Pela primeira vez, vão ser retiradas as sete estátuas de bronze na fachada das Ruínas de São Paulo com vista à sua reparação. Numa fase inicial, serão recuperadas apenas duas. O Instituto Cultural apresentou ontem também o plano de restauro dos muros da Fortaleza do Monte além de uma plataforma de informação sobre o Património que visa contar com a participação de toda a população

 

Viviana Chan

 

O Instituto Cultural (IC) vai iniciar as obras de reparação das estátuas de bronze das Ruínas de São Paulo a partir de Dezembro. A informação foi avançada na Reunião Plenária do Conselho do Património Cultural, tendo o organismo referido que a recuperação será feita por fases.

A primeira etapa envolverá a limpeza e restauro de duas das sete figuras de bronze. As estátuas vão ser reparadas no local, através da criação de um espaço para o efeito junto às Ruínas de São Paulo, por forma a minimizar os riscos de danos através do transporte. As estátuas vão ser retiradas com recurso a uma plataforma elevatória que será instalada atrás do monumento.

Em declarações aos jornalistas, Leong Hio Ming disse prever que a reparação das duas estátuas fique concluída no espaço de um mês. Quanto às restantes figuras, só deverão ser alvo de intervenção em 2018. Este trabalho de reparação já foi declarado à Administração Estatal do Património Cultural da China e à UNESCO.

A chefe do Departamento Património Cultural, Leong Wai Man, revelou que os custos da primeira fase de reparação deverão ascender a 900 mil patacas. “As outras estátuas são mais altas, portanto, temos de fazer um plano concreto para saber como iremos retirá-las”.

As fezes dos pássaros, a humidade e as substâncias químicas resultantes das chuvas ácidas são as principais causas de danos às estátuas de bronze, apontou o chefe substituto da Divisão da Salvaguarda do Património Cultural, Choi Kin Lung.

Para manter a imagem do monumento, o IC planeia colocar uma fotografia da estátua em falta durante a sua reparação e, mais tarde, serão instaladas redes transparentes para impedir os pássaros de poisar em cima das Ruínas de São Paulo.

Na mesma reunião, foi apresentado o plano de reparação dos muros da Fortaleza do Monte, uma vez que têm perdido estabilidade por estarem a escamar, ficando cada vez menos sólidos. A reparação de uma parte já foi concluída e o muro reparado acabou por ser pintado de branco, o que não se coaduna com a antiguidade do monumento, facto que levou alguns vogais do conselho a questionar o IC sobre a matéria.

Por outro lado, foi ontem lançada uma Plataforma Pública de Informação sobre o Património Cultural a fim de implementar os trabalhos de protecção do Património de forma mais eficaz e incentivar a participação de toda a população para salvaguardar, em conjunto, o Património. Com esta plataforma, os residentes poderão alertar de imediato o IC caso verifiquem danos nos edifícios, ou se apercebam de factores que os coloquem em risco.

O organismo promete acompanhar de perto as notificações dos residentes no site e o resultado do acompanhamento das situações denunciadas deverá ser publicado nessa plataforma.

 

Consulta sobre Lai Chi Vun ainda sem calendário

O presidente do Instituto Cultural admitiu ontem que ainda não há um calendário para a consulta pública sobre os Estaleiros de Lai Chi Vun, embora acredite que a classificação possa ocorrer antes da divulgação da segunda lista de imóveis classificados como Património de Macau, que deverá incluir 13 itens. “O processo administrativo tem várias fases, temos de seguir os passos”, sublinhou Leong Hio Ming, notando que o planeamento é feito pelos Serviços de Obras Públicas.