Em dupla com a artista polaca Marta Stanisława Sala, o antropólogo visual local Cheong Kin Man apresentou na feira de livros internacional “Miss Read Berlin” uma série de publicações artísticas acerca da criação de uma linguagem “utópica” composta por mais de dois mil ideogramas fictícios criados desde 2022.

Com mais de 340 expositores de 50 países, “Miss Read”, ocorreu no passado fim-de-semana, entre os dias 11 e 13 de Outubro, na Casa das Culturas do Mundo (HKW na sigla alemã). A HKW foi um presente dos EUA para Berlim Ocidental em 1957 em plena Guerra Fria.

Com o fim de promover a igualdade linguística na capital alemã, o duo de Macau e da Polónia expôs a sua nova publicação artística, “Ein halbfiktionaler Crashkurs zur Orakelschrift” (em português, “Um Curso Intensivo Semi-Fictício sobre a Escrita Oracular”), com 24 posturas humanas ilustradas directamente inspiradas na antiga escrita chinesa.

“Beleza é relação de poder”, “o homem (o rato) é a Natureza” ou ainda “o homem (o rato) é o mundo que este pode imaginar” são algumas das declarações artísticas de Cheong e Sala que acomodaram os antiquíssimos ideogramas chineses “belo”, “homem” e “céu”.

Usado para incentivar o público comunicar com o corpo, o trabalho foi originalmente concebido para o mais recente “happening” artístico de línguas fictícias da dupla no seio do “Festival para o Bem-Estar Urbano… em redor do Bunker dos Ratos” em Setembro na capital alemã, tendo o apoio do Senado de Berlim. A mesma iniciativa terá lugar no Atelier Artéria de Lisboa, em 22 de Novembro, a convite e com a curadoria de Lorena Tabares Salamanca.

Representado por “Suaveart”, empresa de consultoria de arte com sede em Taipé, o também casal ainda deu a conhecer vários outros trabalhos do seu projecto linguístico, incluindo “Apocalipses”, livreto em português encomendado para a Bienal de Macau do ano passado, bem como “Twenty Exercises for the Body to be the Soul’s Companion”, da artista local Joein Leong, e a reedição artística “Da Sampana ao Jactoplanador, da Cadeirinha ao Automóvel”, de Jorge Cavalheiro, que Cheong Kin Man coordenou em 2011.