Mais de meio ano depois de o Comissariado de Auditoria ter tecido duras críticas à gestão do acervo bibliográfico e às condições em que milhares de livros estavam guardados, o Instituto Cultural tem ainda 4.000 volumes de livros no processo de catalogação que deve ficar concluído “a curto prazo”. No que respeita aos depósitos de livros, o organismo assegura ter estabelecido “novas instruções” em relação aos trabalhos de limpeza
INÊS ALMEIDA
Dos 100.000 livros e materiais das bibliotecas públicas que estavam “registados mas não catalogados ou em vias de arrumação”, segundo denunciou em Maio do ano transacto um relatório do Comissariado de Auditoria, há ainda 4.000 volumes no processo de catalogação, avançou o Instituto Cultural (IC) à TRIBUNA DE MACAU.
“De acordo com as últimas estatísticas, do final de 2018, quase 95% dos 100.000 livros e materiais foram catalogados e estão disponíveis nas estantes das bibliotecas para empréstimo”. No entanto, “existem ainda 4.000 volumes de livros no processo de catalogação, sendo concluídos todos os trabalhos a curto prazo”, promete o organismo numa resposta a este jornal.
Aquando da publicação do relatório do Comissariado de Auditoria, o IC indicou que já tinham sido catalogados quase 70.000 títulos e que os restantes 30.000 seriam alvo do mesmo processo até ao fim do ano passado.
Por outro lado, IC garante que “procedeu a uma avaliação abrangente e rigorosa sobre a melhoria da gestão da Biblioteca Pública e envidou esforços na implementação das medidas de melhoramento, incluindo do espaço dos depósitos do acervo da biblioteca e a utilização do sistema automático para optimizar a gestão das colecções”.
Ao mesmo tempo, têm vindo a ser introduzidos “uma série de novas tecnologias e serviços de biblioteca, incluindo o auto-serviço de empréstimos e devolução de livros, a digitalização e fotocópias por auto-atendimento, os serviços de pagamento electrónico, a aplicação de telemóvel ‘BookMyne’ para verificar as colecções das bibliotecas públicas e os serviços ‘Leitura em Primeira Mão’, para reservar livros novos que ainda não estão colocados nas estantes”.
No que respeita aos dos depósitos de livros, cujas condições também mereceram reparos por parte do Comissariado de Auditoria, o IC asseverou que entre 2014 e 2018 foram executadas obras de melhoramento e renovação em ambos, além de terem sido adquiridos “desumidificadores de diferentes tamanhos, um congelador de extermínio e outros equipamentos especiais”, incluindo um equipamento de
registo de dados referentes à humidade. “Simultaneamente, foram estabelecidas novas instruções de supervisão dos trabalhos de limpeza para exortar as empresas subcontratadas a realizarem os serviços adequadamente”.
O organismo liderado por Mok Ian Ian salienta também que, no processo de implementação efectiva de “uma actuação mais profissional” e do desenvolvimento da ‘Biblioteca Inteligente”, as bibliotecas públicas irão “suplementar, integrar e optimizar os recursos humanos relevantes em resposta às necessidades reais e melhorar ainda mais a eficácia da gestão”.
Processo disciplinar em curso
De recordar que, na sequência do relatório do Comissariado de Auditoria, foi instaurado um processo disciplinar à chefe do Departamento de Gestão de Bibliotecas Públicas do IC, Tang Mei Lin. Apesar de a presidente do IC ter indicado, em Agosto, quando foi conhecida a decisão de instaurar um processo, que todos os trâmites deveriam ser finalizados até ao final do ano passado, na resposta a este jornal o organismo revelou que “o processo está em curso” e que as “informações pertinentes” serão publicadas assim que ficar concluído.
No relatório referente à gestão das Bibliotecas Públicas, o Comissariado de Auditoria focou a atenção em dois pontos específicos: as falhas na catalogação dos livros do acervo público e as condições dos armazéns onde são mantidos milhares de publicações.
Segundo o Comissariado, até ao final de Maio de 2017 existiam cerca de 100.000 documentos “registados mas não catalogados ou em vias de arrumação”, sendo que a maioria se encontrava nessa condição há mais de cinco anos, outros há mais de 17. Como “principal catalisador” de toda esta situação, o relatório apontou “o pessoal dirigente e a sua passividade, tanto no não aproveitamento do sistema informático como na sua tolerância perante o facto de haver livros que há 17 anos se encontram por processar”, situação considerada “absolutamente inaceitável”.
O documento censurou também o ambiente nos dois depósitos de livros situados em edifícios industriais, descrevendo-o como “absolutamente repugnante”.
“BIBLIOTECAS INTELIGENTES” EM DESTAQUE NA REVISTA DO IC
A primeira edição deste ano da revista “Os Livros e a Cidade”, da Biblioteca Pública de Macau, já está disponível e aborda a questão das “bibliotecas inteligentes, explorando as formas de integrar as inteligências e mão-de-obra para optimizar os serviços e criar um ambiente de leitura favorável”. Para o efeito, segundo referiu o IC, foram entrevistados dois funcionários do Departamento de Informação e Tecnologia da Biblioteca Pública, que estão mais familiarizados com esta área. No espaço “Fala o Autor”, a ilustradora Yolanda Kog apresenta a sua primeira publicação individual. Espaço ainda para dar a conhecer os novos lançamentos tanto ao nível de livros como filmes, músicas e revistas. A publicação tem uma tiragem de 3.000 exemplares.



