O director do Gabinete de Ligação do Governo Central desvaloriza o impacto que a campanha anti-corrupção no Interior da China tem tido na queda das receitas do jogo em Macau. Na opinião de Li Gang, a aposta na diversificação económica de Macau não deve significar um desinvestimento no desenvolvimento do sector do Jogo
Viviana Chan
O director do Gabinete da Ligação do Governo Central na RAEM, Li Gang, defendeu ontem que a queda consecutiva das receitas do Jogo não está relacionada com as medidas anti-corrupção que têm sido levadas a cabo na China Continental. Em declarações aos jornalistas, o representante do Governo Central referiu que há “vários factores” que têm contribuído para a queda, entre os quais um “ajustamento natural” do sector, o abrandamento do crescimento económico Chinês e a abertura de mais casinos nas regiões envolventes.
Li Gang defendeu ser altamente improvável que o nível de receitas do jogo, que chegaram a atingir os 330 mil milhões por ano, fosse apenas resultado de apostas de pessoas envolvidas em casos de corrupção no Interior da China. O director da Gabinete de Ligação disse mesmo terem sido “muito raras” as situações em que dirigentes do Partido Comunista ou cidadãos corruptos vieram jogar ao território.
Recentemente foi noticiado que o Ministério da Segurança Pública Chinês pretende implementar, em colaboração com a Autoridade Monetária de Macau, novas medidas de controlo de fluxos de capitais, incluindo um sistema de monitorização em tempo real que passe a pente fino as transferências electrónicas realizadas através do sistema “UnionPay”. Li Gang negou a existência de qualquer iniciativa de reforço da vigilância, realçando que não tem conhecimento sobre tal situação.
O representante do Governo Chinês na RAEM rejeitou a necessidade de Pequim avançar com medidas de apoio ao sector do Jogo. É que embora as receitas estejam a diminuir no cômputo geral, nas salas de apostas comuns, focalizadas no mercado de massas, a tendência tem sido de subida.
Li Gang lembrou ainda que todas as previsões apontam para que a queda das receitas possa ser invertida em meados do ano. Nas mesmas declarações, o responsável frisou que apesar da aposta do território na diversificação económica é “essencial” não limitar o desenvolvimento do jogo. O responsável sublinhou, ao invés, que o desenvolvimento “saudável” do Jogo poderá ajudar ao objectivo de diversificar a economia.
Li Gang falava aos jornalistas à margem de uma cerimónia comemorativa do 65º aniversário da Fundação da Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM). Marcaram ainda presença no evento o Chefe do Executivo, Chui Sai On, e o vice-presidente da Conferência Consultiva Política do Povo Chinês, Edmund Ho.




