Um incêndio num imóvel privado classificado como património obrigou ontem as autoridades a mobilizarem dezenas de bombeiros e a interromperem o trânsito de veículos na Avenida Almeida Ribeiro durante três horas e meia, sendo que, segundo o Corpo de Bombeiros, não houve registo de feridos. Sobre o sucedido, Leong Wai Man lembrou que o Governo realiza pelo menos duas inspecções anuais aos edifícios classificados. Por outro lado, a presidente do Instituto Cultural explicou que, relativamente às propriedades privadas, a capacidade de acção das autoridades é mais limitada
PEDRO MILHEIRÃO
Na madrugada de ontem, por volta das 05:00, deflagrou um incêndio no sótão de uma loja de um edifício situado na Avenida Almeida Ribeiro, que obrigou ao encerramento total do trânsito. Segundo indicou ao Jornal TRIBUNA DE MACAU um porta-voz do Corpo de Polícia de Segurança Pública, o trânsito esteve completamente cortado entre as 05:30 e 09:00, tendo depois reaberto apenas para autocarros, até às 14:15, altura em que os restantes veículos puderam voltar a circular na San Ma Lou.
De acordo com o Corpo de Bombeiros (CB), não foram registados feridos nem houve necessidade de evacuações nas imediações. Uma vez que o imóvel em causa está classificado como património, o Instituto Cultural (IC) terá agora de averiguar a situação do edifício, segundo afirmou ontem Leong Wai Man.
Questionada sobre o estado de manutenção e o historial de vistorias do prédio, a presidente do IC explicou que “todos os imóveis classificados fazem duas inspecções por ano”. Além disso, em situações excepcionais, como em casos de tufões ou outras calamidades, essas fiscalizações são reforçadas, assegurou Leong aos jornalistas, durante uma conferência de imprensa sobre a reunião do Conselho Consultivo para o Desenvolvimento Cultural.
“Quando tivermos condições, iremos entrar em contacto com o proprietário, com a Direcção dos Serviços de Obras Públicas ou outros serviços competentes”, adiantou Leong Wai Man. “Este imóvel está inserido num conjunto arquitectónico. Em termos de conjuntos arquitectónicos, exigimos que todo o conjunto tenha uma fisionomia unificada, fechada e idêntica. Portanto, também temos de averiguar se os prédios adjacentes foram ou não afectados”, elaborou a responsável.
“Depois, de acordo com as instruções relativas à recuperação, à manutenção dos edifícios classificados, terão de seguir as normas, em termos de cor, materiais, entre outras”, esclareceu a dirigente do IC, que ainda revelou que as autoridades não tinham conseguido entrar em contacto com o proprietário até ao momento.
“Claro que temos de perceber que em Macau existem, actualmente, cerca de 600 edifícios classificados. Muitos deles são conjuntos de edifícios e pertencem a privados, pelo que não estão abertos ao público. Por isso, durante as acções de fiscalização, é difícil entrar nas propriedades privadas para conhecer a situação”, admitiu a responsável.
“Quando é propriedade privada, o que podemos fazer é garantir a fiscalização da fachada, se está bem mantida e se a sua estrutura aperenta estar segura”, continuou Leong. Noutros casos, “em que possam causar ou provocar riscos de segurança, podemos fazer mais em termos de apoios, divulgação e pensar que mecanismos podemos implementar para poder fiscalizar também o interior destes imóveis”, disse.
Numa próxima fase, as autoridades tencionam apelar aos proprietários privados para sensibilizá-los em relação aos riscos de fogo, partilhou a líder do IC. “Em conjunto com o CB, vamos também observar a situação dos bairros antigos e estudar como é que podemos reforçar a recuperação”, projectou. Relativamente ao subsídio de recuperação de imóveis, Leong afirmou que o proprietário em causa terá o direito de o solicitar, tendo ressalvando, no entanto, que dependerá dos danos da urgência da situação.
Em termos operacionais, o CB mobilizou para o local 44 bombeiros, 10 veículos e um drone, sendo que o condicionamento do trânsito afectou 17 carreiras de autocarros. Segundo os Bombeiros, o fogo foi provocado por um curto-circuito no cabo de um aparelho de ar condicionado, que obrigou a Companhia de Electricidade de Macau a cortar o fornecimento de electricidade, de modo a auxiliar a entrada dos bombeiros no prédio.
Pelas 10h30 da manhã, o CB já tinha extinto o fogo, que afectou uma grande parte do 2º e 3º andares. Ao início da tarde, os objectos e as grades de janelas em risco de queda já tinham sido removidos, altura em que a circulação do trânsito na área afectada regressou ao normal.






