O ex-Governador de Macau Garcia Leandro acredita que a comunicação social em língua portuguesa no território tem vindo a melhorar e que, sendo uma marca cultural, também pode contribuir para benefícios económicos

 

Garcia Leandro considera que o papel da imprensa portuguesa em Macau, como no resto do mundo, é importante para a presença da cultura da Língua Portuguesa. “Em sítios onde houve uma presença portuguesa forte, como aqui em Macau, ao longo de muito tempo, tem de deixar raízes”, comentou.

O presidente da Fundação Jorge Álvares, instituição que patrocina os Prémios da Lusofonia – instituídos em 2017 pelo Jornal Tribuna de Macau em parceria com o Clube Português de Imprensa, com o patrocínio daquela Fundação e este ano também com o apoio do JL – Jornal de Artes, Letras e Ideias – vai estar presente na entrega do reconhecimento aos vencedores no Clube Militar, amanhã, pelas 18h30. Recorde-se que, nesta segunda edição, o júri entendeu premiar Catarina Brites Soares e António Aresta na vertente de Jornalismo e Ensaio da Lusofonia, respectivamente.

“É importante ter vindo a assistir-se em Macau a uma melhoria da comunicação social portuguesa, que 20 anos passados do governo português se mantém”, disse à TRIBUNA DE MACAU, fazendo referência aos três jornais diários, semanário bilingue, semanário da igreja católica, e aos canais de rádio e televisão. “É uma marca muito grande de transmissão da cultura, da vida, da maneira de ser. Porque a língua é a forma de todos nós”, sublinhou.

Nesse seguimento, indicou que esta presença larga de comunicação social portuguesa numa população de número reduzido pode até causar admiração. Relativamente ao apoio financeiro dado pelo Governo aos meios de comunicação disse ser algo benéfico, “no sentido em que respeita essa entidade específica de Macau onde a presença portuguesa foi uma marca na construção”.

“Macau não seria o que é hoje se não tivesse havido a presença portuguesa. E às vezes não era tanto o número mas a qualidade de algumas pessoas que passaram por cá, e de algumas coisas que se fizeram. Portanto, é de reconhecer e apoiar essa decisão do Governo da RAEM, mas não deixa de haver uma justificação para isso”, concluiu Garcia Leandro.

Por outro lado, o crescente investimento do território e da própria China no ensino do Português tem também um valor económico. O ex-Governador considera que se a China está a desenvolver um projecto de desenvolvimento à escala mundial em áreas tão diversas como infra-estruturas, comunicações, transportes, banca e tecnologia, o Português é útil na medida em que “é uma língua pequena na Europa, mas é grande no mundo”, sendo mesmo uma das mais faladas no hemisfério sul.

 

A importância de “reviver memórias”

No fim-de-semana, o ex-Governador esteve no Albergue SCM, onde trocou impressões sobre cultura, defesa do património, edições de livros, fixação de memórias lusas, a cidade e as pessoas que tornaram Macau relevante. Visitou as instalações do Albergue e também o bairro de São Lázaro, a “que de certa forma como Governador esteve ligado à sua primeira classificação”, comentou Carlos Marreiros à TRIBUNA DE MACAU. Isto, já que a primeira cartografia do património a preservar em Macau foi realizada durante o tempo em que Garcia Leandro era Governador, tendo o bairro sido classificado como património local em 1976. Entre outras visitas, Garcia Leandro também esteve na Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau. Foi uma oportunidade de “reviver memórias da governação do ex-Governador que continua a granjear muitas simpatias locais nos seus anos de governação desde 1974 e 1979 como primeiro governador depois do 25 de Abril”, destacou Pereira Coutinho, presidente da ATFPM, que aproveitou o evento para referir a importância do ambiente multilingue no desenvolvimento de Macau, tendo em conta o seu contexto histórico e cultural.

 

S. F.