O Secretário para a Economia e Finanças visitou ontem o Parque Científico e Industrial de Medicina Tradicional Chinesa, na Ilha da Montanha, infra-estrutura onde Macau já investiu quase sete mil milhões de patacas, e que Lionel Leong garante dar retorno, nomeadamente no que respeita a levar as empresas do território para mercados no estrangeiro. Por sua vez, a presidente do Parque promete “muitas oportunidades” para os cidadãos de Macau. A visita contou com a participação da maioria dos deputados da Assembleia Legislativa

 

Inês Almeida*

Em Hengqin

 

Áreas verdejantes da Ilha da Montanha que se prolongam por quilómetros e quilómetros ladeiam o Parque Científico e Industrial de Medicina Tradicional Chinesa para a Cooperação entre Guangdong-Macau onde se encontram os únicos edifícios à vista de quem passa e cuja modernidade contrasta visivelmente com os escassos imóveis junto à estrada no caminho para lá. Prédios baixos, de não mais de cinco andares, com gaiolas nas varandas, algumas delas já enferrujadas, como as das zonas mais antigas de Macau.

Ao longo dos últimos oito anos, a área ocupada pelo Parque Científico e Industrial cresceu a olhos vistos com investimento de ambas as regiões. O desenvolvimento foi faseado, no entanto, uma coisa é certa: é para continuar. Essa foi pelo menos a ideia passada pela presidente do Parque, Lu Hong, e pelo Secretário para a Economia e Finanças, à margem de uma visita às instalações.

“O investimento foi dividido em várias partes e, até agora, Macau investiu 5,7 mil milhões de renminbis (6,7 mil milhões de patacas). Vai investir mais ainda, em prazos diferentes”, garantiu a presidente do Parque.

Lu Hong destaca que há muitas pessoas que se questionam sobre qual das vertentes do trabalho do Parque é mais importante, no entanto, “os cidadãos podem prestar um bocadinho mais de atenção ao desenvolvimento” das infra-estruturas. “Actualmente, temos duas partes principais, uma é o controlo de qualidade e outra são os serviços de saúde aos cidadãos e para empresas”, frisou a presidente.

Relativamente ao retorno do investimento feito por Macau, Lu Hong sublinhou que os jovens “podem encontrar oportunidades de trabalho”. No entanto, ressalva, o primeiro passo é criar uma indústria. “Primeiro estamos a criar uma indústria, não somente empresas. Também vamos desenvolver a economia diversificada de Macau. A nossa meta é conseguir um equilíbrio entre o investimento e o retorno. Queremos criar mais lucros e vantagens para a sociedade”, frisou. No entanto, o retorno do investimento só deverá ser conseguido “daqui a 15 ou 20 anos”, indicou.

Entre as cerca de 100 empresas instaladas no Parque Científico e Industrial, 30 são de Macau.

À margem da visita ao Parque Científico e Industrial, na qual participaram deputados da Assembleia Legislativa (AL), o Secretário para a Economia e Finanças, Lionel Leong, destacou que “todos podem ver o desenvolvimento do Parque Industrial desde o seu começo, que era só um terreno, até agora”. “É muito importante que o Parque Industrial possa oferecer plataformas de serviços”.

“As empresas aqui estabelecidas, tanto de Macau como da China Continental, podem ter um apoio técnico, não somente na produção mas também no ingresso no mercado no estrangeiro. O Parque vai ter um papel muito activo na diversificação económica de Macau”, acredita o Secretário para a Economia e Finanças.

Através de visitas como a de ontem, o público pode ficar a saber mais sobre “o uso do erário público e o desenvolvimento da economia”.

 

Chegar a novos mercados

Olhando para trás, Lionel Leong recorda que no início do estabelecimento do Parque Industrial o Governo sabia que não eram muitas as empresas com qualidade na área dos produtos da  medicina tradicional chinesa em Macau, porém, “a cada dia mais empresas e investidores têm interesse em desenvolver esses produtos”.

“Através deste parque conseguimos ampliar o mercado internacional para estas empresas locais de Macau, além da entrada no mercado da China Continental”, apontou Lionel Leong, acrescentando que o Executivo terá ainda de analisar o nível de retorno do investimento.

A visita contou também com a presença da maioria dos deputados da AL, incluindo o médico Chan Iek Lap. “Temos muita honra em visitar o Parque Industrial. Nesta visita verifiquei que o Governo da RAEM presta muita atenção e tem apoiado o desenvolvimento da Medicina Tradicional Chinesa para colmatar uma lacuna do trabalho do Executivo ao longo de muitos anos”, apontou o deputado eleito por sufrágio indirecto.

Durante a sua passagem pelo Parque Industrial na Ilha da Montanha, Lionel Leong e os deputados tiveram a oportunidade de visitar três dos edifícios contendo laboratórios e outro género de infra-estruturas, além de ouvir responsáveis pelas instalações a explicarem o desenvolvimento e o trabalho que é executado nessas unidades.

Houve ainda tempo para uma paragem nos escritórios da “Intertek Guangdong-Macau Testing Services Limited (Zhuhai)”, uma das companhias que escolheu instalar-se no Parque Industrial em Hengqin, e que foi inaugurada ontem de manhã. A empresa é co-financiada pelo “Grupo Intertek”, do Reino Unido, uma empresa fornecedora de serviços de controlo de qualidade, e pela “Macau (Hengqin) Investimento e Desenvolvimento”.

Durante a cerimónia de inauguração, o director executivo, Bai Xueli sublinhou que irá trabalhar tendo por base a experiência da empresa britânica com “mais de 130 anos no enquadramento global e 30 anos na China”.

A companhia tem capacidade para realizar análises nutricionais, índices de higiene, testes a resíduos de drogas veterinárias, pesticidas, metais pesados e aditivos em produtos alimentares, bem como de aditivos ilegais e princípios activos em produtos de saúde.

 

*Jornalista viajou a convite do Gabinete de Comunicação Social