A Associação dos Macaenses e o Albergue SCM uniram-se para organizar uma sessão com o objectivo de homenagear Rubye de Senna Fernandes. Miguel de Senna Fernandes fala de uma “senhora que adorava festas, sempre muito popular”, “muito aberta” e que “tinha o condão de cantar muito bem”, tendo popularizado o fado entre a comunidade macaense
Inês Almeida
Hoje, pelas 18:30, no Albergue SCM decorre uma homenagem a Rubye de Senna Fernandes que, trazendo influências de Portugal, popularizou o fado entre a comunidade macaense, na década de 50. “Ela era uma grande animadora de festas, uma pessoa muito dada, uma senhora que adorava festas, sempre muito popular. Foi sempre uma pessoa muito aberta, festiva e que tinha o condão de cantar muito bem”, destacou Miguel de Senna Fernandes, em declarações à TRIBUNA DE MACAU.
Prima direita de Henrique de Senna Fernandes, Rubye “popularizou o fado, pelo menos entre a comunidade macaense, que era mais virada para a música popular norte-americana, latino-americana. A comunidade macaense nunca foi muito fã de música popular portuguesa”. No entanto, Rubye de Senna Fernandes “chega nos anos 50 e traz com ela outra tradição de festas”.
Várias pessoas recordam tertúlias na casa de Rubye de Senna Fernandes, em Coimbra, sublinhou o presidente da Associação dos Macaenses que organiza a sessão a par do Albergue SCM. “Frequentavam a casa dela o falecido António de Almeida Santos, antigo presidente da Assembleia da República ou o doutor Antunes Varela, professor de direito da Universidade de Coimbra. A casa dela em Coimbra era um sítio onde as pessoas estavam para várias tertúlias, ela [Rubye de Senna Fernandes], Ondina e também Nuno de Senna Fernandes”.
Nessas ocasiões, também se cantava fado e “quando eles regressaram a Macau trouxeram consigo essa tradição da música e Rubye, em várias ocasiões, cantava fado de Amália e de outros fadistas. Ela popularizou esse tipo de música, em particular o fado, de que era uma amante incondicional, não que fosse fadista, mas era uma exímia intérprete”. Miguel de Senna Fernandes recorda que, “vezes sem conta”, Rubye de Senna Fernandes “ia para o palco, usava um xaile, à boa maneira fadista, e interpretava as canções”.
A apetência para a música está enraizada naquela lado da família, explicou Miguel de Senna Fernandes. “O meu tio avô, Bernardino, tocava e a minha tia era uma exímia pianista. Estes Senna Fernandes, muitos foram para a música, portanto, são músicos natos. Muitos tocaram, Rubye tocava, Nuno de Senna Fernandes e Alberto de Senna Fernandes tocavam instrumentos. O meu avô nunca foi muito de música e o meu pai nunca tocou nada, mas era um grande apreciador de melodias. Seja como for, a música é daquele ramo familiar”.
A decisão de organizar a sessão partiu de ideias semelhantes de Miguel de Senna Fernandes e de Carlos Marreiros. “Carlos Marreiros telefonou-me e propôs fazer uma homenagem e eu também estava a pensar fazer alguma coisa diferente, mas estava com dificuldades porque estamos em Agosto e as pessoas não estão”.
Para a sessão de hoje foi preciso contactar pessoas em Portugal que conseguissem enviar fotografias de Rubye de Senna Fernandes para serem projectadas. “Ainda contactámos pessoas que viveram a época dela para que possam contar algumas coisas”, sublinhou Miguel de Senna Fernandes acrescentando que a sessão “primará pela total informalidade”.
Miguel de Senna Fernandes não tem “grandes memórias” da prima direita do seu pai. “Primeiro, nunca fui aluno dela. Nunca estive na Escola Infantil, que era como se chamava na altura o Jardim de Infância D. José da Costa Nunes, de que ela foi directora. Não tenho grandes histórias para contar porque o meu contacto com ela não foi muito. Só me cruzei com ela muito depois”. Na sessão falarão, então, pelo menos, Carlos Marreiros, Isabel Marreiros e Rita Santos, “que foi aluna dela”.
Rubye de Senna Fernandes faleceu no dia 6 deste mês, em Portugal.



