Este sábado, realiza-se o primeiro de 10 espectáculos da produção “The Magic Box” da Disney, no Teatro do Venetian. Ao Jornal TRIBUNA DE MACAU, os autores do musical, Felipe Paredes e Thaddeus Phillips, falaram do desafio que foi reproduzir o extenso catálogo de figuras e músicas da Disney num único projecto

PEDRO MILHEIRÃO

Estreia amanhã, no Teatro do Venetian, o espectáculo “The Magic Box” da Disney, um dos destaques do 2º Festival Internacional de Artes para Crianças. O Jornal TRIBUNA DE MACAU falou com os criadores do musical, que será apresentado pela primeira vez na China. Organizada pela Sands China, a produção terá 10 espectáculos em Macau, entre este fim-de-semana e de 18 a 20 de Julho.

Na génese do musical “The Magic Box” esteve “a necessidade de criar algo que fosse mais compreensível para o catálogo da Disney e que representasse muito mais o conteúdo das histórias, ao invés de contar apenas uma história”, afirmou Felipe Paredes, produtor criativo. “Queria fazê-lo de uma maneira original e teatral, que não fosse literal. Algo que fosse mais abstracto e que desencadeasse as emoções dos filmes sem os recontar”, como explicou ao Jornal TRIBUNA DE MACAU.

Para Thaddeus Phillips, realizador, incluir toda a Disney num musical foi uma ideia “louca”. “Quando falamos da Disney, não falamos apenas da produção teatral, falamos de todos os filmes, dos desenhos animados”. Nesse sentido, Phillips imaginou um estúdio, “que é um lugar onde as coisas são feitas”, essencialmente “uma caixa mágica de criação”, mas “é também uma metáfora para toda a relação do público com a Disney”.

O realizador confessou que um dos desafios foi perceber como conseguir que o espectáculo funcionasse com diferentes audiências, em diferentes níveis e em simultâneo. “Numa família, os pais vêem uma coisa, os filhos outra e os avós outra, e é o mesmo momento. Enquanto os projectos mais recentes são óptimos, e a música é maravilhosa, nalgumas das coisas mais antigas, como a Branca de Neve, Pinocchio e Bambi, a música é um pouco esquecida e é simplesmente incrível. É como uma ópera”.

“Sem ter de ser literal para a personagem”, continuou Phillips, “podemos pegar nas palavras da música e, através da [Mara], colocá-las nos espectadores”. “Cada membro do público, de certa forma, está a passar pela sua própria jornada, porque é uma apresentação muito aberta”, salientou.

Durante o processo de selecção das músicas, do extenso catálogo da Disney, Paredes contou que procuraram formar uma “tapeçaria rica, sem ser histórica”. “O facto de termos uma história original, em vez de reproduzir uma história dos filmes, liberta-nos da cronologia”, explicou.

O equilíbrio entre temas clássicos e contemporâneos permite também envolver um “público mais amplo”. “Com uma família de avós, pais e filhos, numa cena de dois minutos, cada um deles encontrará um ponto de entrada. Os avós podem responder a uma música de Mary Poppins, de 1964, os pais podem responder a uma de Aladdin, de 1992, e os filhos a uma de Moana. Fomos muito cuidadosos a escolher os momentos, a música, que nos ajudaram a contar a nossa história”, realçou o produtor.

 

Um espelho para a “criança interna”

Mara, a personagem principal, funciona como uma guia. De acordo com os autores, a ideia é que ela seja “um espelho do público, de qualquer espectador. Representa-nos a todos. É uma adulta quando entra na caixa e a sua missão é reconectar-se com a sua criança interna. Acho que para todos nós, que trabalhámos neste projecto nos últimos anos, foi um portal para nos reconectarmos com a nossa própria infância. Acho que isso é a melhor celebração do poder da história da Disney. Só queremos encorajar o público a encontrar aquela voz interna novamente”.

Acerca da escolha de Macau, para a estreia da produção “The Magic Box” na China, Paredes justificou com o facto de ter uma história multicultural “muito rica”. “É um lugar que melhora as culturas. A nossa equipa criativa é feita de pessoas de muitos países diferentes. O espectáculo em si já é muito multicultural. Então, pareceu-me muito adequado apresentá-lo a um público que é, por definição, multicultural”.

“A segunda razão é que Macau é um lugar incrível para entretenimento e para experiências de qualidade”, continuou Felipe Paredes. “Tem um conjunto incrível de resorts, restaurantes e entretenimento. Pareceu o lugar certo para estrear [o espectáculo] na China”.

Questionado sobre o que pretende que os espectadores levem da experiência, Phillips afirmou que “gostaria que eles tenham um ressurgimento de todas as lembranças da Disney, de onde quer que eles as tragam. Como o que aconteceu comigo, após entrar no material. Comecei a pensar naquela cara de palhaço muito assustadora em Pinocchio, em ‘Pleasure Island’. E agora temos uma versão enorme que ascende sobre o público”.

“É também uma forma de olhar para o material, longe da sua fonte original”, acrescentou Phillips. “É um espectáculo muito sofisticado, mas não é de alta tecnologia. Para as pessoas mais jovens, é muito importante para mim que elas voltem com uma sensação das possibilidades do teatro”.

Por sua vez, Paredes destacou também o facto de ser “a primeira vez que essas personagens, Mickey e amigos, são representados através de marionetes. O que o espectador percebe da marionete é o humano que está a manipular a personagem. Aumenta o nível de humanismo. É mais real. Mesmo vendo o truque a ser feito”.

O musical segue Mara, que entra numa caixa mágica e descobre “um mundo de maravilhas com as personagens adoradas e excertos de mais de 75 músicas clássicas dos filmes da Disney”. Temas como “Circle of Life” do Rei Leão, “A Whole New World de Aladdin e “Let it Go” de “Frozen”, entre outros, serão interpretados por uma orquestra ao vivo.

O espectáculo de hora e meia inclui marionetes, uma coreografia “magnífica”, técnicas inovadoras e visuais “impressionantes”. O espectáculo estreou no ano passado, em Buenos Aires e “maravilho audiências na Cidade do Cabo, Joanesburgo, e mais recentemente, Abu Dhabi e Doha”, segundo um comunicado da Sands.

Felipe Paredes, nascido na Colômbia, começou a carreira no palco e na televisão com apenas sete anos. Mais tarde formou uma companhia de teatro e, como produtor independente, apoiou festivais internacionais, artistas contemporâneos e organizações de artes performativas pelo mundo. Durante cerca de 15 anos, trabalhou para o Disney Theatrical Group, para a divisão da “Broadway” dos “Walt Disney Studios” e como produtor em espectáculos aclamados, como o “Rei Leão” e “Aladdin”, entre outros.

Thaddeus Phillips, é um artista e realizador de teatro que cria produções de teatro, cinema e músicas “que estendem os limites do que é possível em palco”. O seu trabalho foi apresentado em cidades como Xangai, Bogotá, Londres e Los Angeles. Colaborou com nomes como Geoff Sobelle, Steven Dufala, The Wilhelm Bros, Robert Lepage e Teller.