As fundações dos edifícios do Complexo de Cuidados de Saúde das Ilhas estão terminadas, à excepção do Hospital de Reabilitação. Mas permanece por saber quando é que tudo será edificado e que custos vão acrescer aos 2.000 milhões de patacas já gastos no projecto
Salomé Fernandes
A Comissão de Acompanhamento para os Assuntos de Terras e Concessões Públicas discutiu ontem com o Governo a situação do Complexo de Cuidados de Saúde das Ilhas. Apesar de a maioria das fundações dos edifícios já estarem concluídas, o ritmo de construção indica que o projecto não estará pronto até ao final de 2019. A deputada Ella Lei mostrou desagrado com a relutância do Governo em indicar o orçamento e prazo para a conclusão da obra.
“A superestrutura do Instituto de Enfermagem está em construção e ficará concluída no quarto trimestre de 2019. Em relação aos outros seis edifícios, assim que recebermos os projectos concluídos iniciaremos o processo de concurso público para adjudicação da obra”, indicou Raimundo do Rosário, Secretário para os Transportes e Obras Públicas.
Para além do Hospital Geral, o complexo vai incluir edifícios de Apoio Logístico, Laboratório Central, Administração e Multi-Serviços, bem como um Instituto de Enfermagem, um Hospital para Reabilitação e um edifício residencial para trabalhadores.
“Em 2019 queremos a construção basicamente feita”, foi a indicação optimista dada por Chui Sai On aquando da apresentação das Linhas de Acção Governativa (LAG). Com apenas uma das estruturas com conclusão prevista para esse período, a vontade mostrada pelo Chefe do Executivo de ter todo o complexo hospitalar completado nesse ano dificilmente será respeitada.
O Secretário frisou que cabe ao utilizador elaborar o projecto, neste caso aos Serviços de Saúde, enquanto o Executivo deve tratar da aprovação dos planos e da obra. Até ao momento gastaram-se 2.000 milhões de patacas, dos quais 1.100 milhões nas fundações que já se encontram quase todas concluídas, 600 milhões na superestrutura do Instituto de Enfermagem e 300 em serviços como a fiscalização e controlo de qualidade.
A deputada Ella Lei indicou que o Hospital de Reabilitação e o Edifício Residencial para Trabalhadores também já reuniram condições para o lançamento de concursos públicos, apesar de só ter avançado o Instituto de Enfermagem, cuja construção vai demorar 700 dias.
“Só recentemente foi aprovada a planta e já sofreu alterações quatro vezes. Foram necessárias várias voltas entre o GDI [Gabinete de Desenvolvimento de Infra-Estruturas] e os Serviços de Saúde”, disse, recordando ainda que a área do projecto foi aumentada, depois do número de camas previstas subir para 1.100, o que equivale a 3,4 por cada mil habitantes.
“A explicação do Governo é de que é complexo”, respondeu Ella Lei quando questionada sobre a opção de avançar com a construção do Instituto de Enfermagem ao invés de um edifício onde sejam prestados efectivamente serviços médicos.
Lamentando que o Governo não dê indicações sobre o orçamento e o prazo pretendidos para as obras, Ella Lei apontou dois problemas decorrentes deste vazio de conhecimento. “Sem calendarização é difícil formar pessoal, que é um processo também demorado”, explicou, mencionando ainda que para além do tempo de construção há que acrescentar a instalação dos equipamentos. A deputada considera que na próxima reunião é importante saber estes pormenores, e admite a possibilidade de se discutir uma reforma na metodologia de trabalho.
“Parece que não conseguimos dar resposta ao plano definido para 2010 – 2020”, comentou. Confrontada com a possibilidade de contratar empresas estrangeiras para solucionar os atrasos no projecto, Ella Lei recordou que o Governo de Macau convidou empresas de Hong Kong e dos EUA para efeitos de consultadoria, o que implicou um custo de 20 milhões de patacas.
A deputada indicou que foram abordados outros temas durante a reunião da Comissão, mas que durante o período das LAG o foco vai ser no Hospital das Ilhas e no Metro Ligeiro. Numa fase posterior os deputados pretendem avançar com o acompanhamento de outras situações, como a construção de habitação pública na zona A e a concessão do serviço público de autocarros.



