Um dos suspeitos de ter resistido às autoridades depois de fumar numa zona interdita diante do hotel Galaxy está em prisão preventiva. O Ministério Público justifica a aplicação da mais grave medida de coacção com a “natureza e gravidade” do sucedido. Os outros dois arguidos terão de pagar multas no valor de 50.000 patacas. Os Serviços de Saúde frisaram que o comportamento dos três homens “não pode ser tolerado”. Por sua vez, deputados e “Kaifong” pediram mais apoio aos agentes policiais

 

Por proposta do Ministério Público (MP) foi aplicada a medida de prisão preventiva a um dos três suspeitos de terem resistido “violentamente” à intervenção de um agente policial por estarem a fumar num local interdito.

Foi por volta das 23:00 de quinta-feira, junto a uma das entradas do Galaxy, que se deu a altercação cujas imagens foram partilhadas nas redes sociais. O vídeo mostra o conflito entre o agente do Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP) e os três homens da China Continental sendo audível, a determinado momento, um tiro que foi disparado para o ar. O CPSP já garantiu que a conduta será investigada, como é normal neste género de situações.

O CPSP assegurou ainda que o agente disparou a arma depois de ter sido agredido e perseguido e após repetidas tentativas para acalmar os três homens. Antes de recorrer a esse método, o agente terá utilizado um bastão, que conseguiu provocar um efeito dissuasor. Durante o conflito, terá havido uma tentativa de roubo do bastão do agente por parte dos suspeitos, tendo o polícia sofrido ferimentos ligeiros. O agente vai ser observado por um psicólogo para garantir a sua saúde mental e ficará a trabalhar apenas na esquadra.

Uma nota do MP refere que os arguidos são suspeitos da prática do crime de resistência e coacção que pode levar a uma pena de prisão até cinco anos.

“Tendo em conta a natureza e a gravidade do inquérito, bem como outros factores, tais como os possíveis perigos de fuga e de a ordem pública e a paz social continuarem a ser perturbadas pelos arguidos, em particular o primeiro que agrediu dolosa e violentamente o agente policial” estão preenchidos os pressupostos da aplicação da prisão preventiva, indicou o MP. Aos outros dois suspeitos foram aplicadas medidas de coacção como o pagamento de uma multa de 50.000 patacas e termo de identidade e residência.

Os Serviços de Saúde (SSM) também se pronunciaram sobre a situação garantindo que “repudiam todos os actos de violência” e reafirmando que “este tipo de comportamento não pode ser tolerado”. Ao mesmo tempo, os SSM “manifestam apoio e agradecimento ao agente policial pela enorme contribuição prestada ao controlo do tabagismo”.

“Em caso de resistência com linguagem abusiva, até ameaça e agressão, além da PSP ser chamada, o infractor será, consoante o caso, acusado por crimes de desobediência, injúria agravada ou ofensas qualificadas à integridade física”, advertiu o organismo.

 

Pedido mais apoio para pessoal da linha da frente

De acordo com o jornal “Ou Mun”, o caso também já gerou preocupações entre deputados e associações, com Wong Kit Cheng a pedir uma reavaliação do modelo de mobilização de agentes policiais nos casinos, questionando a necessidade de colocar naqueles estabelecimentos um maior número de efectivos para garantir a segurança, até dos próprios.

Lam Lon Wai, deputado ligado à Federação das Associações dos Operários de Macau, disse acreditar que a polícia, os SSM, a Direcção de Coordenação e Inspecção de Jogos e a segurança dos casinos devem aumentar o apoio ao pessoal da linha da frente. Numa interpelação escrita, Lam Lon Wai apontou ainda que os visitantes devem ser os principais alvo da divulgação de informações, uma vez que correspondem a 70% dos infractores.

Já a directora do Gabinete dos “Kaifong” nas Ilhas sugere mesmo a afixação de cartazes e avisos sobre as novas medidas de controlo e prevenção do tabagismo nos postos fronteiriços, sobretudo no da Ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau. Além disso, entende Jiang Xuchun, é preciso aperfeiçoar o mecanismo de colaboração entre os diferentes organismos.

A acção do agente não passou despercebida à Associação dos Direitos dos Trabalhadores de Macau, presidida por Cloee Chao, que hoje à tarde vai à sede do CPSP entregar-lhe um louvor com as palavras “combater a criminalidade, garantir a tranquilidade social e executar a lei rigorosamente” como forma de agradecimento pelos seus actos.

 

Mais oito infracções às novas regras anti-tabagismo

Entre as 16:00 de sexta-feira e de sábado, os agentes de fiscalização dos Serviços de Saúde (SSM) e pessoal da Direcção de Inspecção e Coordenação de jogos detectaram oito infracções cometidas por indivíduos a fumar em casinos. Todos eram visitantes, indica uma nota dos SSM. No total, foram efectuadas 12 inspecções a casinos e, através da linha verde, o Gabinete para a Prevenção e Controlo de Tabagismo, recebeu 28 chamadas para apresentação de queixas.

 

I.A./R.C.