O valor de mercado dos investimentos dos residentes em títulos ultrapassou os 662 mil milhões de patacas, aumentando 36,8% em termos anuais. Os dados da AMCM mostram que entidades da China Continental estão no topo da lista desses investimentos, seguindo-se Hong Kong, EUA, Ilhas Virgens Britânicas e Ilhas Caimão. Por outro lado, a carteira de investimentos em países lusófonos atingiu cerca de 91 milhões de patacas

 

A Autoridade Monetária de Macau (AMCM) revelou ontem o “Inquérito à Carteira de Investimentos” de 2017, uma recomendação do Fundo Monetário Internacional que desde 2013 é semestral para intensificar a supervisão do fluxo de capitais transfronteiriços. Segundo os dados, os investimentos dos residentes (indivíduos, Governo e outras pessoas colectivas, excluindo a reserva cambial da RAEM) em títulos emitidos por entidades não residentes independentes tinham um valor de mercado superior a 662,88 mil milhões, representando acréscimos de 13,8% face a 30 de Junho de 2017 e de 36,8% em relação ao final de 2016.

A Reserva Financeira da RAEM representou 32,7% da carteira de investimentos no exterior, com uma quota de 33,9% em títulos representativos de capital e de 34,4% em obrigações a longo prazo.

A China Continental continuou a ser o primeiro mercado de investimento com um valor de 285,6 mil milhões, reflectindo uma subida anual de 52,5%. O restante investimento foi aplicado principalmente em títulos emitidos por entidades em Hong Kong, Estados Unidos (EUA), Ilhas Virgens Britânicas e Ilhas Caimão.

A carteira de investimentos local divide-se em títulos representativos de capital (incluindo os fundos mútuos e investimentos em trusts), obrigações a longo prazo e obrigações a curto prazo, sendo que as de longo prazo representam 59,3% do total (-2,6 pontos percentuais face a 30 de Junho de 2017). O peso do investimento em títulos representativos de capital atingiu 36,3% e das obrigações a curto prazo 4,4%.

No final de 2017, os residentes detinham 240,4 mil milhões no mercado de títulos representativos de capital (incluindo os fundos mútuos e investimentos em trusts), ou seja, mais 30,8% do que em 2016. A maior quota de títulos representativos de capital (28,1% do total, equivalente a 67,6 mil milhões de patacas) era emitida por entidades na China Continental.

O valor de mercado dos fundos mútuos e investimentos em “trusts” atingiu 78,5 mil milhões no final de 2017, mais 29,4% em termos anuais. Desse total, 21,5% foi gerido por companhias de seguros. Neste caso, os emissores destes produtos estavam principalmente localizados nos EUA.

Já as obrigações a longo prazo subiram 37,6% para 393,3 mil milhões no intervalo de um ano. A China Continental manteve-se no topo dos destinos deste tipo de investimento, ocupando 50,4% do total, sendo que o valor de mercado cresceu 50,5% para 198,4 mil milhões.

Por seu turno, o valor de mercado do investimento em obrigações a longo prazo emitidas por entidades nas Ilhas Virgens Britânicas subiu 58,3%, aumentado a sua representatividade de 9,4% no período homólogo de 2016 para 10,8% no final de 2017.

Em 2017, o valor de mercado dos investimentos emitidos por entidades no Atlântico Norte e Caraíbas subiu 37,8% face a 2016 para 100,1 mil milhões. Salientam-se os crescimentos de 52,5% e 27,0% nos investimentos nas Ilhas Virgens Britânicas (50,0 mil milhões) e Ilhas Caimão (41,6 mil milhões).

Por outro lado, a quota de investimento em títulos europeus desceu 0,4 pontos percentuais para 11,9%, enquanto o valor de mercado subiu 32,1%, atingindo 78,7 mil milhões.

Os títulos emitidos por países ao longo do percurso de “Uma Faixa, Uma Rota” apresentaram um valor de mercado de 21,4 mil milhões (+22,6% em termos anuais).

Do relatório consta ainda que no final de 2017, o valor de mercado da carteira de investimentos em países de língua portuguesa atingiu cerca de 91 milhões de patacas, com destaque para aplicações em títulos de entidades brasileiras e portuguesas, cujos montantes atingiram, respectivamente, 38,7 milhões e 52,3 milhões de patacas.

 

L.F.