Três meses após a apresentação de queixas junto de vários organismos governamentais e estes terem procedido a algumas negociações, o Hotel Altira aceitou baixar o nível de luz produzida por dois holofotes durante a noite e encurtar a projecção, de uma frequência diária para apenas aos fins-de-semana. Apesar disto, o ambientalista Joe Chan planeia entregar, a 22 de Abril, um abaixo-assinado ao Governo pedindo legislação que proíba o uso de holofotes para fins comerciais

 

Rima Cui

 

A “Macau Green Students Union”, liderada pelo ambientalista Joe Chan, mantém a intenção de entregar de um abaixo-assinado ao Governo pedindo legislação para proibir o uso de holofotes para fins comerciais, limitando-os a acções de resgate de emergência e em comunicações. A meta é recolher 500 assinaturas – até ontem, a petição online contava com 444 – mas o presidente da associação espera recolher 1.000 até 22 de Abril, Dia da Terra, em que vai submetê-lo às autoridades.

Ao Jornal TRIBUNA DE MACAU, Joe Chan revelou que a associação já conseguiu um êxito nas tentativas recentes contra a poluição luminosa. Três meses após a apresentação de queixas aos Serviços de Protecção Ambiental e Serviços de Turismo, e as negociações entre esses organismos e o Hotel Altira, o estabelecimento hoteleiro na Taipa aceitou baixar o nível da luz produzida pelos dois holofotes usados para fins publicitários, bem como encurtar o horário de projecção, passando a fazê-lo não todos os dias, mas apenas durante os fins-de-semana.

Segundo Joe Chan, a associação denunciou o uso de holofotes por parte de mais dois hotéis: Studio City e Galaxy, que recorrem a seis e a quatro holofotes, respectivamente. Estes produzem uma luz mais forte e são usados com maior e alta frequência. Contudo, até agora, nenhum dos dois estabelecimentos reagiu.

“Mesmo que conseguíssemos uma resposta com um resultado de melhoria, não estamos satisfeitos. Estamos muito cansados e já não queremos apresentar queixas caso a caso. A questão não deve ser uma coisa negociável debaixo da mesa. É altura do Governo fazer algo por iniciativa própria. Enquanto ambientalistas, não queremos sempre suplicar simpatia às entidades comerciais para usarem um pouco menos de luz à noite. A questão é que não devem usar luzes à noite como forma de cativar a atenção”, disse Joe Chan, frisando que o céu “é de todos os cidadãos”.

“Os holofotes usados à noite afectam gravemente o céu de Macau e perturbam os pássaros, os animais nocturnos e o descanso das pessoas. Usá-los é um comportamento de egoísmo. As luzes dos holofotes têm longa distância. Se um hotel usasse e os outros fizessem o mesmo, o nosso céu nunca mais teria sossego”, acentuou.

O ambientalista confessou sentir-se “desiludido” com o facto de somente poucas pessoas em Macau prestarem atenção à questão de poluição luminosa. “Muitos cidadãos consideram que a questão não tem a ver com eles porque não é um problema que lhes dói nem afecta a saúde, encarando como solução simplesmente o uso de cortinas”, lamentou.