Após ter estado fechado durante dois anos para reparações depois de um incêndio, o Pavilhão Budista Zhengjiao Chanlin do Templo de A-Má surpreendeu muitos crentes que costumam frequentar o local de culto ao revelar paredes pintadas de verde água, ao invés do anterior amarelo. A mudança foi aprovada pelo Instituto Cultural e a associação que gere o local indicou que a verdadeira cor foi detectada devido ao incêndio

 

Liane Ferreira

 

O novo Ano Lunar não trouxe apenas uma mudança no signo chinês, mas também de visual no Pavilhão Budista Zhengjiao Chanlin do Templo de A-Má. Anteriormente vermelho, o local de culto foi afectado por um incêndio, motivado por um curto-circuito numa lâmpada, e as paredes queimadas acabaram por mostrar a cor original do interior do pavilhão: verde água.

A pintura pode ter passado despercebida junto de muitos turistas, mas surpreendeu alguns crentes habituais do templo, que se questionaram sobre a mudança de cor do monumento listado pela UNESCO como Património Mundial.

Segundo o jornal de língua chinesa “Macau Times”, os danos do incêndio nas paredes colocaram a descoberto a cor original das paredes, que, afinal, há centenas de anos não era vermelho nem amarelo mas sim azul ou verde.

O Man Seng, presidente do conselho da Associação do Templo de  A-Má responsável pela gestão do espaço, disse terem encontrado em Hong Kong informações históricas, segundo as quais uma pintura de Marciano António Baptista, aprendiz de George Chinnery, mostra as paredes do pavilhão em tons de verde a azul. A este facto adicionam-se as paredes queimadas do pavilhão que indicavam que a cor original não era o vermelho.

Assim, com aprovação do Instituto Cultural (IC), durante as reparações do pavilhão, as paredes foram pintadas de verde água.

Lamentando que apenas os cidadãos mais velhos tenham interesse em continuar a cuidar do templo, O Man Seng afirmou que actualmente apenas descendentes de três famílias continuam a tomar conta do local. O responsável que já se encontra reformado apelou aos jovens para se envolverem mais no tratamento do templo.

O mesmo responsável salientou ainda que tanto a associação como Instituto Cultural foram alvo de fortes criticas após o incêndio, tendo o organismo dado ordens à entidade gestora do templo para assumir todas as responsabilidades com a manutenção do local. No entanto, tanto no templo como no IC eram poucas as informações existentes, pelo que a associação teve de avançar com pesquisas sobre o próprio espaço religioso.

Por outro lado, as mudanças de liderança no IC levaram a atrasos nos processos de aprovação das obras de restauro, disse O Man Seng, ao justificar o facto de terem sido necessários dois anos para recuperar o pavilhão.

O pavilhão reabriu ao público no dia 8 de Fevereiro, mesmo a tempo das festividades do novo Ano Lunar, durante as quais o templo é local de romaria para pedir saúde para a família.

O Templo de A-Má já existia antes do estabelecimento da cidade de Macau, acreditando-se que foi construído por comerciantes da região do Delta do Rio das Pérolas na esperança de que os seus negócios marítimos e as viagens corressem em segurança. Composto pelo Pavilhão do Pórtico, o Arco Memorial, o Pavilhão de Orações, o Pavilhão da Benevolência, o Pavilhão de Guanyin e o Pavilhão Budista Zhengjiao Chanlin, o templo abarca a veneração de diferentes divindades, formando um complexo único. Tal, torna o templo “num caso exemplar da cultura chinesa inspirada pelo confucionismo, pelo tauismo, pelo budismo e por múltiplas crenças populares”, dizem os Serviços de Turismo. Ao longo dos tempos, o local foi sendo renovado pela comunidade.