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Chama-se “Macau Patua” e consiste num encontro em que os presentes têm a possibilidade de experimentar algumas das especialidades gastronómicas de Macau. O projecto, criado por Lau Suet-Ming e Annabel Jackson, pretende expandir-se no futuro para um café ou restaurante no coração de Londres

 

Pedro André Santos

 

20150311-08cPara além dos casinos, Macau é também conhecida pela sua cultura e riqueza gastronómica, duas referências que, por vezes, acabam por passar algo despercebidas fora do território. No entanto, existe quem continue a promover alguns dos pratos tradicionais da cozinha do território no estrangeiro, tendo nascido, no final do ano passado, um novo projecto em Londres. Chama-se “Macau Patua” e é gerido por Lau Suet-Ming, “chef” de Hong Kong, e Annabel Jackson, uma britânica apaixonada pela cultura macaense.

No início do ano, a dupla decidiu adoptar encontros mensais com grupos de pessoas locais para uma “experiência única” com algumas das delícias macaenses. Annabel “abre as hostilidades” com um pequeno discurso para os presentes, em grupos com cerca de uma dúzia de pessoas, enquanto que a cozinha estará a cargo de Lau Suet-Ming. “O ‘Macau Patua’ é um evento estruturado como um encontro onde as pessoas podem conversar e comer, concebido para apelar aos interessados nas diversas culturas e história. Existe pouca informação disponível sobre a cultura de Macau, para além da indústria do jogo, e ainda menos sobre a sua gastronomia. ‘Macau Patua’ irá disponibilizar aos presentes informação sobre esses aspectos de Macau, sendo uma oportunidade rara para as pessoas de Londres poderem experimentar a gastronomia macaense”, disse Suet-Ming, em entrevista ao JORNAL TRIBUNA DE MACAU.

A “chef” conheceu Annabel quando estavam ambas em Hong Kong, tendo nascido desde logo uma amizade entre as duas. Agora, mais de uma década depois, surgiu “Macau Patua”, evento que decorre uma vez por mês. “O local é pequeno mas muito agradável, e situa-se no centro de Chinatown, em Londres. É uma experiência íntima, semelhante a um jantar privado, mas muito melhor”, acrescentou Suet-Ming.

Por 40 libras (cerca de 480 patacas), os interessados poderão deliciar-se com gambas à Macau, pastéis de bacalhau, porco balichão tamarinho, galinha à cafreal e até pastéis de nata, sendo que a galinha é o prato mais popular na ementa para os presentes, contou a cozinheira. “A resposta das pessoas tem sido muito positiva, adoram a comida e gostam muito da forma como eu e a Annabel interagimos com eles. Para além disso, ficam a conhecer mais sobre a cultura de Macau e até do vinho português”, disse Suet-Ming.

Em relação aos ingredientes, a “chef” adianta que não são muito difícil de arranjar em Londres, embora existam algumas excepções. “É mais dispendioso ter bolos de amêndoa nos jantares, mas prefiro assim porque são muito típicos e famosos na gastronomia de Macau. O problema é que não existem marcas de qualidade nos supermercados chineses aqui, pelo menos na minha opinião”, lamentou a “chef”. “Já fiz vários contactos para os importar de Macau mas nem respondem, não devem ter interesse, talvez porque as companhias já têm muito sucesso na Ásia e não precisam. Pessoalmente, se tivesse uma marca com tamanho sucesso ficaria contente por exportar para fora”, referiu.

 

De olhos no futuro

Apesar de já terem planeado o ano, com pelo menos um evento mensal, a dupla está já focada em subir o próximo degrau, elevando ainda mais o nome da gastronomia macaense em Londres. “O nosso plano é abrir um café especializado em comida de Macau. Quando tal poderá acontecer ainda é uma incógnita, Londres é uma cidade muito cara. Estou atenta a oportunidades de negócio e quero ver até onde eu e a Annabel poderemos levar este nosso projecto”, disse Suet-Ming, referindo-se a “Macau Patua”.

A “chef” oriunda de Hong Kong lamentou ainda não haver qualquer sinal da comunidade macaense na capital inglesa. “Se conseguisse encontrar mais pessoas ficaríamos muito contentes por organizar estes encontros e partilhar com eles [macaenses]”, disse Suet-Ming, mostrando-se disponível para ser contactada por pessoas de Macau que estejam a viver em Londres, até porque a possibilidade de chegar à comunidade macaense é um dos objectivos de “Macau Patua”.