O IPIM assegura que tem promovido o desenvolvimento de quadros bilingues chinês-português, tendo proporcionado, nos últimos cinco anos, oportunidades de estágio a centenas de quadros no IPIM ou nas actividades de MICE que organiza. Além disso, gerindo uma base de dados onde se registam mais de 2.200 quadros chinês-português (10% são locais), o IPIM revelou que, através dos serviços de conjugação online, foram concretizados 80 emparelhamentos de emprego para quadros bilingues no último ano, envolvendo áreas como a tradução. Por outro lado, os serviços da Conduta do Comércio China-PLP receberam 200 novos projectos entre Janeiro e Maio deste ano

 

Com recursos a “canais diversificados”, o Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento (IPIM) tem proporcionado oportunidades de estágio para quadros que dominam a língua portuguesa, tendo oferecido oportunidades de estágio a “centenas” de quadros bilingues chinês-português nos últimos cinco anos, revelou o organismo ao Jornal TRIBUNA DE MACAU, sem especificar um número concreto.

Segundo indicou, uma das acções passa por coordenar instituições de ensino superior locais para levar alunos provenientes dos países de língua portuguesa (PLP) a estagiarem no IPIM, “para que experimentem presencialmente o funcionamento da plataforma sino-lusófona, conhecendo a situação dos intercâmbios económicos e comerciais entre a China e os PLP”.

A par disso, o IPIM salientou que costuma convidar, nas convenções e exposições económicas e comerciais de grande escala que organiza, quadros que dominam a língua de Camões de instituições de ensino superior a participar nos trabalhos relacionados com convenções e exposições (MICE), tradução, atendimento e conjugações.

Em paralelo, o organismo continua a gerir o “Portal para a Cooperação na Área Económica, Comercial e de Recursos Humanos entre a China e os Países de Língua Portuguesa”, onde criou uma “Base de Dados de Profissionais Qualificados em Chinês e Português” e uma rede de serviços de conjugação online, com foco no desenvolvimento de talentos bilingues chinês-português, referiu o IPIM.

Actualmente, mais de 2.200 quadros chinês-português estão registados nessa Base de Dados, sendo profissionais dedicados às áreas como a tradução (51,23%, 727 pessoas), Direito (3,24%, 46 pessoas), finanças (3,6%, 51 pessoas) e MICE (3,52%,50 pessoas). Em concreto, a maioria é oriunda do Interior da China (1.827 pessoas) ou dos nove países lusófonos (incluindo 32 talentos portugueses e 107 brasileiros), representando os talentos da RAEM cerca de 10% do total (211 pessoas).

Questionado sobre o número de casos bem-sucedidos através das conjugações online de emprego que tem promovido, o IPIM revelou que, no último ano, foram concretizadas mais de 80 acções de emparelhamento, tendo sido conjugadas com sucesso as necessidades tanto do lado da oferta como da procura em áreas como a tradução. Quanto ao tempo médio necessário entre o registo do talento e o sucesso na conjugação, o organismo disse que não existe uma periodicidade fixa, uma vez que o processo é influenciado por uma combinação de factores, como os requisitos da vaga, o ritmo de recrutamento da empresa e a disponibilidade dos próprios talentos.

Segundo recordou, ao longo do último ano, a equipa do Portal, além de ter publicado “recomendações para bons empregos” nas redes sociais, realizou a “LusoPartilha – Sessão de Partilha com Empresas e Sectores” na Universidade de Macau e na Universidade de Estudos Estrangeiros de Guangdong, onde convidou representantes empresariais a apresentar a procura de talentos nos respectivos sectores, tendo as empresas realizado ainda o recrutamento de quadros durante as sessões. Depois de ter recolhido a procura de extensão derivada dessas actividades, a equipa organizou entrevistas online e offline, para ajudar a conjugação de empresas com os quadros chinês-português que reúnam os requisitos, acrescentou.

“Baseado continuamente no posicionamento de Macau como ‘Plataforma de Serviços para a Cooperação Comercial entre a China e os PLP’, o IPIM tem promovido os trabalhos de desenvolvimento de quadros bilingues e de optimização dos serviços económicos e comerciais ao mesmo tempo”, enfatiza o organismo liderado por Alex Che.

 

Conduta do Comércio China-PLP com mais de 200 novos projectos

Por outro lado, em termos dos serviços económicos e comerciais, a este jornal, o IPIM revelou que, nos primeiros cinco meses deste ano, os serviços da Conduta do Comércio China-PLP receberam mais de 200 novos projectos.

A Conduta do Comércio China-PLP é um serviço de apoio do IPIM vocacionado para ajudar as empresas dos PLP na exploração dos mercados do Interior da China, além de apoiar as empresas da China Continental, de Macau e de outras regiões interessadas em desenvolver os respectivos negócios nos países lusófonos. Os serviços abrangem “apoio em todo o processo”, incluindo alinhamento de projectos, consultoria de mercado e emparelhamento comercial, segundo o IPIM.

Até ao momento, esses serviços contribuíram para promover o estabelecimento de bases de produção no Brasil e em Angola por empresas que fazem parte das 500 maiores empresas da China, bem como a aquisição de matérias-primas brasileiras por empresas entre as 10 principais empresas de cereais e óleos da China, constatou o organismo.

Segundo descreveu, os utilizadores dos serviços são principalmente provenientes do Interior da China, da RAEM e dos nove países lusófonos, sendo que os de Portugal e do Brasil representam cerca de 10% cada.

 

Duas marcas portuguesas elegíveis para abrir “primeira loja”

Ademais, sobre o “Plano para o Desenvolvimento Económico no âmbito de Apoio ao Estabelecimento da Primeira Loja em Macau”, na primeira fase, houve 20 candidaturas que cumprem os objectivos e requisitos preliminares, sendo as marcas interessadas provenientes do Interior da China, da RAEHK, de Taiwan e de Portugal. A este jornal, o IPIM adiantou que duas marcas são de Portugal.

Além de marcas dos sectores tradicionais, como restauração e retalho, registam-se marcas de novos modelos de negócio com elementos tecnológicos, por exemplo, jogos interactivos e sensoriais e centros de experiência de produtos, reitera o organismo.

Em relação à segunda fase de candidaturas, que decorre até 31 de Julho deste ano, o IPIM afirmou que irá proceder, de acordo com o mecanismo estabelecido, à apreciação dos pedidos através do Comité de Investimentos, para verificação das marcas, e avaliar, de forma abrangente, a capacidade orçamental e o interesse público, entre outros factores, sendo as informações relativas à 2ª fase do “Plano” divulgadas ao público em tempo oportuno.

De um modo geral, observou que, desde o lançamento, o “Plano” tem recebido “respostas activas” por parte de marcas tanto nacionais como internacionais.