Os moldes do posicionamento de Macau na Grande Baía projectados para 2019 passam pela tecnologia, educação e transportes, apesar de ainda não ser conhecido um plano geral. O Governo pretende dar os primeiros passos para criar uma base de ensino e formação em turismo, integrar os recursos do ensino bilingue Chinês-Português e estudar a possibilidade de integração do território no plano ferroviário de alta velocidade na margem oeste do Delta do Rio das Pérola
Catarina Almeida*
A integração de Macau na Grande Baía será estimulada de forma “pragmática” e em várias vertentes. Essa foi uma das mensagens transmitidas ontem pelo Chefe do Executivo, prometendo lançar uma “base de formação de quadros bilingues de Chinês e Português”. “Iremos integrar os recursos e as infraestruturas do ensino bilingue de Chinês e Português das instituições de ensino superior” e “prosseguiremos com a criação de uma base de ensino e formação em turismo na Grande Baía Guangdong-Hong Kong-Macau”.
Durante a apresentação das LAG, foram várias as referências à integração de Macau na Grande Baía nomeadamente ao nível da “procura e a escassez de quadros qualificados” que será objecto de estudo pela Comissão de Desenvolvimento de Talentos.
“Iremos adoptar medidas que facilitem a mobilidade transfronteiriça e a integração regional de quadros qualificados, e estudar mecanismos de importação de quadros qualificados e de quadros altamente especializados, no sentido de alargar horizontes, reforçar os conhecimentos e estimular o desenvolvimento profissional dos quadros qualificados locais”, acrescentou o Chefe do Executivo.
Na conferência de imprensa após a apresentação das LAG, Chui Sai On ressalvou que continua a “aguardar o plano geral da Grande Baía”, mas garantiu empenho para participar nesse “grande planeamento”.
No âmbito do ensino não superior, prometeu concretizar o “alargamento da área de cobertura da geminação de escolas na Grande Baía, intensificando o intercâmbio e a interactividade”. Serão ainda lançados programas de estágios para os jovens de Macau na Grande Baía e desenvolvida “uma série de projectos de intercâmbio e de estágio na área da cultura e do desporto”. “Os serviços de apoio aos jovens empreendedores de Macau irão abranger um maior número de cidades da Grande Baía, de modo a articular a plataforma de inovação e empreendedorismo”, indicou o líder do Governo, que pretende “prestar um apoio mais adequado aos jovens” neste campo.
Além disso, será dado maior relevo às funções do Centro de Intercâmbio de Inovação e Empreendedorismo para Jovens da China e dos Países de Língua Portuguesa, de modo a consolidar a construção da plataforma.
Da tecnologia ao comboio rápido
Ainda associada à participação da RAEM Grande Baía, será estudada a “possibilidade de integração de Macau no plano ferroviário de alta velocidade na margem oeste do Delta do Rio das Pérolas, acelerando, deste modo, a integração de Macau no sistema ferroviário de alta velocidade nacional”. Um projecto que na tese do líder do Governo é “muito importante” e “indispensável para garantir a circulação de bens e mercadorias”, acrescentou, sem desvendar mais detalhes.
Por outro lado, através de um “planeamento global, iremos criar um mecanismo completo e com diferentes níveis para o estudo científico e inovação na área da tecnologia”, garantiu. Nesse sentido, será elaborado, em 2019, um regime de benefícios fiscais de incentivo ao estudo científico e inovação na área da tecnologia. Haverá ainda planos de incentivo destinados aos professores e investigadores científicos para que se possam candidatar a “projectos nacionais de ciência e tecnologia”.
No próximo ano, será reforçado o financiamento dos laboratórios de referência do Estado existentes e atribuir aos dois novos laboratórios “o respectivo capital inicial, numa prestação única”. “Iremos prestar apoio financeiro aos jovens peritos e académicos em Macau, na área de estudos científicos e aos pós-doutorados, doutorados e pós-graduados que participem em projectos de estudos científicos. “Iremos prestar assistência às instituições de ensino superior de Macau para exercerem actividades na Grande Baía”, afirmou Chui Sai On.
O “papel importante” de portugueses e macaenses
A comunidade portuguesa residente em Macau e os macaenses de ascendência portuguesa voltaram a ser enaltecidos pelo líder do Governo na apresentação das LAG para 2019, com Chui Sai On a destacar o “papel importante” que desempenham no “fomento do intercâmbio cultural entre a China e outros países”. “O Governo valoriza as suas culturas, costumes e hábitos, salvaguarda os seus direitos e interesses legais e apoia a sua participação no desenvolvimento da RAEM juntamente com toda a população de Macau”, disse.
* com I.A.



