O Conselho de Consumidores de Hong Kong alertou a população para a recorrência de esquemas suspeitos de telemarketing para venda de “memberships” para hotéis em Macau. Em dois anos, registaram-se 176 queixas, incluindo 41 em 2018. Em causa, estão más práticas de vendas e cancelamentos de cartões com recurso a extorsão de novo pagamento, por exemplo. As empresas em questão, segundo foi apurado, estão localizadas na China Continental e são principalmente incontactáveis
Liane Ferreira
Os cidadãos de Hong Kong estão a ser os alvos de vários esquemas de telemarketing, que usam os grandes hotéis de Macau como “isco”. Numa nota de imprensa, o Conselho de Consumidores da antiga colónia britânica advertiu que pessoas de Hong Kong têm sido atraídas por “memberships” de restaurantes e hotéis, especialmente em Macau.
No comunicado, refere-se que nos últimos dois anos surgiram recorrentemente casos de más práticas de vendas dessas afiliações, envolvendo um total de 176 queixosos, dos quais 41 foram registados apenas nos primeiros cinco meses deste ano. “Devido ao contexto obscuro de alguns desses operadores foi difícil encontrá-los para um contacto e mesmo compensação”, diz o Conselho.
Para agravar a situação, em alguns casos os vendedores garantiram que apenas com a renovação da afiliação é que seria possível cancelar a mesma, “alegadamente usando tácticas de extorsão para extrair pagamento”.
“Como algumas destas queixas envolvem intenção criminosa, o Conselho encaminhou-as para a polícia e autoridades aduaneiras”, afirmou o organismo.
O Conselho de Consumidores apresenta depois três casos exemplificativos, em que foi difícil contactar a outra parte.
Num deles, ocorrido em Março de 2017, uma queixosa aceitou comprar um cartão de membro de um suposto “conglomerado de hotel” local por 2.499 dólares de Hong Kong, com a promessa de receber duas noites no hotel de cinco estrelas, um almoço buffet, bilhete de “jetfoil” de ida e volta e ainda desconto de 50% em espectáculos. Logo de seguida, fez a reserva de um quarto para a Páscoa, mas recebeu uma carta de outra empresa, que não do hotel. A companhia disse que não havia registo da reserva.
Durante seis meses ligou para a empresa, mas o telefone ou estava desligado ou ocupado. Quando foi atendida ouviu várias desculpas, chegando a ser-lhe comunicado que devia pagar para ficar noutro hotel.
Depois de ter sido apresentada a queixa, descobriu-se que o pagamento foi feito a uma conta em Cantão e as cartas enviadas para a morada em Hong Kong acabaram por ser devolvidas. Contactos por email ou telefone também não tiveram efeitos.
Noutro caso, o queixoso só conseguiu cancelar a afiliação a um cartão que tinha comprado há cinco anos, depois de coagido a pagar a renovação. A queixa submetida em Hong Kong foi encaminhada para o Conselho de Consumidores da RAEM que concluiu que a empresa não estava registada no território. O caso seguiu depois para a polícia da região vizinha.
Outra situação com o mesmo fim envolve uma afiliação por 2.688 dólares. Depois de uma leitura atenta da condições do cartão, o queixoso descobriu que, afinal, era uma empresa a responsável e havia demasiadas restrições de uso, criando uma situação muito distinta da vendida ao telefone. A empresa em causa estava sediada na China Continental.
O Conselho de Consumidores de Hong Kong alertou os cidadãos para estarem atentos a chamadas telefónicas em que o vendedor recusa fornecer informações ou exige algum tipo de pagamento. Caso exista interesse do cliente, aconselha à verificação da morada de registo da empresa em Hong Kong, ao contacto com o hotel em causa e, por exemplo, a ler atentamente as restrições da “membership”.



