Os casos de peões que atravessam a estrada sem cumprir as regras de trânsito aumentaram quase 150% no ano passado. Em contrapartida, as estatísticas do Corpo de Polícia de Segurança Pública revelam um decréscimo de 18,94% no total das infracções ao Código da Estrada, indiciando uma melhoria no comportamento dos condutores
Salomé Fernandes
O aumento de 147,84% nos casos de peões que atravessam as vias sem cumprirem as regras de trânsito destaca-se nos dados adiantados pelo Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP), com o número a passar de 464 em 2016 para 1.150 em 2017. Os transeuntes aumentaram assim os comportamentos perigosos num ano em que diminuiu a generalidade das situações em que os condutores desrespeitaram a Lei do Trânsito Rodoviário e o Código da Estrada, comparativamente ao período homólogo de 2016.
Apesar de ter ocorrido menos um acidente fatal (oito contra nove em 2016) num total de 14.715 (-4,09%), o número de vítimas mortais manteve-se em nove, das quais quatro condutores e cinco peões. Os feridos aumentaram 2,02% para 4.706, mas os casos a necessitarem de internamento hospitalar (91) representaram uma descida de 56,25%. No entanto, o CPSP não especifica quais as causas dos acidentes.
Os valores em destaque no que respeita a um agravamento de comportamentos erróneos por parte dos condutores prendem-se com o uso de telemóvel durante a condução, que no geral aumentou 48,08% para 4.429, maioritariamente por infracções registadas em automóveis, onde se passou de 2.737 para 4.161 (+52,03%). Os casos de condução sem uso do cinto de segurança, por sua vez, aumentaram de 5.722 para 6.418 (+12,16%), e os de desobediência a sinais de trânsito passaram de 7.001 para 8.043 (+14,88%). Com 3.054 casos, a ultrapassagem da linha contínua entre duas faixas de rodagem assume um crescimento de 32,32%.
Com menor significado, a sobrecarga ou transporte de mercadoras sem medidas de segurança adequadas cresceu 4,55% para 2.779, um número potenciado pela subida de 247,37% para 264 casos envolvendo motociclos. Houve ainda um ligeiro aumento de 5,58% na condução sem documentos de veículos (3.669).
Apesar destes números em alta, a comparação de dados estatísticos do trânsito sugere uma melhoria no quadro geral. Além da descida no número de acidentes de viação, o total das infracções relativas à Lei do Trânsito Rodoviário e ao Código da Estrada caiu 18,94% (de 1.071.827 para 868.805). A acompanhar esta tendência decrescente encontra-se o valor das multas, que recuou 15,16% para cerca de 175,6 milhões de patacas.
Menos casos de excesso de velocidade
No ano passado, o total de casos de excesso de velocidade sofreu uma descida significativa, o que se deve em grande parte à diminuição de excessos considerados graves. A maior quebra deu-se na Ponte da Amizade, onde o número passou de 618 infracções em 2016 para 75 em 2018 (-87,86%). Seguiram-se descidas na Ponte Governador Nobre de Carvalho, na Ponte de Sai Van, e por fim nas vias públicas, de respectivamente, 42,32%, 24,32% e 18,99%.
Factores de risco como a condução sob influência de estupefacientes ou substâncias psicotrópicas, e efeitos de álcool em valores superiores aos legalmente estabelecidos detectados em “operações stop” destacaram-se pela positiva, visto que decresceram, respectivamente, 66,67% (de 15 para 5) e 18,73% (de 331 para 269). Apesar da descida, note-se que foi detectada uma taxa superior a 1.2 g/l em 46 condutores de automóveis e 43 de motociclos. Nos acidentes de viação, houve mais uma pessoa a conduzir com álcool, ascendendo a 124 casos.
Em termos de “melhor comportamento”, os condutores da RAEM fizeram menos estacionamentos ilegais (de 1.006.946 para 807.496), foram bloqueados menos veículos em vias públicas, respeitaram mais o sinal vermelho, diminuíram as modificações legais aos veículos (nomeadamente de modelos de pneus não autorizados em motociclos), tendo reduzido também o lançamento de fumo poluente. Este último factor, com uma quebra de 32,05%, registou menos infracções em automóveis e táxis, mas mais em veículos pesados. Porém, o número total de veículos examinados foi menor em relação ao período homólogo.
Como já tinha sido noticiado, as irregularidades praticadas pelos taxistas aumentaram 32,25% para 5.491. O número total inclui 3.180 situações de cobrança abusiva e 1.574 de recusa de transporte, que cresceram 85,64% e 11,39% em termos anuais.



