Na segunda metade deste ano, os hotéis poderão registar uma “recuperação ligeira” nos negócios, antecipa a Associação dos Hoteleiros de Macau. Mas, segundo a vice-presidente, embora os hotéis não situados junto a casinos tenham mantido uma taxa de ocupação de até 60% após o Ano Novo Lunar, o problema fulcral ainda reside no facto de não conseguirem reajustar os preços dos quartos, que já estão “muitos baixos quase sem margem para mais redução”. Neste contexto, salientou, os hotéis têm de recorrer a cupões de refeições para sobreviver

Rima Cui
Depois da época do Ano Novo Chinês, os hotéis “tradicionais” não localizados junto a casinos têm conseguido manter taxas de ocupação entre 50% e 60%, revelou May Wong, vice-presidente da Associação dos Hoteleiros de Macau, assumindo que essa percentagem “não é baixa”. No entanto, o problema persiste no facto de os hotéis não conseguirem aumentar os preços dos quartos.
“Actualmente, existem cerca de 20 mil visitantes por dia, dos quais quase 70% são atendidos pelos hotéis. Este volume já é muito melhor do que na primeira metade do ano passado. Mas, de facto, as pessoas vêm a Macau sobretudo para fazer compras e passear, por isso, permanecem apenas um ou dois dias. Muito poucos ficaram mais do que três dias no território”, salientou May Wong, em declarações prestadas ao Jornal TRIBUNA DE MACAU.
Na sua opinião, além das flutuações da situação pandémica nas regiões vizinhas, o facto de os residentes da China Continental terem de esperar pelo menos dois meses para receber os documentos necessários para visitar Macau também tem abalado a confiança dos visitantes.
Os Serviços de Turismo já afirmaram que vão avançar com uma série de promoções até ao final do ano, incluindo descontos para estadias em hotéis. Sobre essa matéria, a líder associativa garantiu que o sector colaborará completamente com o organismo e também tem actualizado mensalmente os programas de promoção nos hotéis. Neste momento, as unidades hoteleiras também estão a dedicar-se à promoção dos cupões de refeições que restaram no ano passado.
Destacando que, este ano, os hotéis reforçaram ainda mais os trabalhos de divulgação, May Wong explicou que os estabelecimentos do sector passaram a fazer campanhas em seis plataformas de viagem, enquanto antes colaboravam com apenas duas.
“Neste momento, todos os hotéis têm de fazer cupões de refeições, caso contrário, não teriam margem [para sobreviver]. Os preços dos quartos já são muito baixos, quase sem margem para mais reduções. Por isso, agora só podemos tentar fomentar os incentivos, fazendo uma ligação com os restaurantes”, salientou May Wong.
A dirigente associativa confessou que o sector já tinha feito algumas tentativas de recuperar o nível dos preços, porém, surgiram logo “efeitos adversos”. “Isto porque agora, para vir a Macau, os visitantes têm de esperar muito tempo pelos documentos de viagem. E se virem que os hotéis estão caros, perderão facilmente a vontade de vir, mesmo que a cidade seja atractiva para eles”, frisou.
Segundo a mesma responsável, a Associação dos Hoteleiros acredita que será possível haver uma “recuperação ligeira” nos negócios dos hotéis na segunda metade do corrente ano, uma vez que, em geral, Macau acolhe muitos programas nessa altura e os hotéis não vão deixar de envidar esforços no âmbito dessas campanhas. Ainda assim, apontou, esta esperança é condicional devido às incertezas da covid-19.
Por outro lado, o sector da hotelaria local registou uma “pequena quebra” no número de recursos humanos em 2021, indicou May Wong, ressalvando desconhecer a taxa de diminuição concreta, pois os estabelecimentos hoteleiros enfrentaram situações distintas.
Hotéis económicos devem “esperar”
Em relação ao surgimento de muitos hotéis económicos no território nos últimos anos, May Wong começou por referir que, antes da pandemia, abriram um “caminho diferente” para a evolução do sector hoteleiro em Macau. “Mas, agora parece que os hotéis desse tipo ainda terão de aguentar e esperar durante algum tempo, porque nem sequer os de grandes dimensões têm muita margem para sobreviver. Os hotéis económicos têm ainda menos espaço”, disse.
Para a líder associativa, a questão dos “preços baixos” dos quartos tornou os hotéis económicos “ainda menos atractivos”, tendo em conta que os hóspedes podem pernoitar nalgumas unidades de cinco estrelas por valores não muito distintos.
“Sei que estão em construção ou em remodelação alguns projectos de hotéis económicos, mas resta saber se irão mesmo abrir após a conclusão das obras. A meu ver, enquanto representante do sector de hotelaria, será muito difícil entrarem em funcionamento”, estimou.
Quanto à Zona de Cooperação Aprofundada na Ilha da Montanha, a vice-presidente da Associação dos Hoteleiros afirmou que representantes do sector em Macau e Hengqin têm vindo a discutir possibilidades de cooperação. Contudo, o processo teve de ser suspenso com o prolongamento da pandemia.
A Zona de Cooperação Aprofundada trará “grandes oportunidades” para os hotéis de Macau, sustentou May Wong, adiantando que a associação almeja que sejam organizadas mais actividades de grande dimensão na Ilha da Montanha para hotéis locais e que os estabelecimentos de lá possam atender em conjunto os clientes. A título de exemplo, disse que organizar um grupo de residentes da RAEM para visitar Hengqin é uma ideia que contribuirá para beneficiar guias turísticos e condutores de autocarros de turismo, profissionais que, na realidade, “já fizeram muitos preparativos”.
Noutro âmbito, questionada sobre se a indústria hoteleira está preocupada com o futuro dos casinos-satélites, numa altura em que a revisão da lei do jogo está a ser discutida na especialidade na Assembleia Legislativa, a vice-presidente da Associação dos Hoteleiros salientou que “neste momento é muito difícil reagir directamente sobre este assunto, porque não sabemos como está a situação agora, nem há dados”. “Também não sabemos como serão os arranjos para o futuro, por isso, é muito difícil previr os impactos”, afirmou May Wong, insistindo que, “do ponto de vista da Associação dos Hoteleiros, agora não é o momento para nos pronunciarmos”.



