Allan Alexander
Allan Alexander

O programa do Encontro de jovens macaenses uniu-se ontem ao Fórum de Economia e Turismo Global num dia dedicado ao desenvolvimento do turismo. Nos locais onde reside a diáspora macaense nem sempre é fácil explicar o que é a RAEM a quem não conhece, mas essa é uma área em que as Casas de Macau apostam

 

Os cerca de 50 participantes do IV Encontro da Comunidade Juvenil Macaense participaram ontem na inauguração do Fórum de Economia e Turismo Global no MGM Cotai. O turismo, foco do dia de ontem, bem como a cultura e as tradições são, de resto, alguns dos elementos promovidos pelas diversas Casas de Macau espalhadas por todo o mundo.

“Sempre que se vem a Macau aprende-se mais sobre a cultura e Macau está sempre a mudar: tem novos prédios, novo entretenimento. Nunca é a mesma coisa. Se vier no próximo ano já tenho diferentes coisas para fazer”, sublinhou Allan Alexandre, da Casa de Macau em São Paulo à TRIBUNA DE MACAU.

Neto de naturais de Macau, Allan Alexandre visita o território pela quinta vez, no entanto, a cultura está sempre presente na sua vida. “A Casa de Macau em São Paulo todas as semanas tem almoços e festejamos as datas comemorativas. É uma comunidade bastante grande, são cerca de 200 associados. A Casa foi fundada em 1988, todos os domingos há almoços, e as pessoas mais velhas contam histórias de como era Macau no tempo delas”, explicou o jovem.

A avó, em particular, ajuda a manter a cultura. “Faz bastante teatro em Patuá e também a parte culinária. Há sempre almoços e a minha avó, pelo menos uma vez por semana, faz pratos como minchi”, destacou Allan Alexandre. Além disso, é a avó quem lhe conta histórias de uma Macau que já não existe. “Hoje Macau não tem nada a ver com a Macau de antigamente. A minha avó fala-me das festas e dos bailes a que ia”.

Ao longo do dia de ontem, Allan Alexandre ficou a conhecer mais sobre o turismo de Macau e a importância que tem para a economia. “Macau é uma região tão pequena e tem quase 10 vezes mais turismo que o Brasil que é um país gigante, por causa dos casinos”.

Em São Paulo, onde vive, quem não conhece Macau não compreende como pode ser tão diferente da China Continental. “Hoje Macau é o turismo dos casinos. As pessoas que não conhecem ficam um pouco assustadas, não têm noção”.

Alessandra Roliz Sterberg, da Casa de Macau no Rio de Janeiro, está em Macau pela segunda vez. “O meu avô nasceu em Xangai e depois mudou para Macau com a família inteira e depois foram para o Brasil”, explicou à TRIBUNA DE MACAU.

Alessandra Roliz Sterberg

“Temos muito o hábito de nos encontrarmos. A Casa de Macau no Rio de Janeiro é muito unida. Promovemos mensalmente encontros em que conversamos sobre histórias e também há a questão da gastronomia que é muito explorada e, realmente, é mais a herança cultural [que se mantém]. As pessoas vão passando o que viveram”, sublinhou.

De geração para geração são passadas muitas histórias. “Muitos deles vieram muito pequenos, têm a história dos avós. Macau mudou muito. Antes era uma região de pescadores e agora é uma Las Vegas. Há várias histórias de aventuras, como as histórias de tufões”.

As expectativas para o resto do Encontro “são as melhores possíveis”. “A grelha de programação está muito informativa e interessante. A cidade é óptima para passear e para conhecer. Quero passear pelos casinos, pela Taipa, por toda a parte histórica também”, salientou.

Tal como Allan Alexandre, Alessandra Roliz Sterberg indica que a população do Rio de Janeiro, de onde vem, “não entende como é que pode haver uma região que não tem nada a ver com a China”, por ter uma parte “mais ocidental”. “As pessoas têm muita curiosidade, principalmente pela parte da gastronomia e pela história, por também ser uma antiga colónia portuguesa e por os nomes das ruas estarem escritos em Português”.

 

Manter o Português e o Chinês

Para Nuno Variz o Português e o Chinês são os principais elementos de ligação a Macau que preserva, mesmo vivendo no Reino Unido. “Nasci em Macau, estive aqui até 2001, tirei desporto em Macau, entretanto fui para Portugal com os meus pais que se reformaram e, em 2005 mudei-me para Londres”, explicou à TRIBUNA DE MACAU.

Na RAEM ainda tem familiares e amigos. Porém, desde que de cá saiu que não visitava o território. “A vida às vezes é complicada. Tentei sempre vir cá mas casei-me, tive uma menina e as coisas tornaram-se mais complicadas. A minha mãe continua muito ligada a Macau e a fazer pratos macaenses e comida chinesa também”, sublinhou.

Do outro lado do mundo, em Inglaterra, mantém sobretudo a herança linguística. “Com certeza, o Português é importante em casa, também o Chinês, a pouco e pouco. Eu também não falo fluentemente mas percebo tudo em Cantonês. E o maior problema foi não ter praticado estes anos todos”. Actualmente, começa também a ensinar a língua chinesa à filha. “Estou a começar a introduzir o Chinês agora, mas o Português e o inglês com certeza”.

Nuno Variz olha com interesse para o modo como o território se desenvolveu ao longo dos últimos anos, sobretudo o sector do turismo sobre o qual teve oportunidade de ouvir falar no dia de ontem.

Hoje os representantes das várias Casas de Macau visitam o Gabinete de Ligação, o Conselho das Comunidades Macaenses e as Ruínas de São Paulo, terminando o dia com uma recepção oficial do Encontro, às 18:00, na Torre de Macau.

 

I.A.