O Instituto Cultural avança no sentido da classificação dos estaleiros navais de Lai Chi Vun, tendo apresentado no Conselho do Património Cultural um projecto onde propõe a divisão da área em cinco zonas de protecção. Os critérios de preservação deverão respeitar a fisionomia da zona naval, mas à excepção de três estaleiros a possibilidade de demolição mantém-se

 

Salomé Fernandes

 

Depois de caminhar para a revitalização da zona naval dos estaleiros de Lai Chi Vun, o Instituto Cultural (IC) assume uma postura mais forte e avança com um projecto preliminar de classificação do bem imóvel, que divide o local em cinco zonas de protecção. Mas no plano apresentado ontem em reunião do Conselho do Património Cultural, a demolição permanece uma hipótese para a maioria dos estaleiros.

“Como tem as suas próprias características particulares, foi sugerida uma restauração específica, porque certas zonas vão fazer um restauro de acordo com as condições originais, para continuar a manter a fisionomia da zona”, comentou a presidente do IC, Mok Ian Ian.

A primeira zona prevê a preservação completa das estruturas de três estaleiros, bem como da fábrica de Calafete (onde se vedavam as juntas dos navios). Na zona dois, os sete estaleiros abrangidos ficam sujeitos a “reestruturação e revitalização” de acordo com as suas características.

Já a zona três deverá “manter as características dos espaços abertos com a reestruturação e revitalização de acordo com as características dos estaleiros”. Uma quarta área implica manter protegida a água circundante, e na última zona, onde a protecção é alargada em direcção à colina, tem de respeitar uma directiva da DSSOPT que especifica, por exemplo, que os imóveis não podem exceder uma altura de 8.9 metros.

Em Junho, 14 dos 17 membros do Conselho mostraram-se contra a classificação dos estaleiros como património cultural. Mas mais tarde, os resultados da consulta pública mostravam que a população tinha uma opinião distinta, já que 82% das opiniões recolhidas se mostravam a favor. Segundo indicou Mok Ian Ian, nesta reunião os membros do Conselho concordaram com as propostas apresentadas pelo IC.

Ainda assim, o conceito de revitalização da área inclui a possibilidade de demolição de estaleiros no futuro. O processo de classificação, agora apresentado não prevê ainda de que forma será feita a revitalização de parte do espaço. Essa fase incluirá a cooperação de outros serviços, nomeadamente as Obras Públicas. Leong Wai Man referiu que o IC não tem qualquer posição sobre a demolição, mas que “o ideal é fazermos a revitalização”, desde que sejam respeitados o projecto de concepção e a segurança pública.

Aquilo que está de momento em causa é o procedimento de classificação da zona naval como “sítio”, o que de acordo com a Lei de Salvaguarda de Património Cultural se entende por “obra do homem ou obra conjugada do homem e da natureza, notável pelo seu interesse cultural relevante, incluindo locais de interesse arqueológico”.

A hipótese anteriormente colocada de construção de hotéis na zona foi posta de parte pelo Instituto Cultural, tendo a vice-presidente indicado que o organismo está focado em criar museus ou salas para exposições associadas às indústrias culturais e criativas.

De recordar que o procedimento de classificação tem de ser completado até 15 de Dezembro, mas o IC espera antecipar a sua finalização. A reunião de ontem, em que quatro membros do CPC não participaram, voltou a ser à porta fechada. A justificação apresentada pela vice-presidente do IC foi de que nas reuniões há “assuntos mais privados” a tratar, que “incluem proprietários individuais ou privados”, pelo que nem toda a informação pode ser divulgada. Apesar disso, Leong Wai Man garantiu que não foi recebida nenhuma declaração de interesse de membros do Conselho.

Este sábado vai realizar-se uma sessão de esclarecimento sobre a revitalização e preservação dos estaleiros navais de Lai Chi Vun, às 10h, no auditório do Museu de Arte de Macau, com tradução simultânea em português e chinês. O encontro vai contar com a presença de peritos e académicos para partilharem exemplos de revitalização e preservação do património industrial de diferentes regiões de forma a servirem de referência aos trabalhos que decorrem em Macau.