O Instituto Cultural vai informar a UNESCO sobre o incidente na Igreja de Santo Agostinho, onde ruiu parte do telhado. Garantindo que irá aumentar as exigências de protecção, o organismo avançou ainda ao JORNAL TRIBUNA DE MACAU que vai levar a cabo uma revisão global dos edifícios patrimoniais

 

Liane Ferreira

 

Devido “ao impacto do vento e das chuvas nos últimos dias, parte da estrutura de madeira e telhas do telhado da nave lateral direita do segundo andar da Igreja de Santo Agostinho ruiu”, começou por justificar o Instituto Cultural (IC) no dia seguinte ao incidente que levou o Corpo de Bombeiros a responder a um novo problema com o Património de Macau classificado pela UNESCO.

Segundo o IC, foram activados todos os “procedimentos de emergência” estando programada para ontem a conclusão dos trabalhos de limpeza do local. Seguir-se-á a “instalação de andaimes para protecção provisória, de modo a garantir a segurança e a prevenir a entrada de água no interior do edifício”.

O passo seguinte é elaborar o “projecto de recuperação do telhado e inspecção global da Igreja, com base no princípio de devolver o antigo à sua forma antiga”, no entanto, segundo uma resposta do IC ao JORNAL TRIBUNA DE MACAU “o custo necessário relevante” para a reparação só será definido de acordo com o resultado da inspecção.

A UNESCO será informada sobre o incidente, já que a igreja está incluída no conjunto do Património Mundial classificado.

“Em resposta a este incidente, [o Governo] irá fazer uma revisão global dos edifícios patrimoniais de Macau e investirá mais recursos na inspecção do mesmo”, assegurou o IC a este jornal, apelando aos residentes para darem mais atenção ao estado do património durante “o tempo instável”.

De acordo com o IC, “em Maio de 2015, foi levada a cabo a inspecção do telhado do pavilhão principal e em Setembro do mesmo ano, foram realizadas obras de recuperação”. Tal foi feito dentro do sistema de inspecção do património, criado em 2008 e que inclui “monitorização e inspecção regular”.

O IC garantiu que desde a “chegada da temporada de chuva procedeu intensivamente as inspecções do património”, e lembrou que, de acordo com o espírito da Lei de Salvaguarda do Património Cultural, “os proprietários e os usuários têm a obrigação de proteger o património a todo o custo”.

Questionado sobre a cooperação com a entidade que gere o espaço, a Igreja Católica, o organismo declarou que “mantém uma comunicação activa com a associação da Igreja, a fim de tomar medidas eficazes de protecção”.

Apesar disso, o IC assegura que “irá reforçar a comunicação com os proprietários, aprofundar a consciência da salvaguarda do património, bem como aumentar as exigências relacionadas com a mesma”.

Nesse sentido, será feita uma “revisão profunda dos procedimentos” para promover a protecção de “forma mais ampla através de vários canais”.