A selecção de Hong Kong não perdeu um único jogo no Torneio da Soberania e superou a Malásia por 3-0 na final. O Vitória de Setúbal terminou em quarto. A próxima edição poderá trazer novidades
Vítor Rebelo*
Foi em ambiente de festa que terminou ontem no Campo do Canídromo mais uma edição do Torneio da Soberania, organizado pela Associação de Futebol de Veteranos de Macau e que voltou a contar com a participação de oito equipas.
A final foi disputada entre as selecções de Hong Kong e da Malásia, com o “onze” da RAEHK a confirmar algum favoritismo e a triunfar por 3-0.
Hong Kong apresentou, desde o primeiro minuto (dos 70 no total), um futebol mais tecnicista e virado para o ataque, criando dificuldades à defesa malaia. Num desses lances, aos 26 minutos, surgiu o primeiro golo, da autoria de Detinho, de cabeça, antecipando-se ao guarda-redes da Malásia, na sequência de um cruzamento da direita. O possante avançado brasileiro, que durante muitos anos actuou nas principais equipas da RAEHK e ali continua a residir, tinha entrado minutos antes.
A Malásia, “carrasco” do Vitória de Setúbal (1-0) na segunda jornada, atirando os sadinos para posições secundárias, praticamente não chegava com perigo à baliza de Hong Kong e sofreu o 2-0 antes do intervalo. A superioridade de Hong Kong manteve-se na segunda metade da partida, período em que apontou mais um tento.
O conjunto da região vizinha é um justo vencedor da 18ª edição do Torneio da Soberania (ganhou nos jogos anteriores a Sichuan, por 4-1 e a Taiwan por 1-0), conquistando o quinto troféu, só superado, em termos de historial do evento pela Coreia do Sul, já com oito vitórias. Os outros títulos foram entregues a Macau, na primeira edição, ao Marítimo (três vezes consecutivas, entre 2007 e 2009) e a Cantão.
No torneio deste ano, o Vitória de Setúbal, que apresentou algumas vedetas do passado, como Hélio Sousa, Vítor Madeira, Nuno Tavares ou Mário Loja, foi o representante do futebol português, repetindo a presença de 2016 e terminou no quarto posto, depois de derrotado ontem de manhã por Taiwan, nas grandes penalidades, após 1-1 no final do tempo regulamentar.
A selecção da casa, orientada por Eduardo Jesus e contando com jogadores como Domingos Chan, Dedé, Ka Li Man, Lei Peng Kong, Pun Veng Keong ou Lam Ka Koi, perdeu na derradeira ronda com a Coreia do Sul (2-1) e fechou a prova no sexto lugar, à frente do Vietname e Sichuan, depois de ter sido derrotado na abertura por Taiwan (2-0) e de ter ganho nos penáltis a Sichuan (1-1 no final do tempo regulamentar).
Balanço positivo
Francisco Manhão, elemento da organização e antigo presidente da Associação de Futebol de Veteranos de Macau, considera que a prova foi muito equilibrada, “porque as equipas apresentam-se mais fortes de ano para ano, mostrando grande interesse por este torneio”.
Relativamente ao evento de 2019, que assinalará os 20 anos da RAEM, Manhão diz que pode haver novidades: “Atendendo a essa data especial, é possível que os dirigentes associativos equacionem a hipótese de alargar a prova a mais equipas. Vamos aguardar”.
Dos três grandes do futebol português, apenas o Sporting já esteve na prova de Macau, por duas vezes, esperando-se que um dia também Benfica e FC Porto igualmente aqui se desloquem.
“Trazer de novo o Sporting penso que é perfeitamente possível, mas já o Benfica e o FC Porto fazem muitas exigências e assim é muito difícil virem a Macau, uma vez que o orçamento do torneio é apertado”, concluiu Francisco Manhão, fundador do torneio e da Associação, continuando a ser peça importante na máquina organizativa da competição.
De entre as formações presentes no torneio, foi o Vitória de Setúbal que trouxe o jogador de maior gabarito, Hélio Sousa, campeão do mundo de Sub-20 em 1989, em Riade. O médio, da geração de futebolistas como João Vieira Pinto, Abel Silva, Paulo Madeira, Fernando Couto, Jorge Couto, Paulo Sousa, Folha, Brassard, gostou da primeira visita a Macau: “Foi a minha estreia aqui no território e levo uma excelente impressão, num local que continua a ter muitos portugueses. O Vitória de Setúbal foi muito bem recebido e só foi pena não termos conseguido ganhar o torneio, que era o nosso grande objectivo”.
* Jornalista



