O plano apresentado pela Companhia de Corridas de Galgos de Macau sobre o futuro dos cães foi chumbado pelo Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM), depois da empresa ter solicitado a permanência no Canídromo por mais um ano. A nova proposta terá de ser apresentada esta semana e o IACM mostrou limitações sobre a capacidade de fiscalização do tratamento dos animais. No seu site oficial, a Yat Yuen apela ao apoio do público e à adopção dos animais, quer a título individual, quer por parte de associações e pede “tempo” para a conclusão do trabalho de encerramento da actividade do Canídromo

 

Inês Almeida e Salomé Fernandes*

 

A Companhia de Corridas de Galgos de Macau (Yat Yuen) terá de apresentar até sexta-feira, dia 8, um novo plano ao Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (IACM) para o realojamento dos cães de corrida. O plano entregue na quinta-feira pedia o prolongamento da saída do Canídromo por mais um ano, tendo, por isso, sido rejeitado pelo IACM. “Achamos que um ano é inaceitável porque já sabiam há dois anos que em finais de Julho teriam de sair do Canídromo. Não tenho poder para estender nem mais um dia, o IACM não tem essa capacidade”, disse José Travares, presidente do organismo, em declarações aos jornalistas.

A Yat Yuen apresentou duas soluções: a adopção e o deslocamento dos animais para outro espaço. Este espaço, segundo indicou o presidente do IACM, se pertencer à empresa, tanto pode ser dentro como fora da RAEM. “Essas opções são viáveis dentro da lei em vigor de protecção dos animais, desde que cumpram os detalhes das diversas alíneas. Temos todo o empenho em fazer bem as coisas, daí que estejamos dispostos a disponibilizar qualquer apoio técnico para esta operação, podem contar connosco, mas na carta frisaram por várias vezes que são uma companhia responsável” e vão assumir a total despesa dos mais de 600 cães até a situação ficar resolvida, comentou.

Por sua vez, o presidente do IACM afastou responsabilidades de fiscalização no processo. “Nós vamos fazer com que o Canídromo cumpra o que está prometido, dentro da lei são os donos dos cães. Todo o processamento que fizerem à posteriori têm de dar garantias. Se levarem metade dessas crias para a China para um empreendimento que estejam a fazer agora, eles é que têm de se certificar que os cães estão bem tratados”, disse, acrescentando “não posso ir lá com os meus fiscais fiscalizar aquilo”.

As garantias terão de ser providenciadas pela Yat Yuen ou as instituições que decidirem adoptar os galgos. Questionado sobre que garantias são essas, José Tavares respondeu simplesmente que pelo menos terão de dar a conhecer “qual é o espaço físico, em que condições estão, qual é o cenário das coisas”, e que a fiscalização é uma responsabilidade partilhada também com a imprensa e organizações como a ANIMA.

Relativamente às preocupações levantadas sobre o que aguarda os galgos para lá da fronteira, o responsável considerou “errada” a “teoria da ANIMA de incutir a responsabilidade ao Governo. “A responsabilidade é do Canídromo, eles é que são os donos dos cães. Nós fiscalizamos enquanto os cães estiverem aqui, fora de Macau não conseguimos fazer nada”, declarou. Os animais podem, inclusivamente, ser enviados para a China sem aprovação prévia do IACM do local a que se destinam, sendo apenas necessária autorização do Governo Central.

No entanto, José Tavares alertou que levar os galgos para a China Continental implica certificações e quarentena, o que requer meses de preparação. Por isso, apesar do IACM disponibilizar apoio técnico no tratamento dos papéis de transporte, a empresa terá “de pensar em realojar os cães primeiro para dar tempo para fazer o restante das coisas”.

 

Yat Yuen lança apelo ao público

Na sexta-feira de manhã, a página electrónica do Canídromo disponibilizava já formulários que podem ser preenchidos por quem pretender adoptar galgos, bem como um texto apenas em chinês, no qual a Yat Yuen refere que está a lançar um apelo ao apoio do público em três vertentes distintas: adopção dos cães a título individual ou colectivo, por parte de associações, e cooperação com projectos turísticos.

A Companhia de Corridas de Galgos frisou também que devido às especificidades da raça, estes cães precisam de treino para serem domesticados durante um período entre três a seis meses, uma vez que se tratam de animais que podem reagir bruscamente quando assustados. Além disso, a empresa promete criar um mecanismo de avaliação conjunta, a par do IACM, que determinará se estão aptos a ser adoptados.

O texto publicado indica que os galgos podem ser adoptados dentro e fora de Macau, no entanto, atenta a Yat Yuen, “diferentes regiões têm políticas diferentes em relação ao período de quarentena” dos animais. “Por exemplo, Taiwan exige que sejam feitas análises ao sangue e, só depois de seis meses, podem entrar” na Formosa. A companhia que gere o Canídromo asseverou ainda que já está a cooperar com organizações de Taiwan que podem dar o devido treino aos galgos para os transformarem em animais que “acompanham a vida das pessoas”.

Além disso, está a ser negociada com algumas companhias a possibilidade de desenvolver projectos turísticos envolvendo os galgos com o objectivo de potenciar um maior número de adopções, além de criar um melhor ambiente. Ao mesmo tempo, refere a nota, desta forma, as pessoas podem ficar a conhecer melhor a história das corridas de cães que se realizam no território há mais de 80 anos.

A Yat Yuen termina o comunicado a indicar que tem de abandonar o espaço do Canídromo até ao dia 21 de Julho e que para realizar os trabalhos necessário precisa de tempo e de disponibilizar mais recursos. Além disso, a empresa assegura que vai sustentar todos os custos relacionados com os cuidados a prestar aos galgos, por isso, espera que todos apoiem a ideia. Por último, é reiterado o apelo à adopção dos mais de 600 animais.

 

Governo sem plano para renovar licença da Yat Yuen

A Secretária para a Administração e Justiça indicou na sexta-feira que “o Governo não tem nenhum plano para renovar a licença de exploração da Companhia de Corridas de Galgos”. No que respeita aos 650 cães, Sónia Chan recordou que o Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais e a Direcção de Inspecção e Coordenação de Jogos abordaram a questão com a empresa, tendo sido apresentada uma proposta que deverá servir de base ao Executivo para tentar ajudar a Yat Yuen nos trabalhos de adopção.

 

ID quer alargar espaços desportivos do Canídromo

O presidente do Instituto do Desporto pretende alargar o espaço do Centro Desportivo Lin Fong, que funciona no mesmo local do Canídromo. Questionado sobre a intenção de aumentar as dimensões do campo desportivo, Pun Weng Kun frisou que a maioria do espaço deverá continuar a ser usada para a prática desportiva, no entanto, ainda não há um plano completo. Segundo o jornal “Ou Mun”, apesar de não haver um projecto concreto, a Direcção dos Serviços de Solos, Obras Públicas e Transportes já foi consultada e deverá fazer uma “avaliação global”, acredita Pun Weng Kun que voltou a sublinhar a necessidade de instalar mais infra-estruturas desportivas na Zona Norte.

 

* Com V.C.