Pública tem formado funcionários públicos, tendo desenvolvido mestrados em parceria com os Serviços de Administração e Função Pública. Neste ponto, adiantou que pode promover um curso de nível mais elevado para a formação destes profissionais.
Recém-graduados com metas definidas
O Dia Aberto do IPM ofereceu visitas guiadas ao campus, exposição de trabalhos de ensino e investigação, testes de aptidão física, apresentação sobre desporto e interacção, workshop de arte, prática de enfermagem, demonstração de testes, apresentação de habilidades técnicas, visitas à biblioteca, contacto com equipamentos pedagógicos, entre outros.
Um dos recém-graduados presentes no “Dia Aberto”, de apelido Wang, que já se tinha candidatado ao Curso de Licenciatura em Tradução e Interpretação Chinês-Português, admitiu querer trabalhar no sector da economia e comércio, seja em Macau ou em países de língua portuguesa.
Outro estudante, Au Ieong, vai candidatar-se à Licenciatura em Informática – um curso reconhecido pelo Instituto de Engenharia e Tecnologia (IET) e pelo “Acordo de Washington” o que significa que, depois de se formar, poderá trabalhar como engenheiro em mais de 10 países e regiões.



