O deputado Chan Hao Weng considera que os recursos do Hospital das Ilhas não estão a ser plenamente utilizados. Em contraste, diz que o São Januário continua “sobrecarregado todos os dias”, funcionando para além da sua capacidade. Assim, pede ao Governo para aumentar a proporção de atendimentos aos residentes locais e que exija ao Macau Union que “regresse à missão original como hospital público”

 

A funcionalidade do Hospital das Ilhas, mais concretamente o acesso dos residentes locais aos seus serviços, foi criticada por Chan Hao Weng, numa intervenção no período de antes da ordem do dia, na sessão da Assembleia Legislativa.

O deputado começou por afirmar que “a dificuldade no acesso aos serviços médicos e longos tempos de espera têm sido os problemas frequentemente levantados pela população local e ligados à sua vida”, considerando que “muitos idosos e doentes crónicos têm de esperar meses, ou até um ano, para consultas nas especialidades ou exames simples, o que afecta gravemente a sua vida quotidiana e estabilidade clínica”.

Constatando que o Governo, “para resolver a referida dificuldade dos cidadãos”, investiu mais de 10 mil milhões de patacas do erário público na construção do Complexo de Cuidados de Saúde das Ilhas”, observou que os residentes tinham expectativas de que o novo hospital aliviasse a pressão do sistema de saúde público e encurtasse os tempos de espera, ajudando efectivamente a população.

Contudo, expressou na AL, “a realidade não corresponde às expectativas dos cidadãos”, recordando que o Complexo “assume, neste momento, apenas 11% dos serviços médicos públicos em Macau”, quando o Centro Hospitalar Conde de São Januário continua “sobrecarregado todos os dias”.

Chan Hao Weng apontou que, recentemente, o Hospital das Ilhas passou a incluir os residentes da Zona de Cooperação Aprofundada no âmbito de quotas para consultas externas especializadas. Vincando que esses não pagam impostos na RAEM, nem contribuem para o cofre público, defendeu que “quando as necessidades da população local ainda não estão satisfeitas, abrir quotas aos residentes do exterior só vai ‘diluir’ e reduzir os direitos e interesses dos residentes locais no acesso aos serviços médicos”.

Assim, pediu ao Executivo que exija ao Hospital Macau Union que “regresse à missão original como hospital público, aproveitando a sua vantagem de ter instalações quatro vezes maiores, para assumir os serviços médicos públicos gratuitos prestados pelo Hospital Conde de S. Januário”.

Se assim for, frisou, “os moradores de Coloane e da Taipa, idosos, crianças e grupos vulneráveis poderão aceder aos serviços médicos gratuitos no Hospital das Ilhas, com tratamento idêntico ao do Hospital Conde de S. Januário, por forma a alcançar, efectivamente, o efeito de triagem, aliviando a pressão do sistema de saúde público”.

Por outro lado, exorta o Governo para que “aumente substancialmente a proporção de atendimentos aos residentes locais, e divulgue os dados de serviços, a alocação de pessoal e a distribuição de quotas, no sentido de aumentar a transparência no uso do erário público e dissipar as dúvidas da população”.

 

V.R.