Argumentando que a instalação de postes para câmaras de videovigilância retira espaço de rua aos cidadãos, o deputado Lam Lon Wai acusa a construção de não ser “inteligente” e apela a melhor planeamento nas zonas dos Novos Aterros

 

Salomé Fernandes

 

Lam Lon Wai questionou o Governo quanto à instalação de câmaras de videovigilância, por considerar que se agravou “a concorrência entre os ‘postes’ e as pessoas ao nível do espaço”. Assim, em interpelação escrita, o deputado da Assembleia Legislativa apelou à mudança de localização das 800 câmaras da quarta fase do plano quinquenal no âmbito da segurança urbana, apesar de já terem sido iniciadas as obras de instalação.

De acordo com a sua exposição, entregue em Dezembro, as câmaras que começaram a ser instaladas em Fevereiro do ano passado “vão ser instaladas em locais isolados e onde há riscos de segurança, não se excluindo a possibilidade de serem instaladas em esquinas e becos estreitos”, pelo que as autoridades devem dialogar com outros serviços públicos para que o equipamento seja antes instalado em postes de iluminação e placas de sinalização de trânsito.

O deputado reconhece que o sistema de videovigilância é eficaz na prevenção e combate à criminalidade, já que até Setembro do ano passado foram investigados 1208 crimes através das câmaras existentes, mas critica a sua construção por não ser “suficientemente ‘inteligente’”. “Muitas das ruas de Macau já eram muito estreitas e cheias de postes, de iluminação pública, de letreiros das ruas, de placas de sinalização de trânsito e de semáforos, e agora, com a instalação de postes para as câmaras, é óbvio que o espaço nas ruas será menor”, argumentou.

Por outro lado, Lam Lon Wai apontou que, tendo em conta o desenvolvimento de Macau como cidade inteligente, quando o Governo avançar com o estudo sobre a extensão do sistema de videovigilância às zonas dos Novos Aterros, deve reforçar as suas funções e elevar a eficácia. Note-se que durante as Linhas de Acção Governativa, o Secretário para a Segurança, Wong Sio Chak, indicava haver já um plano para a quinta e sexta fases de instalação de câmaras, que se vão debruçar sobre esses terrenos.